Morgana Secco fala sobre violência obstétrica que sofreu em parto de Alice: como identificar esse abuso

Após Shantal Verdelho ter sido vítima de violência obstétrica pelo obstetra que realizou o parto de Domenica, a fotógrafa se sensibilizou e elogiou a atitude da influenciadora em se pronunciar sobre o caso

Resumo da Notícia

  • Morgana Secco contou ter sofrido violência obstétrica durante o parto de Alice
  • Após o depoimento de Shantal Verdelho, Morgana dedicou todo o seu apoio à influenciadora
  • A fotógrafa fez o relato completo do parto e contou sobre a violência
  • Saiba o que é, como identificar e denunciar esse abuso

Morgana Secco contou aos seguidores que sofreu violência obstétrica durante o parto de Alice, de 2 anos de idade. A fotógrafa se sensibilizou com o relato de Shantal que recentemente foi agredida verbalmente pelo obstetra Renato Kalil, durante o parto de Domenica, filha fruto do relacionamento da influenciadora com Matheus Verdelho.

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Nos stories do Instagram, Morgana dedicou todo o seu apoio à Shantal após os relatos do ocorrido e contou que já passou pela mesma situação. “Sei o quão dolorido isso pode ser. Fiquei emocionada com a história dela — que também é de tantas outras mulheres que passam por isso todos os dias. Espero de verdade que isso comece a mudar!”, escreveu.

Assim como Shantal, Morgana Secco também diz ter sofrido violência obstétrica
Assim como Shantal, Morgana Secco também diz ter sofrido violência obstétrica (Foto: Reprodução/ Instagram/ @morganasecco/ @shantal)

Relato de parto

Morgana compartilhou nas redes sociais o relato de parto completo. A mãe contou tudo o que aconteceu desde a escolha do tipo de parto que seria realizado, até às complicações durante a gravidez e trabalho de parto.

Morgana Secco fez o relato do parto de Alice
Morgana Secco fez o relato do parto de Alice (Foto: Reprodução/ Instagram/ @morganasecco)

Enquanto já estava no Centro de Parto Normal, tendo contrações fortíssimas, Morgana contou que sofreu violência obstétrica. “Chegou outra médica perguntando se poderia conferir a dilatação. Eu disse que tudo bem. Só que ela não só conferiu a dilatação, mas começou a fazer algum tipo de manobra para girar a cabeça do bebê com a mão. Eu fiquei incomodada porque ela não me disse que faria isso e nem pediu autorização e aquilo estava sendo uma manobra bem invasiva. Mas ela concluiu dizendo que era só um ajuste de posição”, escreveu.

“Começamos então a fase expulsiva. Eu fazia força conforme as parteiras me orientavam. Tudo diferente de como eu imaginava que seria adequado e ideal de um parto natural, que é deixar o corpo e a mulher fazerem força como e quando sentissem que deveriam. Mas eu não sentia nada e, depois de tantas horas de epidural, não conseguia distinguir em quais músculos faria a força. Então elas me guiaram e tentamos por 2 horas. Algumas vezes em que elas me disseram que estava ótimo eu notei elas se olhando e comentando que não estava indo. Algumas vezes elas falavam algo do tipo ‘vamos lá, senão vamos ter que chamar os médicos’. Após 2 horas e sem ninguém ter me falado nada, os médicos apareceram. Eu obviamente estava cansada mas não reclamei do cansaço, não estava esgotada. Meus batimentos estavam bons, os da Alice também, e as contrações, que eram monitoradas, já não estavam tão frequentes”, continuou.

“A médica que estava coordenando ainda mediu minha dilatação mais uma vez e falou que iriam usar ventosa para posicionar a cabeça do bebê, se precisasse fariam episiotomia e usariam fórceps. Nesta mesma hora eu disse que não queria que me cortassem. Eles disseram que não sabiam se iria precisar, que primeiro tentariam a ventosa. A parteira que me acompanhava ainda me disse que eu não precisaria aceitar se não quisesse. Eles ressaltaram que era uma questão de posição, que girar a cabeça do bebê faria ele sair. Então eles começaram a tentar usar a ventosa. Tentaram por 3 vezes e nada. A médica pegou a tesoura e estava pronta para me cortar. Eu vi só que já não tinha condições de contestar. Mas o Luiz Gustavo Schiller (marido) mandou pararem. Disse que a gente não tinha autorizado aquilo. Eu repeti que não queria. E aí a médica disse que precisava fazer o corte para a cabeça do bebê passar. Que se não fizesse o corte eu corria o risco de ter lacerações maiores”, contou.

Além disso, Morgana disse que tinha pedido o contato pele a pele entre ela e Alice logo após o parto, mas isso não foi possível porque estava usando a camisola do hospital e a menina estava enrolada em um pano.

Morgana Secco não teve o primeiro contato pele a pele com Alice
Morgana Secco não teve o primeiro contato pele a pele com Alice (Foto: Reprodução/ Instagram/ @morganasecco)

O que é violência obstétrica?

“Agressões físicas e verbais são consideradas violência em qualquer especialidade médica, isso é indiscutível. O consentimento é essencial. Quando a relação é de confiança, acolhimento e empatia, toda a intervenção necessária é aceita sem que haja desconfortos ou disputas, sabendo que todos estão buscando a melhor forma de nascimento para esse bebê”, explica Fabiana Garcia, ginecologista e obstetra e sócia-fundadora do Espaço MAE, dedicado ao atendimento integral da mulher e da gestação.

Quais os tipos de violência obstétrica?

A Organização Mundial da Saúde fez uma lista de possíveis violências no parto para que as gestantes e acompanhantes saibam identificar e combater nos hospitais e maternidades: abuso físico, abuso sexual, preconceito, discriminação, não cumprimento dos padrões profissionais de cuidado, mau relacionamento entre as gestantes e os profissionais e condições ruins do sistema de saúde.

Como identificar uma violência obstétrica?

No Brasil, dados mostram que 25% das mulheres já sofreu algum tipo de violência obstétrica. Sem saber, muitas mães já foram vítimas desse tipo de agressão, que pode ser física ou verbal, durante ou antes do parto. Independentemente do tempo que uma agressão possa ter acontecido, é fundamental denunciar e falar sobre o assunto. Desta maneira, outras mulheres ganham espaço para também expor os abusos e violências que tenham sofrido.

Como denunciar uma violência obstétrica

No Brasil, casos de violência obstétrica podem ser denunciados pelo Disque 136, se o parto ocorreu em maternidade do SUS, ou pelo Disque 180, que recebe todos os tipos de denúncia de violência contra a mulher. O serviço está disponível 24 horas por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. A ligação é gratuita. Tenha sempre a sua rede de apoio próxima para te ajudar a lidar com esse trauma que não deve ser menosprezado.

O que a violência obstétrica pode causar?

Segundo o estudo “A Mulher Diante Da Violência Obstétrica: Consequências Psicossociais”, publicado na  Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, em 2018, consequências psicossociais como transtornos comportamentais, de adaptação e ansiedade são as mais comuns entre as mulheres que sofreram violência obstétrica.

“Muitas vezes passa desapercebida, sem a compreensão de que aquela ação pode desenvolver transtornos psicossociais. A maioria das mulheres também não reconhece a violência e nem os seus direitos, sendo de suma importância a orientação das mesmas para que busquem informações e manifestem suas opiniões, minimizando possíveis consequências no pós-parto, retomando assim o seu protagonismo, diante do parto e das escolhas e valores de vida”, indica o estudo.

Por isso, é tão importante entender e fazer o plano de parto durante a gestação. É ali que você já aponta suas vontades e direcionamentos ao médico, antes durante e após o parto. Procure sempre um profissional que respeite suas decisões e também que ele se sinta confortável em segui-las.