Nova subvariante da covid-19 é encontrada em criança de 3 anos por laboratório de SP

A subaviante foi encontrada em um dos laboratórios da rede Dasa em São Paulo. Conversamos com o Dr. André Laranjeira, pediatra do hospital Albert Einstein, que nos explicou um pouco sobre a situação

Resumo da Notícia

  • Laboratório de SP encontra nova subvariante da covid-19 em criança de 3 anos
  • A subaviante foi encontrada em um dos laboratórios da rede Dasa
  • Conversamos com o Dr. André Laranjeira, pediatra do hospital Albert Einstein, que nos explicou um pouco sobre a situação

Um laboratório de São Paulo da rede DASA identificou uma subvariante da Ômicron, do vírus da covid-19, ainda não registrada no mundo. A subvariante foi encontrada em uma criança de 3 anos. O primeiro teste contra a covid-19 dessa criança havia sido feito em fevereiro, mas a amostra foi selecionada aleatoriamente para ser avaliada nesta semana e foi descoberta a subvariante diferente.

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Além da nova mutação, o laboratório detectou outros dois casos da subvariante XE, que também é da Ômicron e surgiu no Reino Unido. No caso da criança de 3 anos, o sequenciamento genômico realizado pela Dasa detectou que a carga genética do vírus continha informações da Ômicron combinadas com as de uma outra versão do coronavírus ainda não identificada em outras partes do mundo.

Laboratório de SP encontra nova subvariante da covid-19 em criança de 3 anos
Laboratório de SP encontra nova subvariante da covid-19 em criança de 3 anos (Foto: Getty Images)

Em uma nota à imprensa enviada à Pais&Filhos, o laboratório explicou um pouco do processo . “O projeto de vigilância genômica do SARS-CoV-2 que está em andamento na rede Dasa, denominado GENOV, identificou três infecções por SARS-CoV-2 recombinantes. Uma delas se trata de um recombinante não descrito até o momento em todo o mundo. Recombinantes são vírus que apresentam um pedaço de seu genoma provindo de uma linhagem parental e outro pedaço de uma outra linhagem distinta”, começam na nota, explicando.

Eles seguiram dizendo que todas as três amostras identificadas vieram de pacientes que buscaram uma das unidades do laboratório para realizar o teste de RT-PCR  para SARS-CoV-2 e foram selecionados aleatoriamente através do algoritmo usado pelo GENOV. A primeira amostra, proveniente de uma criança de 3 anos de idade da cidade de São Paulo, foi coletada em 16 de fevereiro de 2022. Trata-se de um recombinante ainda não descrito até o momento.

Apesar disso, ainda não há informações suficientes sobre essa nova subvariante. Para que seja reconhecida como uma nova linhagem recombinante é necessário que pelo menos 5 amostras de diferentes indivíduos contenham este recombinante, explica o laboratório.

O virologista da Dasa, José Eduardo Levi, ressaltou que tanto a criança quanto a família não saíram no Brasil. “A criança e sua família não viajaram para fora do país, portanto a transmissão se deu no país. A criança passa bem. De qualquer forma, até o momento podemos afirmar que a sub-variante não causa sintomas diferentes do que a Ômicron”, apontou.

Em entrevista à Pais&Filhos, o Dr. André Laranjeira, pai de Sofia e Manuela, e pediatra do Hospital Albert Einstein falou um pouco sobre a descoberta dessa nova subvariante e ressaltou a importância da vacinação. “O fato dessa nova variante ter sido encontrada em uma criança só nos fortalece a decisão de vacinar as crianças contra a covid-19. Porque enquanto as crianças não estiverem vacinadas, os vírus costumam se multiplicar nas células da mucosa respiratória das crianças e, durante esse processo de multiplicação, eles podem sofrer mutações, que é o que causa o surgimento da variante. Quando as crianças e os adultos estão vacinados, esse vírus não consegue prosperar na multiplicação, uma vez que o sistema imune já está treinado contra o vírus, impedindo que ele continue seu ciclo e impedindo, naturalmente, o surgimento de mutações”, explica.

O médico ressaltou que, apesar da nova subvariante ter sido identificada em uma criança de 3 anos, ainda não há necessidade dos pais se preocuparem ou desesperarem. “Os pais não precisam se preocupar com a doença. Porque aparentemente a doença não mudou seu padrão, mas eles devem vacinar seus filhos para impedir que essas novas variante surjam. Já que, caso apareça uma nova variante mais forte da que as que a gente tem visto, isso pode ser um problema não só para a comunidade pediátrica, mas como para os adultos.

Como são identificadas novas variantes?

O pediatra nos explicou um pouco sobre essa identificação dessas novas variantes e subvariantes. “As subvariantes são identificadas através de análises, exames, normalmente PCR, em que laboratórios analisam amostras e pesquisam se o tipo viral em circulação dessas amostras mudou ou se ainda é o mesmo que tem sido identificado nas outras situações. Então é como se fosse uma vigilância que alguns laboratórios fazem para que a gente tenha conhecimento de qual é a variante que está em circulação”, explica.

Quando uma nova mutação passa a ser preocupante?

A rede Dasa explicou que, para que seja reconhecida como uma nova linhagem recombinante, é necessário que pelo menos 5 amostras de diferentes indivíduos contenham este recombinante. O Dr. André Laranjeira explicou um pouco mais sobre essa questão das variantes e quando, de fato, elas começam a ser preocupantes. “Todas as vezes que um vírus sofre uma mutação, a gente não sabe se essa nova mutação trará para o vírus a capacidade de ficar resistente ao nosso sistema imune no momento atual. Então você tomou uma vacina, espera que seu corpo fabrique uma série de anticorpos e encontre mais formas de se defender. Só que, se o vírus muda, esse mecanismo de defesa pode falhar, o nome médico disso é evasão imune”, explica.

“Então toda vez que surge uma mutação, nossa preocupação é justamente que ele atinja essa capacidade de evasão imune, tornando nossas vacinas mais fracas”, completa, ressaltando a importância de ter boa parte da população vacinada para evitar que essas novas variantes venham a aparecer.