Mãe faz desabafo sobre a quarentena longe dos filhos: “É tão quieto sem eles”

Helen Strachan é parteira e, no início da pandemia, precisou tomar uma decisão importante: trabalhar ou ficar em casa. Sabendo a importância do emprego para outras pessoas, ela decidiu continuar

Resumo da Notícia

  • Mãe conta como está sendo passar a quarentena longe dos filhos: "É tão quieto sem eles"
  • A parteira precisou ficar longe das crianças por estar na linha de frente
  • Veja o relato

A mãe solteira Helen Strachan, 35 anos, precisou tomar uma decisão extremamente complicada no início da pandemia. Por trabalhar como parteira, a mãe precisou escolher se iria continuar recebendo novos bebês ou se iria parar para ficar com a família durante esse período. Por entender a necessidade e importância da profissão e saber que não poderia largar em um momento como esse, ela decidiu continuar trabalhando.

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Ela precisou tomar uma decisão difícil (Foto: reprodução Mirror)

Essa decisão, no entanto, acarretou em uma consequência angustiante: passar pelo isolamento social longe dos filhos. Em um relado dado ao jornal Mirror, Helen contou um pouco da decisão e compartilhou como está sendo a nova rotina. Veja o que ela disse:

“Estou separada de meus filhos, Hannah, 12, e Louis, 9, desde o final de março, depois de tomar a agonizante decisão de que seria mais seguro para eles se ficassem com minha irmã enquanto continuo trabalhando em turnos de 13 horas, como parteira. Amo meu trabalho, sempre amei, mas me sinto particularmente orgulhosa de fazê-lo no momento. As mulheres grávidas ainda precisam ir ao hospital. Os bebês ainda precisam nascer.

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E agora, é ainda mais assustador para as mulheres, pois elas têm que vir sozinhas, sentindo-se amedrontadas, e seus parceiros só podem se juntar a elas quando estão em trabalho de parto estabelecido. Sempre fornecemos apoio, mas agora estamos fazendo isso em um nível diferente – também temos que ser seus parceiros de parto durante os estágios iniciais.

Infelizmente, algumas das mulheres contraíram o coronavírus e estar no hospital me coloca em risco, então, como mãe solteira de Hannah e Louis, percebi que tinha que tomar uma decisão muito difícil sobre a segurança da minha família quando o país entrou em confinamento .

Eu não queria colocar minha família em perigo indo para casa todos os dias com o risco de contaminá-los. E embora nem eu nem meus colegas termos nos infectado, eu sabia que tinha que fazer algo se continuasse trabalhando. E desistir não era uma opção para mim. Quero poder cuidar das mulheres que estão mal e com tanto medo”, contou.

Ela está trabalhando na linha de frente (Foto: reprodução Mirror)

Ela falou que, na verdade, foi a irmã, Rachael, quem sugeriu que Helen deixasse os filhos com ela durante esse momento.  “Perguntamos às crianças como se sentiam e elas ficaram entusiasmadas com a ideia porque sabiam que ficariam muito mimadas, então se mudaram para a casa da minha irmã no dia 31 de março, logo após o aniversário de ambos. Pareceu incrivelmente estranho no começo e era – e ainda é – tão quieto sem eles. O silêncio é algo a que nunca vou me acostumar. Eu sinto tanto a falta deles. Sinto falta de colocá-los na cama, de passar as noites juntos, de fazer o dever de casa com eles, de todas as coisas normais do dia a dia que você dá por garantidas.

Eu trabalho em turnos de 13 horas e tenho cerca de três dias de folga por semana (mas não consecutivamente). Eu me aproximo para vê-los. Levo 30 minutos para chegar lá e outros 30 para caminhar de volta, então faço isso como uma hora de exercício. Minha irmã tem um jardim de bom tamanho, então eu fico de um lado e eles do outro. Eu fico por cerca de meia hora e conversamos. Mas o mais difícil, de longe, é não conseguir chegar perto e abraçá-los. Felizmente, eles têm celulares e nós conversamos por chamadas de vídeos também.

Eles são tão resistentes. Eu me separei do pai de Louis no final do ano passado, o que foi muito difícil para eles. Eu o conheci dois anos depois que o pai de Hannah, Lance Corporal Kenneth Rowe, foi morto em 2008 no Afeganistão. Ela tinha apenas três meses de idade e, infelizmente, nunca conheceu o pai, porque nasceu duas semanas depois que ele foi para o Afeganistão. Ele deveria ter voltado para casa um dia antes de morrer, mas não havia cobertura, então ele permaneceu e foi morto por uma granada de foguete”, falou.

Para Helen, a força está vindo dos colegas, ou, como ela chama: família de trabalho. “Ninguém mais entende o que é estar trabalhando constantemente durante todo esse tempo e não ter absolutamente ninguém em casa quando você volta. Não vejo a hora de poder abraçar meus filhos de novo e acredito que isso acontecerá em breve”, finalizou.

Mãe conta como está sendo passar a quarentena longe dos filhos: “É tão quieto sem eles” (Foto: Mirror)

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