Mãe luta para sepultar corpo da filha que desapareceu há 9 anos: “Não sei explicar o que sinto”

A filha de Mônica Dias foi sequestrada em 2012, quando tinha apenas 18 anos. Desde então, ela luta por justiça pela estudante Roberta Dias, que ainda estava grávida na época do crime

Resumo da Notícia

  • Roberta Dias foi sequestrada em 2012 aos 18 anos, quando estava grávida e na universidade
  • A mãe, Mônica Dias, luta desde então para sepultar o corpo da filha
  • A investigação já foi concluída e o corpo da vítima já foi identificado, contudo, Mônica ainda não pôde velar a filha do jeito que pretende
  • O órgão responsável pelo caso também se pronunciou com relação a demora do sepultamento de Roberta

Uma mãe em Maceió está vivendo uma verdadeira angústia há 9 anos com a filha. Isso porque, durante todo esse tempo, Mônica Dias tenta velar o corpo de Roberta Dias – sequestrada em 2012, quando tinha 18 anos. À UOL, a mãe desabafou sobre a angústia de não poder sepultar o corpo da filha, mesmo com o fim das investigações: “Nunca deixei de lutar por ela, por justiça”.

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Na época do crime, a vítima estava grávida do namorado, e a investigação das autoridades concluiu que o sequestro foi arquitetado pela sogra de Roberta e por um amigo de seu namorado. A motivação teria sido o fato de Roberta ter se recusado a abortar a criança que esperava do companheiro.

O caso segue na 4ª Vara Criminal de Penedo, sem previsão de conclusão. O namorado de Roberta não foi indiciado, porém, os dois suspeitos foram indiciados por homicídio qualificado, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.

Sogra e amigo do namorado da vítima foram acusados (Foto: Shutterstock)

“Minha filha fazia [o curso de] meio ambiente no Ifal e o futuro dela foi cortado por uma gravidez. Como você vai tirar a vida de uma pessoa, culpando um ser inocente que não chegou nem a vir ao mundo?”, desabafou Mônica sobre a motivação do sequestro. Nove anos após o crime, a polícia encontrou um crânio na área de Piaçabu, município vizinho a Penebo, local onde moravam mãe e filha.

“Quando acharam esse crânio, lembro bem, era um domingo. Na segunda-feira cedo eu liguei para o IML [Instituto Médico Legal] e perguntei se o crânio era feminino ou masculino. A moça falou que era feminino, aí eu expliquei que eu tinha uma filha desaparecida com indicativo de estar naquela região. Fui lá na terça-feira e perguntei: vocês acharam mais ossos ou só o crânio? A moça falou que, quando [o IML] é acionado, só pega o que está em cima da terra, não tem direito de escavação”, relembrou Mônica.

A mãe de Roberta ainda conta que suspeitava que a filha havia sido enterrada ali – por causa de áudio encontrado na investigação, que revelava o local onde os acusados pretendiam enterrar o corpo. “Eu ia sempre à praia e ficava imaginando onde é que ela poderia estar enterrada. Passavam navios, eu ficava lá olhando”, comentou.

“A gente ia contratar uma retroescavadeira, mas a prefeitura cedeu uma. Na quarta-feira, a gente começou a escavar às 6h da manhã. Daí começaram a aparecer os ossinhos do braço. Quando eu vi a alça do sutiã — que eu reconheci —, eu cai em prantos”, declarou Mônica. “Eu sabia que ela estava morta, mas acho que não tinha caído a ficha. Uma coisa é você saber, outra é você ver. Mas depois respirei fundo e consegui até a última escavação ficar sem chorar porque eu sabia que eu ia dar um enterro digno à minha filha”.

Monica está na luta para ter acesso ao corpo da filha (Foto: Arquivo Pessoal/ Reprodução/ UOL)

Contudo – e desde então – Mônica vive uma verdadeira batalha para poder sepultar o corpo da filha. Mesmo com o inquérito dado em 2018, ela ainda não teve acesso ao corpo de Roberta e, por causa disso, não pode velar a morte da moça.

“Não sei nem explicar o que sinto. Uma coisa que eu digo é que isso é uma pressão psicológica muito grande. Meu psicológico não está mais aguentando. Estou tomando remédio de depressão porque a ansiedade está demais. Já aguentei nove anos de impunidade sem achar os mortais da minha filha porque vivo. Eu sabia que ela não estava viva. E quando eu consegui achar ainda ter que aguentar essa tortura. Eu espero que essa tortura seja de vitória”, desabafou.

A mãe luta para poder sepultar a filha (Foto: Getty Images)

Também à UOL, o MP-AL esclareceu o posicionamento da investigação da morte de Roberta. Segundo o órgão, a demora da liberação do corpo da vítima vem justamente da conclusão do inquérito – feito em 2018. Além disso, em agosto do ano passado 16 testemunhas foram convocadas pelo juiz para a investigação do caso.

Com a pandemia, eles também afirmam que algumas audiências tiveram de ser suspensas – pelo menos até a criação de audiências online. O processo está perto do fim: os acusados devem ser ouvidos em breve, e o juiz responsável deve dar o veredito após ouvidoria dos acusados e, mais uma vez, de suas respectivas defesas e acusações.