Marília Mendonça conta que tem déficit de atenção: entenda mais sobre o transtorno

A cantora usou o Twitter para comentar sobre o transtorno e os internautas se identificaram com ela

Resumo da Notícia

  • Marília Mendonça comenta dificuldade em lidar com números
  • Ao falar sobre o assunto, a cantora contou que tem déficit de atenção
  • O TDAH é um dos transtornos comportamentais com maior incidência na infância e na adolescência
  • Especialistas explicam mais sobre ele

Marília Mendonça usou o Twitter nesta terça-feira, 8 de junho, para falar sobre a dificuldade que tem em trabalhar com números. Ao falar sobre o tema, a mãe do Leo contou que tem déficit de atenção e que isso faz com que ela tenha ainda mais dificuldade em lidar com a matemática.

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“Vocês que trabalham com números… Eu pago um pauuuuuuu pra vocês… Sem condições nenhuma…”, começou a cantora, escrevendo. “Pra quem tem déficit de atenção como eu, piora tudo… os números começam a embaralhar e parece que tão dançando na minha frente e fazendo bundalelê”, continuou ela.

Marília Mendonça fala sobre déficit de atenção ao comentar dificuldade em trabalhar com números (Foto: reprodução / Instagram @mariliamendoncacantora)

Muitos internautas se identificaram com ela e comentaram a publicação. Uns contaram que sentem o mesmo e que se distraem fácil enquanto estão estudando. Outros, ainda, compartilharam que também têm TDAH e contaram um pouco sobre o tratamento que fazem.

Mas, afinal, o que é esse tal de déficit de atenção?

O TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um dos transtornos comportamentais com maior incidência na infância e na adolescência. Pesquisas feitas em diversos países revelam que ele está presente em 5% da população mundial em idade escolar. Trata-se de uma síndrome clínica caracterizada, basicamente, por três sintomas: déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade.

Mas nem sempre é preciso haver os três sintomas simultaneamente: crianças diagnosticadas com TDAH têm dificuldades de focar em um único objeto, têm fácil distração (vivem “no mundo da Lua”) e não conseguem terminar atividades como deveres de casa. Além disso, apresentam facilidade em perder materiais escolares, chaves, dinheiro ou brinquedos, têm dificuldade de ficar paradas, se levantam por várias vezes da cadeira na escola ou na hora do jantar, por exemplo.

Fatores de influência para a TDAH (segundo a Sociedade Brasileira do Déficit de Atenção:

  • Hereditariedade: os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH. A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes maior do que na população em geral, o que chamado de  recorrência familial.
  • Substâncias ingeridas na gravidez: pesquisas indicam que mães com problemas com álcool têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. É importante lembrar que muitos destes estudos somente nos mostram necessariamente uma associação entre estes fatores, mas não mostram uma relação de causa e efeito.
  • Sofrimento fetal: alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal, tinham mais risco de terem filhos com TDAH.  A relação de causa não é clara.
  • Exposição a chumbo: Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH.
  • Fatores psicológicos: Para o neurologista Saul Cypel, o Transtorno de Déficit de Atenção não tem origem biológica. Para ele, se a causa fosse biológica, não haveria exceção. “Se você coloca a criança em frente à televisão, ela fica horas! Super concentrada. Se sou míope, por exemplo, sou míope sempre – com prazer ou sem prazer. Se quiser jogar, vou continuar míope, do mesmo jeito que serei ao arrumar meu quarto. Biológico é biológico”.

No Brasil, há um uso de medicação muito inenso. Os diagnósticos aqui são realizados na maioria das vezes pelo modelo de questionário americano. “Não sou a favor da medicação, acho que tem que ser muito criterioso, tem que olhar muito a família, fazer uma terapia com a família. Quando você coloca esse tipo de diagnóstico, é preciso ter muito cuidado. Virou moda”, defende Dr. Saul.

A professora da Escola AB Sabin de São Paulo, Taís Andrade, mãe da Luiza, tem pós-graduação em distúrbios de aprendizagem e psicopedagogia e acredita que há abuso de uso de medicamentos no Brasil. Para ela, o tratamento ideal deve ter a união de escola, pais e médicos. “É comum que até os mais novinhos sejam tratados assim. É precipitado, não concordo. Elas estão explorando o seu mundo, se colocando… É complicado”, acredita a professora.