Mãe salva vida da filha com câncer após tirar foto da menina

Victoria contou que a criança estava indo bem nas aulas e nunca tinha reclamado da visão. Após uma constatação da sobrinha, no entanto, a mulher pôde perceber que a menina estava com um tumor na retina

Resumo da Notícia

  • Mãe tira foto de filha que prova que ela está com câncer
  • Ela percebeu o detalhe devido a uma observação feita pela sobrinha
  • A garota tinha um tumor na retina
  • Leia o relato completo

Uma mãe de dois filhos de Los Angeles, Estados Unidos, estava percebendo alguns comportamentos estranhos em uma das filhas e decidiu fazer um teste para ver se a garota estava enxergando como deveria e rapidamente ficou claro que ela estava lutando para enxergar. Sem entrar em pânico, a mãe a levou às pressas para o pronto-socorro, onde testes confirmaram o que ela tanto temia: a filha, Nancy, tinha retinoblastoma, um tipo de câncer da retina.

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Relato de mãe: “A foto que tirei da minha filha mostrou que ela tinha câncer e a salvou” (Foto: reprodução The Sun)

Apenas 17 dias depois, no dia 27 de dezembro do ano passado, a garota fez uma operação para remover o olho esquerdo e evitar que o câncer se propagasse. Em uma entrevista recente ao portal The Sun, a mãe, Victoria contou um pouco sobre a luta e a descoberta da doença. “Ter tirado aquela foto rápida com meu telefone e ser capaz de mostrar aos médicos exatamente o que eu tinha visto provavelmente salvou a vida dela”, relembrou.

Victoria, que tem outra filha de 3 anos, com o parceiro Sonny Smith, disse que não notou nenhum problema com a visão de Nancy e que ela estava progredindo bem com a alfabetização na escola. Foi então que, no início de dezembro do último ano, a sobrinha disse que percebia que, algumas vezes, Nancy ficava vesga. “Não achamos que fosse nada sério, mas logo depois, eu estava escovando o cabelo dela na banheira e eu mesma percebi. Vez ou outra os olhos dela se voltavam para o nariz”, disse ela.

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“Depois que ela saiu do banho, peguei meu telefone para tirar uma foto e tentar confirmar o que estava vendo, porque nem sempre estava lá”.  Mas olhando para a foto segundos depois de tirá-la, Victoria ficou chocada. “Lembrei-me de ter lido algo nas redes sociais que dizia que tirar uma foto com um flash e procurar um brilho sobre os olhos pode mostrar câncer. Havia um brilho intenso sobre sua pupila esquerda, e eu imediatamente entrei em pânico”, relembrou.

A garota foi rapidamente para o hospital (Foto: Getty Images)

Tentando parecer calma para que Nancy não ficasse chateada, Victoria rapidamente tentou descobrir se a garota conseguia ver direito. “Eu cobri seu olho ruim e pedi a ela para identificar alguns objetos domésticos como um sapato e um lápis vermelho, então cobri seu olho normal e perguntei o mesmo e ela balançou a cabeça e disse ‘Mamãe, não consigo ver'”. Na ocasião, Victoria estava sozinha em casa, uma vez que o parceiro trabalha durante as noites. Sem pensar duas vezes, ela colocou a filha no carro e foi direto para o Hospital Universitário Basildon.

Como era uma noite de sexta-feira antes do Natal, haviam poucas enfermeiras trabalhando e elas precisaram esperar algumas horas antes de Victoria bater na porta de uma enfermeira e dizer ‘Você pode me ajudar? Acho que minha filha está com câncer. “Mostrei a fotografia a ela e ela ficou perplexa. Ela chamou o médico, que disse que embora eles não fossem especialistas, eles acreditavam que ela tinha câncer no olho”.

“Foi um borrão, lembro-me de sair para encontrar meu parceiro e desmaiei em soluços de lágrimas. Eu disse a Sonny e ele desabou. Mas nós nos levantamos e voltamos para dentro, sabendo que tínhamos que ser fortes por ela”.

No dia seguinte, o casal levou Nancy ao departamento de oftalmologia do Southend University Hospital para exames oftalmológicos e um ultrassom. “Em algumas horas, eles disseram que ela tinha um grande tumor na parte de trás do olho, que havia causado alguns danos à retina”.

O médico disse que se parecia com retinoblastoma – um tipo de câncer ocular que afeta cerca de uma criança por semana no Reino Unido, geralmente com menos de seis anos. “Eu perguntei há quanto tempo ela estava sem enxergar, mas eles não conseguiram me dizer. Eles disseram que isso não havia acontecido rapidamente, mas sim, que a visão dela estava se deteriorando ao longo do tempo, conforme o tumor crescia. Nunca saberemos quanto tempo esteve lá e em que ponto ela começou a perder a visão. Essa é a pior parte, porque você pensa: ‘Será que não prestei atenção o suficiente?’ Mas ela estava bem, estava indo bem na escola e correndo como uma criança normal de quatro anos”.

Oito dias depois, Nancy passou por uma operação de 45 minutos no centro especializado em retinoblastoma do The Royal London Hospital para remover o tumor. “Nancy estava tão sorridente o tempo todo, que ela mesma colocou a máscara para o anestésico. Eu esperava que ela ficasse um pouco assustada e insegura do que estava acontecendo, mas ela caminhou alegremente até o quarto com um grande sorriso no rosto”.

Uma biópsia confirmou o diagnóstico de retinoblastoma e a família teve a opção de remover o olho de Nancy ou usar alguns tipos de quimioterapia para tentar tirar os remanescentes dele.

‘Escolha fácil’

A mãe percebeu o detalhe na foto (Foto: reprodução The Sun)

“Ela poderia ter mantido o olho, mas teria sido por razões puramente estéticas, já que ela nunca recuperaria a visão, então decidimos prosseguir com a remoção”, lembrou Victoria. “Foi uma escolha fácil, afinal, por que deixar um olho com um tumor nela, aumentando as chances do câncer voltar ou se espalhar pelo cérebro, trazendo problemas mais sérios?  Havia uma chance, se não o fizéssemos, de ela precisar removê-lo no futuro, e a ideia de ter que fazer isso quando adolescente, quando seria muito mais traumático para ela”.

Com essa decisão tomada e a operação marcada para 27 de dezembro, a família planejou um grande Natal. “Esperamos para contar para ela, porque queríamos que ela aproveitasse o Natal. Não tinha necessidade de ela saber naquele momento”, disse.

Tempos depois, porém, chegou o momento de contar a verdade. Usando um dinossauro de brinquedo, cujo olho poderia ser retirado, os pais explicaram o que aconteceria com a garota. “Usamos o brinquedo para mostrar a ela como seu olho seria removido e que eles iriam colocar outro e colocar um curativo no olho dela”, explicou ela. A mãe contou que Nancy aceitou bem, o que não tornou a situação mais fácil para os pais. “Ela não entendia a gravidade de tudo isso”.

Segundo a mãe, a cirurgia ocorreu bem e a equipe de médicos foi muito atenciosa, contando e explicando os passos do procedimento de forma lúdica para a garota. Os colegas da escola também a receberam bem, assim como os professores. “Todos eles foram muito gentis”, relemrbou.

Caminho para a recuperação

Nancy, que fez cinco anos em 24 de junho, agora faz exames a cada três meses. Após atrasos causados ​​pela pandemia de Covid-19, ela deverá receber um olho artificial permanente na próxima semana, que não deve precisar ser substituído. “Estamos tão felizes com os olhos que ela tem agora. Você não fala que eles são falsos a não ser que esteja muito perto dela, olhando diretamente para eles. Aí percebe que um não foca muito bem”.

A mãe também contou que a menina já se acostumou com a nova realidade “Ela está completamente normal com isso. Ela também adora fazer piadinhas. Seu pai pediu a ela para pegar algo no quarto e ela voltou e disse: ‘Não consigo ver, você deveria pedir a alguém com dois olhos!’ Queremos que ela seja capaz de fazer uma piada sobre isso, de modo que, à medida que envelhecer e receber comentários, ela saberá como lidar com isso. Ela está construindo sua resiliência”

Hoje, Victoria dá palestras para orientar outros pais sobre a importância de se atentar aos detalhes dos filhos e fazer consultas médicas com uma certa frequência. Ela contou que não poderia ser mais grata à sobrinha, que fez com que ela reparasse no detalhe a primeira vez.  “Um diagnóstico precoce pode ajudar a salvar a visão, os olhos e a vida de uma criança“, finalizou.

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