Marcos Piangers e Ana Cardoso refletem sobre empatia e relação com as crianças

A gente ama este casal! Todo mês, os dois escolhem um tema do universo familiar para debater e você sempre vai encontrar dois pontos de vista: o de mãe e o de pai

(Foto: Evelen Torrens)
  • Ele
    AME MINHA ESPOSA, CUIDE DAS MINHAS FILHAS

Marcos Piangers, pai de Anita e Aurora, é jornalista, palestrante e autor dos livros O Papai É Pop 1 e 2.

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Ele era um executivo de uma famosa empresa de varejo digital e, quando me viu no camarim, gritou de longe: “Papai pop!”. Veio tirar uma selfie, enquanto contava que estava se separando, uma coisa traumática pro filho pequeno, e que as coisas estavam muito esquisitas em casa. “Estou me separando mas já disse pro meu filho: pai só existe um! Pai sou eu e mais ninguém! Minha ex-mulher pode até namorar, mas pai só tem um!”. Não concordo com ele.

Quando dizemos esse tipo de coisa estamos dizendo apenas que amamos mais nós mesmos do que nossos filhos. Se queremos realmente o melhor para nossos filhos depois de uma separação, desejaríamos que nossa ex-mulher encontrasse alguém tão bom quanto nós. De preferência melhor. Melhor pai que nós. Melhor marido que nós. Você coloca o orgulho de lado pelos seus filhos.

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Se algum dia eu vier a me separar (estou batendo na madeira agora), quero para minha esposa um homem melhor que eu. Ela merece alguém bom. Que saiba que ela gosta de rir de piadas bobas, que adora comida asiática, que toma chardonnay gelado. Que saiba que minhas filhas gostam de batida de morango com banana. Que as ajude na lição de casa.

Que seja gentil e bem humorado, para que elas sejam sempre felizes ao seu lado. Um outro pai, que as trate bem e que as guie. Filhos com dois pais, se forem bons dois pais, serão mais felizes. Serão mais felizes do que em um relacionamento deteriorado. Serão mais felizes do que com um pai ausente. Serão mais felizes do que com um pai possessivo. Nossos filhos não são nossos. Nossos filhos são do mundo. São como pássaros, mirando o mais alto do céu. Que possam ter ajuda para voar, sempre que precisarem. Mesmo quando não estivermos lá pra ajudar.

  • Ela

          É PROBLEMA MEU

Ana Cardoso, mãe de Anita e Aurora, é jornalista, socióloga e autora dos livros A Mamãe É Rock, Natal, Férias e Outras Histórias e Quando Falta Ar.

Deve fazer um mês. Eu estava na sala de casa, escrevendo no sofá com os pés num pufe. Deixei a janela aberta para ouvir os pássaros cantando lá fora e pegar uma brisa. Moro no quarto andar e meu apartamento dá para o parquinho de um conjunto de prédios. De tarde, é raro ter alguém brincando por ali. Quando tem, não me atrapalha. É gostoso ouvir crianças brincando.

Não foi o caso daquela sexta-feira. Latidos e um choro fraquinho. “Sai, sai”, ouvi um garotinho gritando. Me levantei para ver o que estava acontecendo. Um menino de uns 5 anos, no máximo, tentava escapar de um cachorro, que parecia estar brincando, mas pulava arranhando-o. “Sobe na árvore”, gritei.

O pequeno teve um ideia boa. Jogou um graveto a alguns metros e, quando o cachorro foi buscá-lo, segurou a guia do cachorro, dominando-o. Entendi a situação como resolvida e voltei para o texto que estava escrevendo. Em poucos minutos, novos gritos. Desta vez o menino perdera o controle da situação. Chorava e corria de um lado para o outro. O garotinho, sozinho, estava desesperado e eu me desesperei também. “Calma, menino, estou indo aí te ajudar”. Calcei o sapato que estava na porta e desci a escada esbaforida.

Na portaria do prédio dele, expliquei a situação e me deixaram entrar. Ninguém sabia de nada. Corri até a o parquinho e o menino não estava mais lá. Só os seus chinelos, número 26. Voltando à portaria, descobri o possível apartamento do menino (e do cachorro). Liguei, a mãe atendeu furiosa. Me explicou que tinha 5 filhos e que não tinha como descer com um só quando os outros não queriam. Mandou-me cuidar da minha vida e desligou o interfone na minha cara. Mais tarde, descobri por uma vizinha, que ela apanha do marido e passa o dia fechada em casa com estas crianças, o cachorro e outros animais. Fiquei com pena da mulher, mas não me arrependo de ter ido lá. O que um ser humano faz quando vê uma criança em perigo? Fecha a janela e diz ‘isso não é problema meu’?

  • Moral:

“Nossos filhos são do mundo, assim como os filhos do mundo são nossos também. Precisamos ser empáticos e amorosos com todas as crianças”

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