Mãe tira filho do hospital escondido em sacola após ter engravidado mesmo com laqueadura

Ela já tinha passado pela cirurgia para não ter mais filhos, mas fez parte do pequeno grupo de pessoas que consegue engravidar mesmo depois do procedimento

Resumo da Notícia

  • Mãe tira filho do hospital escondido em sacola após ter engravidado mesmo com laqueadura
  • Ela já tinha passado pela cirurgia para não ter mais filhos, mas fez parte do pequeno grupo de pessoas que consegue engravidar mesmo depois do procedimento
  • O bebê nasceu precisando de uma cirurgia que não foi feita em um hospital
  • Ela, então, decidiu pegá-lo escondido e transferir para outro hospital

Tatiane Valentim já tinha 6 filhas quando descobriu que estava grávida novamente. A mãe tinha passado por um processo de laqueadura após o último parto e se enquadrou na pequena chance de engravidar, apesar da cirurgia. Descobrir a 7° gravidez certamente foi um susto para ela. Em entrevista à Pais&Filhos, ela contou um pouco sobre a história e relembrou do dia em que acabou precisando fugir do hospital com o próprio filho.

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Tatiane Valentim descobriu a primeira gravidez em 2008, cerca de 5 meses depois de conhecer o marido, David, em uma rede social. A gravidez não foi planejada e foi um susto para o casal, que estava no início da relação. Apesar do susto, a gestação ocorreu conforme se esperava e logo Yasmin nasceu. Sete meses após o nascimento da menina, mais uma surpresa veio: Tatiane estava grávida novamente!

Assim que a segunda filha do casal, Harumi, nasceu, a mãe descobriu que oito meses depois estava esperando por um terceiro bebê. “Aos 20 anos, já tinha três filhos. Ainda pagávamos aluguel, mas nunca nos faltou nada. Nessa época, meu marido trabalhava como porteiro e eu ficava em casa cuidando das meninas”, relembrou ela, em uma entrevista dada à Marie Claire.

Mãe tira filho do hospital escondido em sacola após ter engravidado mesmo com laqueadura (Foto: reprodução Instagram)

David sempre sonhou em ter um menino e, depois de 3 anos, o casal decidiu tentar mais uma vez, mas foram surpreendidos por mais uma menina: Akemy. Ao terminar a faculdade em 2016, David deixou o emprego de porteiro e a situação financeira da família começou a melhorar. “No ano seguinte, a tabelinha falhou e engravidei novamente. Quase caí para trás quando soube que eram gêmeos, mas em pouco tempo abracei a ideia. Na 14ª, no entanto, um dos bebês parou de se desenvolver e prejudicou a saúde do outro. Assim, na 23ª semana de gestação, fui hospitalizada com a bolsa amniótica rompida e, depois de três internações, meu bebê nasceu morto. Só no dia do parto descobri que estava esperando um menino. Lindo, perfeito. Foi um baque para a família toda”, desabafou Tatiana.

Depois do trauma, Tatiana pensou que não engravidaria novamente, mas depois de 7 meses, descobriu que estava grávida de novo. O medo foi grande, mas tudo ocorreu como planejado, logo Sayemi Yris chegou à família. Em junho do ano passado, quando Sayemi estava com sete meses de vida, Tatiana engravidou acidentalmente mais uma vez, e estava esperando por outra menina! “Meu marido ficou apavorado. Sorte que ele havia sido promovido, e nossa situação estava um pouco mais tranquila. A gravidez foi difícil e, para completar, tive uma eclâmpsia na hora do parto. Por causa disso, tive que fazer uma cesariana de emergência e, em seguida, uma laqueadura cauterizada. Sabia que não poderia ter o menino que tanto queríamos, mas nos sentíamos completos com nossas seis garotinhas”.

Gravidez após laqueadura

O que ela não esperava era que iria engravidar mais uma vez, apesar da laqueadura. No começo de julho de 2020, Tatiane começou a se sentir mal e chegou a pensar que estava com covid-19. Depois de passar com um médico, porém, descobriu que na verdade estava à espera de mais um bebê. À Pais&Filhos, ela contou qual foi a reação ao descobrir que estava grávida novamente. “Minha primeira reação foi chorar. Chorei muito, com medo, porque tinha vindo de um parto complicado e por esse motivo fizemos a laqueadura. Depois do susto, o amor começou a nascer e logo eu já estava animada com um novo ser dentro de mim”, conta.

Tatiane sabia que existia uma chance de engravidar após a laqueadura, mais precisamente, de apenas 2%, conforme periódicos especializados, mas não imaginaria que isso aconteceria com ela. As pessoas ao seu redor também ficaram impressionadas. “Meu marido levou um susto”, relembra ela, falando sobre os riscos devido à gestação anterior. As filhas, porém, ficaram super felizes. “Minhas filhas amaram. Elas sempre falavam que era um menino. Elas queriam muito”, relembrou. Os amigos próximos logo começaram a torcer para ser mais um menino. Os parentes, no entanto, não tiveram uma boa reação com a notícia.

Ela engravidou mesmo após a laqueadura (Foto: reprodução Instagram)

Depois de descobrir a novidade, logo vieram a série de exames. Tatiane descobriu que estava à espera de gêmeos, mas um não havia resistido. Ao ouvir isso, logo pensou que estaria revivendo a mesma história mais uma vez. “Quando descobri que eram 2 eu imaginei que um não iria desenvolver, devido ao tamanho dos sacos gestacionais.
Mas eu sentia que ia dar certo minha fé foi inabalável sempre, afinal engravidar assim era planos de Deus”, contou.

Nascimento do 6° filho

Airon David veio ao mundo em janeiro de 2021 aos sete meses de gestação, com apenas 1,880 quilos e 38 centímetros. “Airon nasceu com o coração parado, foi reanimado e imediatamente encaminhado para a UTI neonatal. Meu filho teve muitas intercorrências por conta do seu nascimento prematuro, incluindo um AVC isquêmico com consequência hemorrágica, sepse, icterícia, pneumonia e hidrocefalia. Foram dez dias intubado e mais 17 dias na UTI até ele ir para o berçário, onde ficou por mais 36. Fiquei com meu filhos todos os dias, não saí de perto dele nem por um minuto. Minhas outras seis filhas estavam em casa sendo cuidadas pelo pai”, relembrou, à Marie Claire.

“Meu bebê precisava urgente da cirurgia de derivação ventrículo-peritoneal (DVP). Ele se consultou com um neurologista, mas ainda tinha que esperar completar três quilos para fazer o procedimento. A pediatra dele não quis dar alta e me disse que era perigoso para o bebê, pois era preciso ser monitorado. Eu entendi, mas não concordei de início.Os dias foram passando, ele seguia internado e ganhando peso, mas sua cabecinha começou a crescer muito rápido. Quando ele atingiu dois quilos e meio e já aguardava a cirurgia, já havia se passado 20 dias e nada da vaga surgir. Fui ficando agoniada, pois sabia que ele tinha que ser operado logo. Nesse meio tempo, o estado de saúde do Airon piorou muito e ele ficou todo molinho, não estava mais acordando, nem mamando direito. Toda hora eu pedia para a médica transferir meu menino ou dar alta para eu levá-lo para um outro hospital onde tivesse um neurocirurgião. E nada. Ela se recusava dizendo que não ia correr o risco e eu não podia tirar meu bebê de lá”, continou.

Cansada dessa situação, Tatiane decidiu dar um jeito ela mesma e resolveu “fugir” do hospital com o filho, para buscar por outro lugar que o desse o atendimento correto. E, disposta a salvar a vida do garoto, ela bolou um plano para que ninguém percebesse. “Enrolei ele em um pacotinho, que nem newborn e coloquei ele em pé na sacola e sai. Desci 3 lances de escada, passei por enfermeiros, câmera de segurança, e saí do hospital. Ninguém viu porque parecia que eu estava levando roupa para ele. Airon era pequeno e não chorou”, conta, em entrevista à Pais&Filhos.

O marido logo ficou preocupado com a atitude dela. “Meu marido falou: ‘amor você é muito louca e se você for presa’. Eu não me importei. Se fosse pra ser presa por salvar o meu filho, eu seria. Todo mundo me criticou”, relembra.

Tatiane, então, levou o filho para outro hospital. “Quando eu cheguei lá eu não menti. Eu falei pro chefe da pediatria o que eu fiz. Ele viu o meu desespero. Eu já o conhecia, pois ele tinha cuidado da minha filha Akemy. Ele examinou o Airon e logo o levou para ser analisado pelo neuro, que falou que ele estava em estado crítico e poderia entrar em coma e morrer”, diz. Os médicos do outro hospital logo conseguiram agendar a cirurgia e Airon ficou bem. Depois de um tempo se recuperando, pôde voltar para casa com as irmãs.

“Depois da cirurgia, ele voltou para o hospital por bronquiolite, então ficou no total 123 dias internado e mais 50 dias intubado.  Quando ele finalmente foi pra casa foi só choro, alegria e gratidão. Toda a luta tinha acabado”, comemora a mãe.

“Minha família é tudo pra mim. Minha força e minha fraqueza. Criar um filho é amar, ter carinho e respeitar acima de tudo. A minha família é tudo que eu preciso pra ser feliz. Se fosse para voltar no tempo, faria tudo de novo”, finaliza.