“Meu filho não come”: descubra se a criança é ‘picky eater’ e saiba o que fazer

Apesar de ser uma das principais queixas das famílias, a gente adianta que é possível reverter a situação e passar bem por essa fase. Entenda mais sobre a seletividade alimentar e veja algumas dicas para evitar a situação

Resumo da Notícia

  • Entenda o que é picky eater
  • Veja a diferença entre seletividade e dificuldade alimentar
  • Saiba algumas dicas para ampliar as escolhas alimentares do seu filho

Você já ouviu falar em picky eaters? Também conhecidos como “comedores seletivos” esse problema pode acontecer principalmente na infância quando o paladar é restritivo a alguns tipos de alimentos. Mas calma, a notícia boa é que é possível reverter a situação. Não gostar de um alimento de primeira, inclusive na introdução alimentar, não significa que seu filho irá detestá-lo para a vida inteira, mas sim que ele está apenas se acostumando ao novo sabor.

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Veja dicas de ouro para ampliar as escolhas alimentares do seu filho  (Foto: Shutterstock)

De acordo com Flávia Montanari, nutricionista da Liga da Cozinha, filha de José Antônio e Sônia Aparecida, todos possuem preferências alimentares, mas é importante ficar de olho em qual pode ser o resultado disso. “Na infância, não poderia ser diferente, no entanto o limite entre o comum e o impacto na alimentação, e consequentemente na saúde desta criança é decisivo para buscarmos ajuda profissional ou em alguns casos, aplicarmos melhorias nos hábitos alimentares em casa”, comenta.

Seletividade X dificuldade alimentar

Apesar dos termos serem bastante parecidos, a gente já adianta que existe uma diferença enorme entre eles. No caso das crianças que possuem restrições nas escolhas alimentares, a nutricionista explica que são pertencentes ao grupo de “seletividade alimentar“. Já aquelas altamente seletivas e com recusa persistente, além de uma tolerância mínima para mudanças, desinteresse e profunda aversão, é preciso de ajuda especializada. Para deixar os dois grupos ainda mais claros, veja outras características:

Seletividade alimentar:

  • Consome 30 ou mais alimentos;
  • Aceita pelo menos um alimento de cada grupo;
  • Diminuição na variedade e qualidade dos alimentos;
  • Tolera novos alimentos;
  • Participa das refeições em família;
  • Precisa mais de 20 a 25 apresentações para aceitar novos alimentos.

Dificuldade alimentar (altamente seletivo ou seletivo extremo)

  • Consome 10 a 15 alimentos;
  • Recusa grupos inteiros de alimentos, seja pela textura, sabor, aparência ou temperatura;
  • Aceitação restrita ou pouca variedade;
  • Apresenta um comportamento de fuga ou medo;
  • Não se alimenta com a família;
  • Não aceita formas diferentes de apresentações;
  • Requer mais de 25 apresentações para aceitar novos alimentos.

De olho nos hábitos

Os hábitos alimentares podem ser influenciados pelos mais diversos fatores, sejam eles genéticos, socioecômicos, culturais, religiosas, entre outros. No caso do desenvolvimento do paladar infantil, por exemplo, a formação pode acontecer desde a gestação e perdurar pela infância, através da influência da família e impactando de maneira positiva ou negativa no consumo alimentar da criança, além dos hábitos levados para a fase adulta, segundo a especialista.

Entenda a diferença entre seletividade e restrição (Foto: Shutterstock)

“Desta forma, crianças com histórico de seletividade ou dificuldade alimentar, se não forem diagnosticadas as causas, assim como orientações e tratamentos apropriados, podem se manterem com restrições alimentares em sua fase adulta”, explica. “O desequilíbrio na alimentação devido ao consumo insuficiente de micronutrientes, derivados das frutas, legumes e verduras, entre outros alimentos, pode desenvolver doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, déficits cognitivos e impacto na imunidade”.

Dicas de ouro para abranger (desde cedo!) a importância da alimentação

Esse processo é superimportante e toda a família precisa participar, afinal, é preciso ser o exemplo. Para te ajudar nesse missão, Flávia Montanari separou algumas dicas para você ampliar as escolhas alimentares do seu filho. Olha só:

“Estar à mesa” com a família

Fazer as refeições em família é criar vínculos, dar e receber amor, além de experimentar e explorar novos alimentos, sabores, aromas e texturas, juntos! “Tenha horários para as refeições, sem distrações, e sempre que possível monte uma mesa bonita (lembrem-se também comemos com os olhos)”. Segundo uma pesquisa se 2019, se alimentar em família também está associado a um maior consumos de alimentos saudáveis, sendo considerada uma ótima ferramenta de Educação Alimentar e Nutricional.

Brincar com os alimentos

Além da atividade ser sensorial, permite que a criança contribua com novas descobertas de sabores, texturas, entre outras. Desta maneira, “permita que seu filho brinque, toque, cheire, se lambuze, e sinta curiosidade pelo alimento”.

Fazer as “pazes” com o alimento

Em vez de forçar ou brigar com seu filho em todas as refeições, a dica é conversar e servir o alimento estimulando a curiosidade:
– Que cheiro tem este alimento?
– Quer tocar? Quer pegar?
– Quer ficar amigo deste alimento?
– Olha como este alimento é colorido. Vamos contar quantas cores tem?

Criança na cozinha

Envolver as crianças neste tipo de tarefa, seja desde a compra de alimentos até o preparo de uma receita é uma ótima maneira de despertar o interesse e a curiosidade pela vontade de se alimentar. “Lugares como a feira e o supermercado são ideais para trabalhar a sensorialidade, já que ali estão uma diversidade de frutas e vegetais, contribuindo com uma explosão de aromas e sabores”.