Família

Marcos Piangers e Ana Cardoso te convidam a refletir sobre mudanças e sonhos na família

A gente ama este casal! Todo mês, os dois escolhem um tema do universo familiar para debater e você sempre vai encontrar dois pontos de vista: o de mãe e o de pai

Redação Pais&Filhos

Redação Pais&Filhos

(Foto: Reprodução)

Marcos Piangers é pai de Anita e Aurora, jornalista e palestrante. Esse mês, ele nos convida a refletir sobre sonhos que mudam.

Esses dias ouvi minha filha adolescente reclamar que seu celular estava muito lento. “Mas é um milagre!”, disse a ela.
“É um milagre!”. Temos, pela primeira vez na história, todo o conhecimento humano no bolso. Todos os filmes, os livros, as óperas, a mitologia grega, todos os discursos inspiradores, toda a Barsa no nosso bolso! É um milagre! Não importa se demora mais três ou quatro segundos para acessar uma informação. É um milagre! É incrível! É espetacular! Ela me olhou séria. Perguntou o que é Barsa. Para fazer palestras por todo o Brasil pego aviões. Aviões são estruturas de aço que voam. São maravilhosas estruturas, inexplicáveis, que têm a capacidade de atravessar oceanos. Eu sento em uma poltrona, vejo o nascer do sol por cimadas nuvens, a equipe de comissários me oferece um suco.

Ouço o casal da poltrona de trás reclamar. “Isso aqui está cada vez mais apertado!”. Um senhor de terno se queixa pois acabou o sanduíche de peito de peru. “Agora temos apenas sanduíche de presunto”, lhe avisa a atendente, gentilmente. Todos os passageiros parecem estar irritados com algo. “Mas é um milagre!”, tenho vontade de gritar: “Você está em uma poltrona! no céu! Tomando suco!”, tenho vontade de dizer.

Voltando pra casa de Uber, o pôr-do-sol estava incrível. Tenho medo de comentar com o motorista, vai que ele acha que eu sou uma dessas figuras zen, um hippie deslumbrado com algo trivial. Mas é um milagre: todo dia uma pintura diferente no céu. Todo dia um rosa, roxo, um laranja deslumbrante. Não importa como foi seu dia, não importa quão cansativa foi a sua semana. Ali está uma pintura de presente. Você pode reclamar do chefe, do trânsito, da vida. Mas a própria vida é um milagre. É um milagre que ninguém percebe.

(Foto: Evelen Torrens)

Ana Cardoso é mãe de Anita e Aurora, jornalista e socióloga. Esse mês, ela nos convida a refletir sobre mudanças.

Um suco de laranja feito na hora. Dormir numa cama com o lençol recém-trocado. Passar manteiga no pão e ela derreter. Abraçar uma criança que saiu do banho. Regar um pé de alecrim e sentir o cheiro. A vida é feita de pequenos momentos muito especiais. Saborear cada um deles é opcional. Tem gente que simplesmente não os enxerga, enquanto outras pessoas curtem cada segundo. É preciso estar atento e presente para perceber estas sutilezas. Existem alegrias que podem entrar na categoria média: receber uma festa surpresa de amigos, almoçar num jardim ao sol, caminhar com o filho para a escola e andar de mãos dadas com alguém. Quanto custa andar de mãos dadas? Em dinheiro, nada. Custa ser legal, querido, amado o suficiente. Custa o esforço de entender e ser gentil com o próximo, ao ponto de alguém querer o calor do seu corpo junto ao seu.

Nem tudo são flores na vida. Querendo ou não, a gente vai tropeçar em doenças, perdas, notas ruins, cabelos brancos, coxinhas frias, cafés quentes demais que queimam a língua e tombos que deixam cicatrizes. E até em dias terrivelmente belos e pessoas radiantes que nos irritam porque nós não estamos na mesma vibração. A vida é isso. É bom. É ruim. Não é legal ignorar o que é ruim. Mas ser generoso e, por que não, deslumbrado com as coisas boas, nos garante uma reserva extra de bons sentimentos, uma casca superpoderosa para os momentos de tristeza. Valorizar o bom é um exercício. Sem custo. Sem sofrimento. Nossos filhos aprendem com nossos gestos e afetos. E, se estivermos atentos, seremos nós que vamos aprender com eles a encontrar magia na simplicidade. E só assim estaremos preparados para vivenciar grandes alegrias. Quem não enxerga o pequeno jamais identificará o grande.

MORAL:
“Milagres acontecem o tempo todo. Todo à nossa volta, só precisamos reconhecê-los”

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