Família

Marcos Mion: “É muito importante para uma criança autista ter um irmão”

Apresentador conta sobre a relação Romeo com seus outros dois filhos e fala da importância da família

Redação Pais&Filhos

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(Foto: Reprodução/Instagram @marcosmion)

(Foto: Reprodução/Instagram @marcosmion)

Marcos Mion é pai de um trio que faz o maior sucesso nas redes sociais, Romeo, de 13 anos, Donatella, 9 anos, e Stefano, de 8 anos. O apresentador se abriu com a gente para falar sobre o relacionamento com os filhos. Durante a entrevista, ao citar o Romeo ele se emocionou ao contar da luta diária que tem, junto com sua esposa Suzana, para melhorar a conexão do menino com o mundo.

O garoto tem autismo, que é um transtorno do desenvolvimento infantil, o TEA (Transtorno do Espectro Autista). Ele usa o dia a dia dele, nas redes sociais, para tentar ajudar outras famílias que tenham filhos dentro do espectro, já que uma em cada 68 crianças nasce com essa condição, segundo o Center of Diseases Control and Prevention. Mion, que sempre sonhou em ser pai, hoje se considera abençoado por ter essa garotada por perto e a gente concorda!

P&F: Você sempre sonhou em ter filhos?
MARCOS MION: Foi o que eu esperei a minha vida inteira. Eu lembro que no meu aniversário de 16 anos, o meu maior desejo ao cortar o bolo era que eu fosse pai antes dos 21 anos de idade. Não consegui com 21, mas consegui com 24. Fui muito amado e paparicado e bem criado pelos meus pais. Então, automaticamente, desenvolvi uma vontade de fazer isso por alguém também.

P&F: Quando caiu a ficha que você seria pai?
MM: No momento em que eu cortei o cordão umbilical (eu cortei o cordão dos meus três filhos) e peguei no colo.

P&F: E como foi a chegada do Romeo?
MM: Ele foi diagnosticado com autismo aos quatro anos de idade. Mas eu nunca tive um momento de frustração. Todo mundo fala: “Quando você soube, deu um desespero, não é?”. Minha resposta: “Nunca!”.

P&F: Mas você se sentiu despreparado?
MM: A gente é 100% preparado. Ele veio para mim. Ele me escolheu. Se ele me escolheu, eu tenho que saber cuidar dele. Eu estava tão preparado que, quando ele nasceu prematuro e foi para a UTI, dormi no hospital as três noites. Tenho uma ligação muito forte com ele.

P&F: Não deu medo de assumir essa responsabilidade?
MM: Não porque eu sabia que aquela era a minha hora. E tem muito a ver com fé. Eu nunca, em nenhum momento, senti que alguma coisa ia dar errado.

P&F: Isso te fez refletir sobre a ideia de ter um outro filho?
MM: Não dá para parar e ficar pensando. Quando você tem uma situação dessas, você tem que resolver. O Romeo teve que fazer uma cirurgia por uma displasia de quadril com três meses de idade. Fiz uma série de reuniões com vários médicos, escolhi o que eu achava ser o melhor. Tive que resolver e acho que isso que é o bom. O “e se” não faz parte da realidade. Quando você coloca uma criança no mundo, você tem que saber que é sua responsabilidade.

P&F: E existe diferença em como você lida com o Romeo dos outros filhos?
MM: A gente tenta cortar a diferença o máximo. Segundo uma pesquisa que eu li, dois milhões de crianças estão dentro do espectro. Hoje, eu diria que ele tem um dia a dia muito comum. Ele vai para a escola, faz as atividades. Muitas pessoas que vivem essa situação dizem: “o meu filho autista não me abraça, não me beija, não fala que me ama, não olha no meu olho”. Mas eu digo que se a gente não tivesse tratado o Romeo desde o começo, ele também não faria nada disso. É um trabalho diário. Para ter uma noção, a Suzana e eu fomos fazer nossa primeira viagem sozinhos apenas quando o Romeo tinha 7 anos. É uma dedicação. Eu não seria o homem que eu sou se eu não tivesse tido o Romeo.

P&F: A Donatella e o Stefano entendem?
MM: Eu já tive conversas com eles. Eles entendem. Mas existem situações mais difíceis. Desde pequenininhos, eles falam: “o Romeo pode porque o Romeo é especial.” Eu vou ser sincero. É muito importante para uma criança autista ter um irmão. Acho que é o mais fundamental. Dá uma identificação gigante e uma confiança muito grande.

P&F: O Romeo te faz mudar todos os dias?
MM: Muito. As pessoas perguntam como ele é tão amoroso. Eu digo que isso foi conquistado. Não é da noite para o dia. É triste demais quando você vê que o seu filho não está te  abraçando e não corresponde. Mas eu nunca deixei de abraçar ele, por mais que ele não quisesse. Você vai quebrando essa condição até a hora que dá certo.

P&F: Você já perdeu a paciência?
MM: Várias vezes porque não é simples, não é fácil. Os irmãos perguntam: “Por que ele fica com o iPad na cama e a gente não?”, eu explico que é porque sem isso ele não consegue desligar a cabeça. E existem vezes que o Romeo não para de fazer a mesma pergunta. Umas 250 vezes.

P&F: Qual, por exemplo?
MM: “O que eu vou fazer amanhã?”. Eu respondo, “amanhã, você vai ao Parque da Mônica”. Ele vem com outra, “Eu vou mesmo ao parque?” e eu repito, “Vai, filho”. E assim segue. Isso é uma característica do espectro. Às vezes, preciso dar atenção para a Donatella e para o Stefano também. Então, falo “Romeo, espera um minuto que eu preciso dar atenção para os seus irmãos.”

P&F: E ele?
MM: Hoje, com muita conversa e carinho, ele fala, “então, tudo bem, papai…”.

P&F: Você sempre se sentiu à vontade para falar do Romeo?
MM: No começo da nossa vida, a gente não se sentia confiante e apto para assumir isso publicamente. Nos isolamos muito. A gente não tinha casal amigo. Éramos 100% focados na nossa família e na criação do Romeo.

P&F: Você acha que as pessoas ainda têm preconceito?
MM: Muito. A minha luta é toda contra o preconceito. No começo, a gente tinha receio de que as pessoas iam nos julgar. Até o momento em que a gente assumiu isso publicamente. Eu sabia que iríamos virar exemplo para todo mundo. Eu sempre soube que é um meio muito carente, em que falta informação. Não precisamos de permissão para ser feliz. A vida inteira eu sempre falei isso. A gente não quer ser curado, até porque isso não tem cura. Queremos apenas ser aceitos.

P&F: Você acha que filho traz felicidade?
MM: Filho só traz felicidade. Não traz nada além de felicidade para o casal. Aí depende da maturidade de cada um em saber lidar com isso. Acredito que família é o bem maior que existe.

P&F: O que você deseja para os seus filhos?
MM: Eu desejo que eles sejam pessoas felizes. Acima de tudo, honestos, humildes, conquistem tudo na vida como eu conquistei, baseado no meu trabalho, sem passar o pé em ninguém. Que quando eles entrem em uma sala, todos fiquem felizes.

P&F: Na sua opinião, qual é o papel do pai hoje?
MM: Eu acho que não é nem a minha opinião. É algo mais que comprovado que o desenvolvimento da criança é dividido entre identificação da mãe e do pai. Então, o pai tem que estar presente sempre. É uma ilusão achar que a mãe cria o filho sozinha. Óbvio que existem muitos casos que isso acontece. Assim como pais que criam os filhos sozinhos. Mas estou falando da minha experiência. O pai é tão importante quanto a mãe na criação e no dia a dia.

P&F: Para a Pais&Filhos, família é tudo. E para você?
MM: Com certeza. Não tenho nem como pôr de outra forma. No momento em que você decide ter uma família e entende o que é isso, você está construindo o seu castelo, com seu elo. Sangue do seu sangue. Pelos meus filhos, eu mato e morro sem titubear o mínimo.  Quando você tem essa consciência, tudo o que você faz é por eles.

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