Família

Mãe resolve mudar de vida e vai para Singapura com a família

Ela teve que reconstruir toda a rotina do zero

Nathália Martins

Nathália Martins ,Filha de Sueli e Josias

(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

A gente sempre diz que não existe o jeito certo na forma de educar o seu filho, mas, sim, o seu. Dessa vez, separamos a história de Rebecca Barreto, mãe de Maria e João e nossa colunista do site, que decidiu preparar as malas e partir com a família para Singapura, na Ásia. Um lugar de costumes bem diferentes daqueles que estamos habituados aqui no Brasil. Leia o texto na íntegra:

“Nossa rotina aqui segue os mesmos “tempos e movimentos” de qualquer família com crianças na escola. Mas, para o padrão de Singapura, nosso dia a dia e as escolas são bem diferentes da rotina das famílias locais — com filhos que, ao saírem da escola às 13h, seguem para aulas de reforços em tudo quanto é matéria, até às 21h.

Aqui em casa, nosso café da manhã vai das 7h30 às 8h10. Minha filha maior sai de ônibus e às 8h30 o menor vai para o jardim de infância que fica a 80m de casa. Depois, meu marido pega o patinete elétrico e vai para o trabalho, que fica a 4km daqui. É nessa hora que organizo a rotina do dia. Aqui neste país, temos o privilégio de poder contar com uma helper filipina (a tradicional babá) em casa.

É só depois desses momentos matinais que separo um tempo para mim. Vou para a yoga, ou para natação, ou somente caminhar pelos bairros ultraverdes da cidade. Tem dias que pego dois ou três capítulos de livros e leio na varanda ou em algum banco no meio do verde. Lá pelas 11h30, eu volto e me preparo para as tardes de trabalho em um co-working ou atendimentos na clínica que comecei a fazer parte aqui.

Os almoços das crianças são nas escolas, então a culpa que recai sobre uma mãe expatriada em trabalhar fora é menor. As crianças começam a voltar para casa a partir das 14h30 e alguns dias, eu retorno às 18h30. O maior trânsito que já peguei na cidade, para voltar de DownTown ou ChinaTown ao meu bairro, foi de 15 minutos. Não importa a hora, é certeza que vou encontrar meus pequenos no playground em frente ao meu prédio, ao ar livre, debaixo de muitas árvores cheias de esquilos e pássaros.

Moro num bairro chamado Tanglin, bem perto do Dempsey Hill, então não somos rodeados de prédios de 40 andares envidraçados como os bairros mais chiques de Singapura. A nossa noite é dividida entre o jantar dos pequenos, lição, banho e sono. Aquela organização fundamental!

Vivendo com esse tipo de rotina, nosso café da manhã se tornou a refeição mais importante em família. É a única em que temos todos ao nosso redor. Tento fazê-la o mais colorida e festiva possível. O assunto da conversa em família, por exemplo, já foi o possível acordo de paz entre Coreia do Norte e Estados Unidos, papo que veio com uma explicação infantilizada sobre a 1ª e a 2º Guerra Mundial.

Quando saímos cedo e passamos pelos apartamentos de todos os vizinhos, conseguimos ver na casa de famílias indianas os 6 pratos de comida fresca, com muito temperos e cores, sendo preparados pelas helpers do Sri Lanka
suando ao amassar chapatis ou massas de naan, um tipo de pão, para jogar nas chamas do fogão. Seguindo um pouco, passamos pela casa de chineses, onde dá para ver uma família sentada à mesa, com um bowl de noodles cheios de vegetais e caldo sendo dividido entre eles. Ou ainda, sentir aquele cheiro de bacon e ovos vindo das casas de ingleses e americanos que moram em nosso prédio. São estas manhãs multiétnicas que me fazem lembrar de quão pequeno é o mundo em que vivemos”.

(Foto: Arquivo Pessoal)

(Foto: Arquivo Pessoal)

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