Família

Mãe relata como é criar a filha fora do Brasil: “Nem tudo são flores”

Alessandra Cailey foi mãe aos 40 anos e conta que fez da maternidade sua maior realização, integrando Alicia em todos os aspectos de sua vida

Jennifer Detlinger

Jennifer Detlinger ,Filha de Lucila e Paulo

(Foto: Arquivo pessoal)

(Foto: Arquivo pessoal)

A Alessandra Cayley participou do projeto Lá em Casa é Assim”, parceria da Pais&Filhos com a Natura Mamãe e Bebê e contou como é criar a filha morando em outro país. Em vez de esquecer de seus sonhos, ela fez da maternidade sua maior realização, integrando a pequena Alicia em todos os aspectos de sua vida. Vem conhecer essa linda família:

“Eu nunca quis ter filhos. Meu sonho de vida era me formar em jornalismo e sair pelo mundo sozinha, cobrindo guerras, quedas de muros, levante de pessoas. Mas a coisa não saiu muito bem assim.

Em 2003, viajei para o Canadá e conheci o Derrick, um canadense que não me deixaria mais voltar para o Brasil. Nos casamos, adotamos dois gatos como nossos filhos peludos e essa foi a nossa feliz família por longos dez anos. Até que a nuvem da falta de um filho de verdade (sem muito pelo!), começou a pairar sob o relacionamento. Até então, achava que meu marido também não queria ter filhos, mas descobri que ele queria mais do que demonstrava.

Em 2013, dois dias depois do Natal de um inverno rigoroso em Toronto, a Alicia nasceu e, com ela, toda uma nova dinâmica de vida, para todos da família, incluindo os gatos. Antes, dormíamos em três na nossa cama: eu, meu marido e o Tony, o gato macho. Agora, éramos quatro. Fizemos questão de incluí-los na nova rotina da casa, como membros importantes da família que sempre foram. A adaptação foi fantástica, todos ficavam admirados de ver a Vicky, nossa gatinha, dormindo do lado do berço da Alicia, como que a protegendo.

Fui mãe aos 40 anos e com 15 de Canadá. Achava que já havia resolvido muitas questões dentro de mim e que conhecia esse país, ao menos Toronto, como a palma da mão. Que bobagem. Com a chegada da Alicia, parece que eu aterrissei num outro mundo, outro planeta, sob a pele de um ser completamente diferente. Adeus sair a qualquer hora, assistir TV até tarde e dormir o dia todo depois, varar a noite trabalhando, salto alto e figurino impecável. Hello, amamentação, fraldas, vacinas, pediatras, explosões de cocô, pijama e chinelão.

Sempre achei que meu marido daria um grande pai, mas que eu não tinha vocação alguma para ser mãe. Meu marido realmente se mostrou um excelente pai, mas a Alicia me ensinou a ser mãe; me ajudou a desenterrar facetas da minha personalidade que eu nem sabia que existiam. Todos os dias aprendo com ela, todos os dias me melhoro, principalmente naqueles não tão dignos de virar post pro Insta!

A Alicia é doce, esperta e perspicaz. Desde cedo, a criamos para ter opinião e peso nas decisões da família. Com quatro aninhos, ela já ajuda na lista de compras do mercado, dá comida para os gatos e sai com a roupa que quiser. Contanto que seja apropriada para a estação, eu tento não me impor, mesmo quando a combinação sai de gosto duvidoso!

Nem tudo são flores, principalmente quando se vive num país que não é o seu, sozinha, numa língua e cultura que não são as suas. Vivemos de acordo com as regras e costumes do Canadá, mas ainda sou brasileira e quero passar essa herança para a Alicia. Com ela, só falo em português, mesmo que ela responda tudo em inglês. Canto músicas brasileiras, leio em português, conto pra ela coisas da minha terra. Ao menos, a bandeira do Brasil ela já reconhece!

Quanto ao sonho de desbravar o mundo, ele ainda mora dentro de mim, assim como a jornalista cheia de curiosidade e sede de reportar, mas não quero mais ir sozinha, nem cobrir guerras, quedas de muros, levante de pessoas. Quero correr esse mundão todo com a minha filha, fazer o que já fiz, ir a lugares que nunca fui, vê-lo com seus olhos, porque ele fica tão mais bonito visto deste ângulo.”

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