Família

Mãe é proibida de entrar em banheiro feminino com filho de 7 anos e desabafa: “Puro preconceito”

O caso aconteceu em São Paulo, no Clube Balneário Cambuci

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Andrea Marrino se sentiu ofendida com a maneira que foi abordada pelo bombeiro do local (Foto: Arquivo pessoal)

No dia 3 de março, uma mãe foi proibida de entrar com o filho de 7 anos no vestiário feminino do Balneário do Cambuci, um centro de esportes da Prefeitura de São Paulo, localizado no centro da capital. Andrea Marrino, produtora de eventos e mãe de Arthur, se sentiu ofendida com a maneira que foi abordada pelo bombeiro do local. “Ele veio falando alto que eu não podia entrar com meu filho. Disse que ele deveria entrar na piscina pelo vestiário masculino”, lembra. Apesar do constrangimento, Andrea decidiu continuar o dia com o filho na piscina.

Na última terça-feira (26), a família retornou ao Balneário do Cambuci com o filho, que novamente foi impedido de entrar no vestiário feminino com a mãe. O bombeiro informou que, segundo as normas do local, somente os meninos de até 5 anos estão autorizados a entrar no banheiro feminino acompanhados das mães.

O funcionário também disse que poderia acompanhar o menino até o banheiro masculino, se a mãe desejasse. “Deixei claro que não entregaria o meu filho a ninguém e chamei a polícia. Quando o oficial chegou, o bombeiro disse que me deu a opção de entrar pela enfermaria, mas nunca me informaram sobre essa opção”.

Andrea com o filho (Foto: Arquivo Pessoal)

Em entrevista à Pais&Filhos, Andrea disse que ficou muito abalada com a vergonha que seu filho teve que passar. “Ele abaixou a cabeça e pediu pra irmos embora. Fiquei triste porque era para ser um passeio legal e acabou deixando o meu filho constrangido mais uma vez.” Por fim, desabafou: “Puro preconceito e ignorância de um adulto em achar que um menino de 7 anos vai olhar outra criança ou mulher com malícia. Eu tenho bom senso, jamais deixaria alguém passar por isso”.

A reportagem procurou a coordenação do clube para maiores informações. José Gonçalves, coordenador do Balneário do Cambuci, explicou que as regras do clube foram mudadas depois de muitas reclamações das mulheres que usavam o vestiário. “Elas diziam que não se sentiam confortáveis com os meninos lá dentro, por isso decidimos separar e deixar o banheiro da enfermaria separado para as famílias”.

José também disse que o clube nunca quis constranger Andrea e que, se tivesse uma oportunidade, gostaria de se retratar. “Nós ficamos entre a cruz e a espada, precisamos deixar bom pra todos. Não era nossa intenção deixar ninguém triste, inclusive, se ela quiser voltar e conversar sobre o que houve estarei disponível para recebê-la”.

O coordenador também concordou com Andrea em não deixar o filho ir com o bombeiro no vestiário “Ela está certa, eu faria o mesmo. Não podemos entregar as crianças na mão de qualquer um”.

O que diz a lei?

Infelizmente, não existe uma lei federal que obrigue os estabelecimentos com grande público a terem banheiros familiares. Entretanto, há leis federais e municipais a respeito.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma criança deve estar acompanhada dos pais em locais públicos até 12 anos de idade. Por isso, é importante que os estabelecimentos se adaptem: se não permitirem a companhia da mãe ou pai no banheiro comum, é preciso disponibilizar um banheiro família. Especialistas defendem que, dependendo da cidade ou estado, cabe ação judicial contra o estabelecimento.

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