Família

Mãe solo ganha bolsa de intercâmbio e faz “vakinha” para levar a filha de dois anos junto

Jaqueline é estudante de Administração Pública na Universidade Federal Fluminense

Giovanna de Boer

Giovanna de Boer ,filha de Karen e Christiano

Jaqueline voltou a estudar quando a filha tinha 5 meses (Foto: Juliana Camargo / cedido à Pais&Filhos)

Desde de que tinha 5 meses de idade, Ana Luísa acompanha a mãe, Jaqueline Mendes, de 32 anos, nas aulas de Administração Pública na Universidade Federal Fluminense (UFF). A menina hoje está quase com três anos, e a mãe se encontra em um impasse depois de ganhar uma bolsa para estudar na Espanha. Segundo a mãe, deixa a criança para trás nunca foi uma opção. “Sem minha filha  não faz sentido”.

Mendes disse que as passagens, o seguro de vida, alimentação e moradia custariam em média 20 mil reais de custos adicionais que ela teria que pagar, que a bolsa não cobre. E para conseguir realizar o sonho do intercâmbio, ela fez uma “vakinha” para tentar arrecadar 10 mil reais e conseguir ir atrás do sonho da bolsa de estudos e levar a filha junto. Jaqueline já vendeu bolo, tortas, pipoca e já fez bazar e conta que conseguiu arrecadar um bom dinheiro, mas ainda falta.

A mãe diz que alguns professores e alunos se incomodavam com a presença da criança nas salas de aula e por isso já foi expulsa de algumas aulas. Jaqueline confessa que pode até soar doideira estudar em outro país com a filha tão pequena. ” Sei que parece loucura levar uma criança para um intercâmbio, porém, ao meu ver, loucura maior seria abrir mão disso e um dia me sentir frustrada por não ter lutado por isso. É por ela que estou lutando e é por ela que não vou desistir”.

A história das duas teve altos e baixos. “Aprendi a lidar com tudo isso, no começo era muito difícil”, disse ela. A mãe disse que pensou em desistir várias vezes, por conta da rotina exaustiva de mãe e estudante. Jaqueline conta que “precisava pegar dois ônibus pra chegar à aula, era bem difícil ir com mochila, criança, carrinho… já chegava exausta” e ainda completou “Minha atenção nunca foi completa pro professor, as vezes a aula estava no auge e eu precisava sair da sala para trocar a falda”

A mãe conta que ao longo do tempo na universidade os professores e os alunos foram se acostumando com a ideia de compartilhar a sala de aula com uma criança. “Eles foram se tornando meus amigos e me ajudando de verdade, até a cuidar dela”, contou Jaqueline. “Ela foi crescendo pelas salas de aula, corredores e departamentos da UFF. Muitas vezes perdi prova porque ela ficou doente, muitas vezes não entendi a matéria direito porque ela chorava, mas nada disso me fez desistir, porque sei exatamente onde preciso e quero chegar”. A adaptação foi tão boa que hoje Ana acompanha a mãe até nos congressos e palestras.

Quando conseguir o dinheiro para viajar, Jaqueline e Aninha vão para a Universidade de Coruña, para estudar Ciências Políticas. O processo seletivo começou em junho de 2018 e desde então, a mãe vem lutando para conseguir o dinheiro. Conciliando a jornada dupla, Jaqueline conseguiu ser uma das 13, a entrar pela UFF, entre 775 vagas concorrentes pelo brasil todo, para a Bolsa Ibero-Americana Santander 2018. Sendo a única de Volta Redonda. Impressionante, né?

Para ajudar é só doar nesse link: Vakinha

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