Mãe quase perde o filho bebê por engasgos durante amamentação: “A pior cena que já presenciei”

Em entrevista à Pais&Filhos, ela contou momentos de sufoco que passou com o garoto

Resumo da Notícia

  • Mãe quase perde o filho bebê por engasgos durante amamentação
  • Em entrevista à Pais&Filhos, ela contou momentos de sufoco que passou com o garoto
  • Os sustos começaram antes mesmo de ele nascer
  • Após altos e baixos, ela ressalta a importância da rede de apoio

Marina Lemos Leite, de 39 anos, é a prova viva da força de uma mãe e de que nunca se deve desistir! Desde quando descobriu a gravidez de Otto, que veio de forma inesperada, a vendedora de brinquedos naturais passou por diversos altos e baixos, com problemas de saúde durante e após a gravidez. Mas durante esse período, ela se provou mais forte que todas as dificuldades e se manteve perseverante, pelo bem do próprio filho!

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“Eu já era mãe de Noah, que hoje tem 11 anos e de Raul, que atualmente tem 6. Nós morávamos na Bahia, onde eu produzia brinquedos naturais e vendia na praia”, relembra ela, em entrevista à Pais&Filhos. A pandemia de covid-19, no entanto, veio com tudo e mudou as bases da família. Sem o turismo, as praias ficaram vazias e, então, eles decidiram voltar para Belo Horizonte, cidade natal de Marina.

Ela já tinha dois filhos e a gravidez veio de surpresa (Foto: arquivo pessoal)

Um dia depois de chegar na capital mineira, Marina começou se sentir tonta. Mas, como tomava anticoncepcional, não imaginou que poderia ser gravidez. Ela achou, na verdade, que fosse alguma coisa relacionada aos hormônios de tireoide, que toma desde os 26 anos. Por via das dúvidas, porém, ela decidiu fazer um teste de gravidez e, para surpresa de todos, o resultado foi positivo.

Mal sabia ela que tinha mais uma surpresa a esperando. “Eu estava sentindo uma dor no lado esquerdo na altura do ovário e pensei que pudesse estar com gravidez nas trompas, ou que a pedra que tenho nos rins poderia ter descido. Minha médica pediu um ultrassom abdominal e, por ele, deu para ver a intussuscepção”.

“Eu já fazia acompanhamento com uma proctologista, porque tive constipação nas gestações e síndrome do intestino irritável. Fiz ultrassom do bebê e estava tudo ótimo. A proctologista, então, me disse que eu não poderia fazer os exames necessários – colonoscopia e tomografia – porque era muito invasivos e eles só seriam feitos em caso de emergência. Ela me explicou que o que poderia acontecer era estourar meu intestino ou necrosar, o que precisaria de uma cirurgia de emergência e , caso isso acontecesse, eles teriam que salvar minha vida primeiro”, relembra a mãe. A notícia sem dúvidas foi difícil de ser processada. “Chorei rios. Passei a gravidez toda muito triste e com muito medo, por mim e pelo Otto”.

Devido à gravidez de alto risco, Marina foi acompanhada por perto pelos médicos do SUS, com consultas a cada 20 dias. Quando o momento do nascimento foi se aproximando, os médicos já se adiantaram e recomendaram uma cesárea, que foi aceita por Marina. O parto aconteceu como planejado, mas com o nascimento do bebê, veio outra surpresa.

Primeiros dias de vida

“Otto nasceu chorando, forte e bem. Então o levaram para a mesinha da pediatria e ele não voltava. Comecei a ficar aflita. Ele ficou roxo e a pediatra e meu marido me falaram que ele havia ficado cianótico, com dificuldade pra respirar , abdômen inchado, e baço e fígado aumentados. Ele também estava com o perímetro cefálico maior que o esperado para a idade dele. Nesse meio tempo, o colocaram no oxigênio e meu marido ficava tirando fotos dele para que eu pudesse vê-lo”, relembra ela.

E esse não seria o primeiro susto do dia. Logo em seguida, enquanto tentava, de longe, se atentar a tudo que faziam com seu filho, Mariana ouviu a enfermeira falar para a residente: “pode chamar uma outra obstetra pra entrar aqui porque temos uma colcha de retalhos pra remendar”. Por sorte, a família tinha conseguido marcar o parto para o dia em que a médica que acompanhou a gestação estivesse de plantão e logo ela apareceu para ver o que estava acontecendo.

Otto precisou ficar os primeiros dias de vida no hospital (Foto: arquivo pessoal)

Nesse meio tempo, a pressão da mãe caiu, chegando a 5×7. Os enfermeiros logo começaram com alguns procedimentos para fazer com que o número voltasse ao normal. “Ao fundo disso tudo, tocava uma playlist linda. As médicas, enfermeiras e meu marido me acalmavam. Eu acreditei que iria dar tudo certo. Foi muito importante o apoio do meu marido. Eu não sabia se me preocupava com Otto ou comigo”. Apesar do susto, deu tudo certo. As médicas conseguiram remendar o útero e ligar as trompas.

Otto foi atendido e encaminhado a uma UTI neonatal, para ficar em observação. “Como a cirurgia foi pesada, eu não conseguia me mover. Já que a UTI neonatal ficava em outra andar, eu não pude pegar meu filho, amamentar. Cheguei no quarto e as mães estavam com seus bebês e eu tendo notícias do Otto pelas enfermeiras e pelo meu marido”, relembra ela, ressaltando a importância da mãe dela durante esse momento também, que cumpriu o papel de porto seguro.

No dia seguinte, Marina foi liberada pra ver o filho e conseguiu amamentar, sentindo um alívio único! Mas logo ouviu que as médicas estavam suspeitando que o bebê estava com citomegalovírus e, por isso, ele precisaria ficar no hospital por mais 5 dias, para ser avaliado por um oftalmologista. Depois de um tempo de angústia aguardando pela resposta do médico, o resultado veio para alegrar a família: estava tudo bem com Otto e ele poderia voltar para a casa para ficar com os irmãos!

Um susto em casa

Com os filhos em casa, Mariana precisou passar por mais um susto! Enquanto estava amamentando, Otto acabou se engasgando. “Ele soltou um jato de vômito com sangue, meu marido o pegou no colo e ele logo ficou roxo, com os olhos parados e sem respirar. Meus outros dois filhos estavam em casa, vendo tudo, desorientados. Foi a pior cena que eu já presenciei”, conta. A família, então, rapidamente ligou para a emergência, que passou para os pais o que fazer até que eles chegassem, para salvar o bebê.

Com o nervosismo da situação, Marina não conseguiu fazer muito para ajudar o filho, pelo choque. Por sorte, o marido estava por perto e fez todas as manobras, conforme orientado pelos profissionais, e conseguiu salvar o filho. Quando eles chegaram, Otto já estava bem e logo concluíram que o sangue era, na verdade, dos mamilos da mãe.

No dia seguinte, no entanto, o mesmo aconteceu enquanto ela amamentava. Como o marido não estava em casa, ela mesma precisou manter a calma para desobstruir as vias do filho. A família, então, decidiu investigar o que estava acontecendo e fazer um acompanhamento médico, descobrindo que os engasgos estavam mais relacionados a forma e quantidade que ele sugava do que algum problema de saúde.

Com toda a situação, Marina acabou ficando com medo de amamentar o filho e precisou passar por um preparo para conseguir voltar a dar o leite normalmente. “Comecei a colocar no peito aos poucos , com muito medo , sempre no silêncio , pra observar cada golada”, conta ela, acrescentando que nunca amamentava sozinha, era sempre na companhia da vizinha, mãe ou marido. “Me sentia impotente diante do trauma, me sentia incapaz de conseguir amamentar meu terceiro filho, sendo que tirei de letra nos dois primeiros. Estava ali, mãe de terceira viagem, com medo de ficar sozinha com o filho”.

Rede de apoio

Aos poucos, os engasgos foram diminuindo e Marina foi aprendendo a lidar melhor com eles. Assim, começou a amamentar com mais tranquilidade. Hoje, ela e o filho estão bem, mas a mãe ressalta a importância da rede de apoio para conseguir passar por tantas adversidades.

Hoje, Otto está bem e em casa (Foto: arquivo pessoal)

Durante o processo de perder os traumas com a amamentação, ela contou com o apoio de um Banco de Leite. “Eles foram maravilhosos, me dando todo o suporte, ensinando a pega correta, ordenha e desobstrução das mamas”, conta, agradecida.

A família e amigos também foram essenciais nessa trajetória. “A rede de apoio é de extrema importância, para ajudar tanto em casa quanto psicologicamente. Porque as pessoas costumam se preocupar só com o bebê e esquecem que a mãe, com a chegada de um filho, passa por altos e baixos. A mãe do bebê também precisa de colo”, completa, ressaltando a importância de ter sempre alguém para contar.