Mãe descobre retinoblastoma na filha de apenas 3 meses: “Meu coração sabia que tinha algo ali”

Daniela Moraes contou com exclusividade à Pais&Filhos sobre o câncer raro que descobriu na pequena Alice

Resumo da Notícia

  • Daniela Moraes contou como descobriu a retinoblastoma na filha Alice
  • Alice foi diagnosticada ainda bebê e passou por diversos tratamentos
  • A mãe contou com exclusividade à Pais&Filhos a trajetória da filha que hoje tem 5 anos

Daniela Moraes, mãe de Alice, de 5 anos, contou com exclusividade à Pais&Filhos como descobriu a retinoblastoma na filha com apenas 3 meses de idade. O retinoblastoma é um tipo de câncer raro que se desenvolve na retina, localizada na parte posterior do olho. As células da retina crescem e se multiplicam, podendo depois se espalhar para o cérebro e medula. A doença é mais comum em bebês e crianças pequenas.

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“Notei um brilho nos olhos da minha filha quando ela tinha 3 meses de idade. Levei na pediatra e ela disse que estava tudo bem. No dia seguinte, notei novamente o brilho. Parece que meu coração sabia que ali tinha algo, não sosseguei enquanto não sabia o que era aquilo. Marquei com um oftalmo e no mesmo dia em que liguei para agendar, tinha um horário, e ali veio a bomba. Um nome que nem sabia pronunciar direito, uma doença jamais conhecida por mim, familiares e amigos”, contou Daniela.

“É difícil explicar em palavras o que senti quando a médica confirmou o câncer. Cada palavra dita eram facadas em meu peito, uma dor na alma, eu queria pegar minha filhinha e sumir dali. Pensei que não poderia ser verdade, mas infelizmente era”, relatou a mãe sobre o momento que descobriu o diagnóstico da filha.

Alice foi diagnosticada com retinoblastoma
Alice foi diagnosticada com retinoblastoma (Foto: Arquivo Pessoal)

Daniela contou que os médicos cogitaram em remover os olhos da menina. “Senti desespero. Não conseguia aceitar jamais isso, desde o começo do tratamento eu me ajoelhava no chão e suplicava a Deus para minha filha ficar com os olhinhos que ele deu à ela. E que ela conseguisse enxergar as maravilhas que ele criou, pensava no infinito do mar, no céu azul, eu pedi muito isso por isso jamais aceitei essa hipótese dentro mim. Eu prometi à minha filha que eu iria até o fim do mundo se lá tivesse 1% de chance de deixar ela como Deus me mandou”.

A mãe explicou também como foi o tratamento da filha ao longo dos anos. “Tratamos a Alice dos 3 aos 6 meses no AC Camargo, fizemos quimioterapia sistêmica lá porque este era o procedimento a seguir, mas após esse tratamento não obtivemos bons resultados e ficamos sabendo que nos EUA havia uma técnica que estava sendo feita nas crianças como primeiro procedimento, era a quimioterapia intra-arterial, com muitas pesquisas, tivemos a informação que um médico aqui em SP na TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) estava começando a usar essa técnica, então mudamos de equipe e hospital e fomos atrás das chances que minha filha tinha de salvar a visão, o olho e claro, a vida”.

A mãe contou que os médicos cogitaram retirar os olhos da filha por causa do câncer raro
A mãe contou que os médicos cogitaram retirar os olhos da filha por causa do câncer raro (Foto: Arquivo Pessoal)

“Alice fez muitos tratamentos na TUCCA, e começou em em abril de 2014. Dos 7 meses até 1 ano e meio de idade dela, foram feitos feito, laser, crio, e a quimioterapia intra-arterial. Quando pensamos que tudo estava indo muito bem, após 8 meses, teve uma recidiva e precisou fazer mais 3 ciclos de intra-arterial, sendo a última em abril de 2017. As visitas de retorno eram constantes, no começo eram a cada mês, depois espaçando para 2 meses e agora estamos indo a cada 8 meses”.

Daniela contou que devido aos diversos tratamentos que a filha foi submetida, infelizmente o olho esquerdo dela foi o mais comprometido, e ela possui dificuldade em enxergar, e dependendo do ângulo que ela olha, o olho fica um pouco estrábico, porém o direito funciona 100%.

Alice fez tratamento no AC Camargo e na TUCCA
Alice fez tratamento no AC Camargo e na TUCCA (Foto: Arquivo Pessoal)

Ao ser questionada como Alice está hoje em dia, a mãe se emocionou ao responder e aproveitou para enviar um recado: “Curada, linda, inteligente, sensível e feliz, muito feliz. Dia 18 de Setembro é o dia mundial do Retinoblastoma, incrível que parece ser raro, mas quando você está em um hospital infantil com tratamentos de câncer você vê que não é tão raro assim, tem muitos casos e muitas pessoas ainda não sabem que doença é essa, o que poderia ser um estrabismo, um brilho, um reflexo nos olhos de seus filhos, com o diagnóstico precoce pode sim ter tratamento e cura. É muito importante que a população saiba que um simples estrabismo pode ser algo sério, e a mãe ganha a chance de ler mais sobre o assunto e a criança ter a chance de ser curada.”