Mais de 20% das crianças brasileiras serão obesas daqui 10 anos, segundo estudo

A obesidade infantil é um problema que não diminui e a pretensão é continuar aumentando. Tendo isso em vista, a mudança da alimentação é mais do que importante, é fundamental

Resumo da Notícia

  • Os problemas da vida adulta surgem na infância e por isso deve-se dar mais atenção à obesidade infantil
  • Para isso deve-se dar mais atenção para práticas esportivas, uma alimentação saudável e mudar hábitos dentro de casa
  • Segundo o Atlas da 'World Obesity', daqui a 10 anos o Brasil terá cerca de 23% das crianças de 5 a 9 anos com obesidade

Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 41 milhões de crianças menores de cinco anos já estão acima do peso e a prevenção para 2030 não é nada reconfortante. Segundo o Atlas da ”World Obesity’, daqui a 10 anos o Brasil terá cerca de 23% das crianças de 5 a 9 anos com obesidade. No entanto, essa estatística pode ser revertida, tendo em vista que essas crianças ainda nem nasceram.

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Obesidade infantil é um assunto muito importante e que deve ser tratado. Com isso, uma alimentação saudável e práticas esportivas frequentes são mais do que fundamentais. No momento em que estamos vivendo, com a pandemia,  as crianças ficam muito mais tempo em casa, sendo assim, o cuidado deve ser ainda maior.

Obesidade infantil é um assunto muito importante e que deve ser tratado (Foto: Getty Images)

É fato que os problemas da vida adulta surgem na infância, segundo a pediatra Denise Lellis, com PHD na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Por isso os números da pesquisa devem ser chamar a atenção de todos. “Precisamos olhar para isso com muita preocupação já que a previsão é de obesidade para crianças que ainda vão demorar cinco anos pra nascer, e mudar o futuro nutricional delas é fundamental”.

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Segundo a médica especializada em Nutrologia pediátrica e comportamento alimentar, as famílias precisam ser bem orientadas, assim poderão fazer melhor suas escolhas alimentares. “Nossa preocupação é nos capacitarmos para ajudar as pessoas a ignorarem as outras informações enviesadas e poderem escolher uma alimentação saudável, ou seja, comida de verdade”, alertou ela.

Durante a pandemia todo o cuidado tem que ser redobrado (Foto: Getty Images)

Prevenir para não remediar

Para a prevenção da obesidade e de outras doenças alimentares é necessário entender que além de mudar a alimentação deve se mudar o estilo de vida ao qual as crianças estão expostas. “Um dos estudos que mais mostrou queda da obesidade no mundo, feito por uma operadora de saúde na California, reduziu o consumo de bebidas açucaradas e aumentou o consumo de alimentos in natura. Resultado: a prevalência de obesidade diminuiu 1.6%”, reforçou Lellis.

Sem perder do radar que o prazer pela comida, o prazer hedônico, pode parecer maior do que a fome biológica. Ou seja, o consumo maior daqueles alimentos cheios de sabor, com muito açúcar, gordura e sal, os alimentos ultra-processados. “Não se pode pensar apenas nos macronutrientes, mas em quanto de sabor estamos oferecendo para as crianças, porque esse apetite ligado ao prazer vai querer ser repetido”, explicou a pediatra.

O apetite está ligado ao prazer e vai querer ser repetido (Foto: Getty Images)

Segundo estudos, 30% das crianças obesas são altamente seletivas e optam sempre por esses alimentos saborosos e ultraprocessados. Portanto, evitar esses alimentos é benéfico para infância e, consequentemente, para a saúde dela no futuro como adulta.

Cuidado desde o ventre

A partir de um pré-natal adequado, estudos mostram que é possível prevenir o problema desde o ventre materno. Segundo a pediatra e neonatologista Flavia Oliveira, da Sociedade Brasileira de Pediatria, isso pode ser explicado pela genética, pois a composição corporal, de 60% a 80%, é determinada pelos mais de 300 genes envolvidos na regulação do peso e que são hereditários. “Outros pontos que também influenciam são o aumento de peso da mãe e a diabetes gestacional, que levam a uma programação metabólica no bebê que faz com que ele tenha piores preferências alimentares, obesidade e síndrome metabólica na vida adulta”, explica.

Obesidade também tem relação com a gravidez e a genética (Foto: Getty Images)

“Uma análise recente mostrou que as crianças amamentadas apresentam 22% menos risco de obesidade quando comparada àquelas que receberam fórmulas especiais, principalmente após os três meses de vida”, adicionou Flávia Oliveira. Ainda de acordo com a médica, isso pode acontecer porque diversas fórmulas prontas são mais ricas em calorias e proteínas. Nos primeiros dois anos de vida, o excesso de proteína está associado a uma maior produção endógena de insulina e IGF-1, hormônios ligados à diferenciação das células de gordura e do seu acúmulo. Esse mecanismo é conhecido como ‘programming’ e representa fator crucial para o desenvolvimento da obesidade e suas consequências na vida adulta”

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