Mães de crianças com síndrome de Down falam sobre decisão de não abortar: “Não somos ingênuas”

O debate foi causado pela série “Emmerdale”, que mostra um casal interrompendo a gestação depois de saber da deficiência do filho

Resumo da Notícia

  • Três mães falaram sobre a interrupção da gestação
  • O assunto foi trazido à tona pela série "Emmerdale"
  • Veja os relatos:

A série britânica “Emmerdale” está causando uma polêmica entre os pais de crianças com síndrome de Down. No enredo da história, um casal rico recebe a notícia de que o bebê que a mulher está esperando é portador da deficiência e não pensa duas vezes: interrompem a gestação. As cenas, que ainda não foram ao ar, revoltaram os fãs da novela, com alguns afirmando que elas perpetuam a ideia de que crianças nascidas com doenças genéticas e deficiências não têm o direito à vida.

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Nesse contexto, três mães que passaram pela mesma situação abriram seu coração sobre o tema, em entrevista ao The Sun. Confira:

“Tudo que eu tinha em mente era desinformação, medo e negatividade”

As mães desbafaram sobre a situação (Foto: Reprodução / The Sun)

Descobrir que o bebê que ela estava carregando nasceria com Síndrome de Down foi um momento difícil para Linzi Graham.A britânica já era mãe de dois filhos saudáveis e não tinha nenhuma experiência sobre deficiências. Assim, logo que soube da condição do bebê, com 18 semanas de gestação, ela agendou o aborto.

“Tudo que eu tinha em mente era desinformação, medo e negatividade, mas não posso explicar o quão feliz estou por ter mudado de ideia”, descreve Linzi, em entrevista ao The Sun. A mãe conta que não teve coragem de interromper a gravidez e desmarcou o procedimento um dia antes.

O motivo da desistência parece ter sido escrito pelo destino: a mãe estava assistindo uma série quando a personagem principal se deparou com a mesma situação. Na trama, a jovem não pensou duas vezes ao realizar o aborto quando soube da deficiência da filha. Ao ver aquilo, porém, Linzi repensou toda sua situação. “Eu me preocupo se isso não tivesse acontecido, então eu poderia ter visto a interrupção como a única escolha sensata, e meu lindo bebê poderia não estar aqui agora”, desabafa.

E foi assim que Matilda Petternson veio ao mundo em julho de 2019. “A realidade da vida com uma criança com Síndrome de Down em 2020 é completamente diferente do que eu temia”, relata.

“Não sou ingênua”

As mães desbafaram sobre a situação (Foto: Reprodução / The Sun)

Naomi Hughes está grávida de 30 semanas e foi informada de que seu bebê nasceria com Síndrome de Down.A mulher já é mãe solo de Felicity, de 14 anos, e de Tayah, de 8 anos, e contou ao The Sun que se emocionou ao acompanhar o enredo de Emmerdale. “Chorei porque pensei, isso vai afetar muitas pessoas que acabaram de receber um diagnóstico pré-natal”, diz ela. “Eu me preocupo que as pessoas irão pensar,‘ ok, isso é o que você faz”.

A mãe conta que estava dirigindo quando recebeu uma ligação do hospital. “A pessoa disse ‘sinto muito’, os resultados mostram que o bebê tem Síndrome de Down”, conta. “Essas palavras,‘ me desculpe ’, me deixaram em pânico. Eles me fizeram pensar, deve ser horrível se estão pedindo desculpas”.

Logo depois, durante uma consulta no hospital logo, Naomi disse que foi informada de que poderiam marcar um aborto em seu nome e que o funeral seria gratuito. Mas, em vez de optar pela interrupção da gravidez, Naomi deu continuidade à e buscou suporte online.“As pessoas que encontrei são muito reconfortantes”, diz ela. “Eu não sou ingênua. Eu entendo que pode haver muitos desafios pela frente, mas ninguém sabe como será a vida de seus filhos”, relata.

E embora tenha tomado a decisão de ficar com o bebê, previsto para nascer janeiro, Naomi diz que entende por que essa não é a escolha ideal para todos.“Eu entendo”, ela diz. “Mas quanto mais eu aprendo, eu percebo que a Síndrome de Down não é uma sentença de prisão perpétua. “As pessoas precisam de todas as informações que puderem, porque depois de fazer essa ligação, você não pode mais retirá-la”, finaliza.

“Esses estereótipos simplesmente não são verdade”

As mães desbafaram sobre a situação (Foto: Reprodução / The Sun)

Os pais de Zac, Hannah e David, de cinco anos, descobriram que Brody provavelmente nasceria com Síndrome de Down aos quatro meses de gestação. “Quando descobri, fiquei muito chateada. Para ser sincera, eu não queria um filho com Síndrome de Down. Eu não sabia nada sobre isso, mas também não queria um aborto”, conta a mãe.

Como o filho mais velho estava animado com a chegada do irmão, a família se sentiu motivada para continuar na batalha. Os desafios, porém, têm sido imensos: Brody já desenvolveu vários problemas de saúde, que “milagrosamente” se curaram sozinhos.

“Disseram-nos que Brody tinha um buraco no coração e que precisava de uma cirurgia cardíaca aberta”, diz ela. “Mas o buraco se fechou sozinho. Disseram-nos que ele tinha dificuldades para se alimentar e que havia potencial para danos cerebrais. Mas, aos seis meses, ele está indo muito bem e recebeu alta da neurologia”, relata.

E com o enredo de Emmerdale nas manchetes, Hannah se preocupa com o impacto que isso poderia ter em torno da doença.“As circunstâncias de cada pessoa são diferentes e é uma escolha devastadora. Mas pais como eu querem que as pessoas saibam que a Síndrome de Down não é essa coisa horrível. Para muitas famílias, como a minha, esses estereótipos simplesmente não são verdade. Espero que eles compartilhem informações positivas e não apenas uma imagem irreal e sombria”, finaliza.