Lego Braille Bricks: projeto pretende contribuir na educação e inclusão de crianças com deficiência visual

As peças chegarão no Brasil em breve e nós conversamos com uma família que já teve contato com o material, para entender a importância e relevância da ideia

Resumo da Notícia

  • Lego Braille Bricks: projeto pretende contribuir na educação e inclusão de crianças com deficiência visual
  • As peças deverão chegar no Brasil em breve
  • Conversamos com uma família que já teve contato com as peças
  • Entenda mais sobre o projeto

“Eu gosto mesmo é de aprender brincando“, conta Maria Eduarda Marques Magalhães, de 10 anos, em entrevista à Pais&Filhos. A Duda, no entanto, é cega, e a mãe, Lilian Querino Marques, percebe a dificuldade de encontrar materiais para facilitar o aprendizado e torná-lo dessa forma que a garota descreveu: uma brincadeira. “A gente percebe que ainda faltava muita coisa. Uma criança com deficiência visual não tem muitas opções de brinquedos, então acaba ficando ali com as coisas delas, longe das outras”. Foi pensando na Duda e nas outras 140 mil crianças com deficiência visual que moram no Brasil atualmente, que a Lego, em parceria com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, criou o Lego Braille Bricks.

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Duda aprende brincando (Foto: divulgação)

O projeto começou a ser idealizado em 2016. Na época ele era focado no desenvolvimento de um recurso pedagógico lúdico e inclusivo de ensino. Eles queriam encontrar o que a Duda e a Lilian tanto sentiam que faltava no mercado. Foi aí que surgiu a ideia do Lego Braille Bricks, um projeto que teria um produto em si (as peças de Lego), mas também toda essa base educacional com o desenvolvimento da metodologia e formação para educadores.

Lego Braille Bricks: projeto pretende contribuir na educação e inclusão de crianças com deficiência visual (Foto: divulgação)

O conceito por trás do Lego Braille Bricks foi primeiramente proposto para a Lego Foundation em 2011 pela Associação Dinamarquesa, e novamente em 2017, pela Fundação Dorina Nowill para Cegos do Brasil. As associações da Dinamarca, Brasil, Reino Unido e Noruega, então, se uniram para formar os primeiros protótipos.

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A Duda estava presente quando as peças começaram a ser testadas. “Como ela já conhecia e sabia bem o braille, ela foi uma das crianças que brincou com o projeto no começo, pra ver se as peças estavam com a altura certa e tudo mais”. Para a garota, foi amor à primeira vista. “Eu achei muito bom, muito legal. Vai ajudar muito outras crianças que não sabem o alfabeto a aprender”, relembra.

Os kits do projeto deverão chegar no Brasil ainda este ano e a Fundação Dorina está acompanhando o transporte, que está em andamento. Por ser a única parceira no Brasil, a Fundação também é a responsável pela logística e distribuição do produto no país. A princípio, as peças não serão comercializadas. A ideia inicial é distribuir o produto gratuitamente para escolas ou organizações do país que contam com crianças cegas ou com baixa visão entre os alunos.

“O braille ainda é a única maneira de alfabetizar uma criança com deficiência visual e o Lego Braille Bricks é uma ferramenta inovadora, que colabora efetivamente para o aprendizado inclusivo, envolvendo não só as crianças cegas e com baixa visão, mas também os colegas videntes”, afirma Ika Fleury, presidente do Comitê Braille Bricks da Fundação Dorina.

Todos vão poder brincar junto (Foto: divulgação)

Inclusão. Além do ensino de forma lúdica e atrativa, esse é um dos grandes objetivos do projeto. Lilian já está percebendo esse efeito na prática. “Tenho uma filha vidente e as duas já brincaram juntas com as peças. Como eu falei, as crianças cegas costumam brincar no seu canto, porque os brinquedos muitas vezes não são os mesmos das videntes. Com essas peças, a criança cega vai estar brincando, a vidente vai se aproximar e, pela curiosidade e por conhecer mais ou menos as peças, vai começar a brincar junto”.

Lilian, que hoje também sabe um pouco de braille, considera que a novidade vai ajudar outras crianças a aprender. “A Duda aprendeu com pecinhas de EVA, eu inventei umas brincadeiras que fazia com ela, mas não era nada como isso. Agora vão ter muito mais peças e o barulho, a textura, é tudo diferente e traz um estímulo bem maior”, aponta.

A Duda não vê a hora das peças chegarem na escola onde ela estuda. “Eu gosto muito mais dessas peças de Lego que o normal, de EVA. Porque é aquilo né: criança tem que aprender, mas a gente tem que brincar também. E assim, a gente consegue aprender brincando, o que é muito mais legal”, finaliza a menina.

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