Mãe é acusada de ter começado a pandemia do coronavírus no mundo e desabafa: “É como um pesadelo infinito”

O endereço residencial da família foi divulgado na internet e ela precisou apagar as redes sociais pela enorme quantidade de mensagens de ódio. Veja qual é a teoria que a liga com a doença e como se iniciou

Resumo da Notícia

  • Mãe é acusada de ser o motivo do início da pandemia de coronavírus
  • A teoria da conspiração viralizou na internet
  • A família teve o endereço residencial divulgado e vive hoje momentos de terror
  • Veja qual é a teoria e como ela se iniciou
Mãe é acusada de ter começado a pandemia de coronavírus (Foto: Getty Images)

Diversos cientistas estão trabalhando para encontrar a origem da pandemia que adoeceu o mundo. Até o momento, as teorias mais completas apontam que a doença teria se propagado através da ingestão de animais selvagens, como morcegos. Como o vírus é novo e ainda existem diversas possibilidades, algumas pessoas ao redor do mundo estão inventando possíveis teorias para o início da doença. Algumas, no entanto, tem prejudicado a saúde mental de alguns grupos e pessoas. Foi o que aconteceu com Maatje Benassi, vítima de uma teoria da conspiração sobre o início do coronavírus.

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Mãe de dois filhos, ela trabalha como reserva nas Forças Armadas dos EUA e tornou-se alvo de teóricos da conspiração que a culpam pelo início da pandemia. A teoria diz que ela havia levado o coronavírus para a China. Apesar da ideia parecer inacreditável, as falsas alegações estão se espalhando pelo YouTube diariamente, acumulando centenas de milhares de visualizações.

Apesar de nunca ter testado positivo para o coronavírus ou ter expressado sintomas, Benassi e seu marido agora são objetos de discussão nas mídias sociais chinesas sobre o surto. As condenações têm virado a vida da família de cabeça para baixo. O casal disse que o endereço residencial foi publicado na internet e que, antes de desativar as contas, as caixas de entrada nas redes sociais foram invadidas por mensagens dos fiéis da conspiração. “É como um pesadelo infinito”, disse Maatje Benassi à CNN Business em uma entrevista exclusiva.

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Quando a covid-19 se espalhou pelo mundo, junto com o vírus foram disseminadas informações falsas sobre a doença. Gigantes da tecnologia divulgaram as medidas que estão tomando para combater a desinformação do coronavírus, mas esses esforços falharam em ajudar os Benassi. O sofrimento da família destaca o potencial das redes sociais em ampliar a divulgação das informações falsas. Também serve como um lembrete poderoso de que as informações erradas online, por mais selvagens ou obviamente falsas que possam parecer, podem ter consequências reais e duradouras offline.

Apesar de trabalhar para o governo dos EUA, o casal está experimentando os mesmos sentimentos de desamparo que outros familiares sentiram ao serem alvos de assédio e desinformação. “Quero que todo mundo pare de me assediar, porque isso é cyberbullying e ficou fora de controle”, disse Maajte enquanto lutava contra as lágrimas.

Matt tentou retirar os vídeos  do YouTube e impedir a sua divulgação online. O casal disse que entrou em contato com um advogado, que lhes disse que havia pouco a ser feito, e com a polícia local, que falou o mesmo.

  • Origens da teoria

Antes de Maatje Benassi se tornar a principal protagonista dessa conspiração, variações circulavam online há meses. Nas primeiras semanas do coronavírus, os teóricos da conspiração começaram a alegar, sem evidências, que a doença era uma arma biológica dos EUA. Mais tarde, um membro do governo chinês promoveu publicamente a ideia de que os militares dos EUA trouxeram o vírus para a China. O secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, em resposta, disse que é “completamente ridículo e irresponsável” que alguém que fale em nome do governo chinês promova tal alegação.

Somente em março, meses após os primeiros casos confirmados de coronavírus na China, os teóricos da conspiração voltaram o foco para Maatje Benassi. A teoria infundada começou com a participação da mãe em outubro nos Jogos Mundiais Militares, essencialmente nas Olimpíadas militares, organizadas por Wuhan, a cidade chinesa onde o surto da covid-19 começou no ano passado. Maatje Benassi participou da competição de ciclismo de lá, sofrendo um acidente na última volta que a deixou com uma costela fraturada e uma concussão.

Apesar do acidente, Benassi ainda terminou a corrida, mas acabou sendo alvo de algo pior. Enquanto centenas de atletas das forças armadas dos EUA participaram dos jogos, Maatje Benassi foi retirada do grupo e recebeu um papel de destaque na teoria da conspiração.

Estima-se que a teoria de que Maatje tenha iniciado a pandemia seja de George Webb, um prolífico vendedor de desinformação americano de 59 anos. Durante anos, Webb transmite regularmente horas de críticas ao vivo no YouTube, onde acumula mais de 27 milhões de visualizações e quase 100.000 seguidores.

Webb afirmou que o DJ italiano Benny Benassi, cuja música de 2002 “Satisfaction” se tornou uma sensação mundial, tinha o coronavírus e que ele, junto com Maatje e Matt Benassi, faziam parte de uma trama de Benassi ligada ao vírus. Benny Benassi, no entanto, disse à CNN Business que não foi diagnosticado com o coronavírus. Como artistas de todo o mundo, ele cancelou seus shows por causa do distanciamento social e restrições de viagens. Em entrevista por telefone à CNN Business, Webb não ofereceu evidências que de fato provem a teoria divulgada.

Assista a reportagem completa da CNN abaixo:

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