Mulher engravida de sequestrador do EI e é proibida de ver os filhos de antiga família

Jovan ficou realmente confusa

Jovan não soube escolher entre as duas família (Foto: Reprodução/BBC)

Jovan é uma mãe com uma história bem delicada, ela vivia com toda a sua família, o marido e os três filhos, em uma vila yazidi, Iraque. Mas tudo mudou quando o grupo extremista, Estado Islâmico, invadiu o local e instituiu ali um califado.

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Ela foi separada da família, levada como escrava e entregue a um combatente. Antes disso tudo,ela vivia tranquilamente com o marido, Khedr, quem conhecia desde a infância. O soldado que ficou responsável por ela, manteve Jovan em cativeiro. Agora, livre, ela precisou escolher entre o “filho do EI” e a família que tinha.

“Era muito feliz. Vivi a melhor vida possível. Mas passei a amá-lo no momento em que o ouvi chorar pela primeira vez”, fala sobre o bebê. Em entrevista a BBC, reproduzida pelo G1, ela explicou como tudo aconteceu.

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A família de Jovan e outras 20 foram coagidas pelos jihadistas a fazer um comboio para Monte Sinjar. Era um ataque muito bem planejado e as pessoas começaram a perceber e então, fugir. A mulher foi separada do marido e colocada em caminhão.

Onde tudo começou 

Jovan foi levada, em 2014, para a capital do Estado Islâmico, Raqqa. “Tentávamos dar esperança umas às outras de que um milagre aconteceria e seríamos libertadas. Realmente pensei que seria melhor me matar, mas em seguida pensava nas minhas crianças. O que aconteceria se eu as deixasse?”.

Abu Muhajir foi o combatente que ficou responsável por ela, o homem prometeu que deixaria os filhos conviverem com eles e cuidaria de todos, se ela se convertesse ao islã. “Não sabia o que fazer”, foi a primeira reação ao descobrir que estava grávida de Abu.

Jovan conta que Abu morreu no campo de batalha quando estava no sétimo mês da gestação e que teve ajuda dos filhos mais velhos, Hawa e Haitham. Eles ficaram um pouco confusos no começo, mas depois se adaptaram ao novo bebê.

“Acho que minhas crianças o amavam. Cuidaram dele. Principalmente Hawa, minha filha e também minha melhor amiga. Ela dava comida ao Adam e o ninava até ele dormir”. Mas Raqqa estava na mira dos Estados Unidos.

Os bombardeios dificultaram na busca pela comida e Jovan começou a ficar preocupada. “Às vezes tínhamos apenas pão, água e um pouco de açúcar. Sabia que se não comesse o suficiente, não seria capaz de amamentar Adam. Mas não tinha escolha”.

A escolha 

“Sei que não era do meu marido real e que o pai dele era um assassino, mas Adam tinha minha carne e sangue”. Já haviam se passado 14 meses depois do sequestro quando conseguiu reencontrar o marido. Khedr precisou pagar para ter os filhos de volta.

Jovan e a família tinham uma religião diferente da do EI, ela tinha muito medo que o marido não aceitasse o bebê. Mas o Khedr cedeu, disse que Adam seria muito bem vindo. Só que depois de um tempo, ele mudou de ideia. Disse que não poderia ter um filho do grupo terrorista em casa, que não era da mesma religião da dele.

Khedr convenceu Jovan a levar o menino para o orfanato, ela concordou com o marido. A BBC também conversou com o responsável pelo orfanato. “As lágrimas caíram pelo rosto quando ela entregou o filho. Não há nada pior do que tirar uma criança yazidi da mãe. É como cortar um pedaço do coração dela”.

“Mas os desejos da comunidade são mais importantes que o sentimento individual. O marido dela e eu concordamos que pegaríamos a criança de qualquer maneira. No final, não houve outro jeito senão mentir”, explica.

No final…

Os dois mentiram mesmo, disseram que o bebê ficaria apenas o suficiente para a família resolver todos os problemas, mas eles entregaram Adam para a adoção. Quando soube disso, Jovan saiu e casa em busca do filho, mas acabou em abrigo para mulheres refugiadas.

Khedr pediu o divórcio e a proibiu de ver os outros filhos. E Jovan desabafa: “Eu pensava em Adam a todo momento. Sonhava com ele todas as noites. Como poderia esquecê-lo? Amamentei ele, é meu bebê. É errado sentir falta dos nossos filhos?”.

“Eu senti que tinha traído meu filho. Minhas outras crianças já estavam crescidas (o mais velho já era adolescente), e eles tinham o pai. Mas o Adam não tinha escolha. A pobre criança não tinha absolutamente ninguém, e eu sentia falta dele dia e noite”. Muita força para essa mulher.

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