Mulher faz sucesso distribuindo pães caseiros para famílias carentes da Brasilândia aos 69 anos

Maria Paulina atende mais de 100 famílias com os seus serviços. A padeira viralizou na internet e contou que “ama servir”

Resumo da Notícia

  • Maria Paulina virou sucesso nas redes com a distribuição de pães caseiros para famílias carentes
  • A "vovó Tutu" concentra seus serviços na Brasilândia, e já ajudou mais de 100 grupos
  • Aos 69 anos, ela ainda contou que "ama servir"

Maria Paulina, ou “vovó Tutu”, é um sucesso nas redes depois da divulgação da sua boa ação. Aos 69 anos, a idosa se preocupa em produzir com as próprias mãos pães que distribui para famílias carentes da Brasilândia, em São Paulo.

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O sucesso veio com um vídeo de Maria na produção dos pães nas redes sociais. Thalys, neto de 8 anos da idosa, decidiu que queria “estilizar” a ação da avó – e, assim, não imaginava que mudaria a vida de toda a família. Isso porque, após a divulgação do trabalho, a padeira foi capaz de montar uma barraca para a distribuição de 1,7 mil pães e 300 litros de chá todos os dias para uma comunidade carente.

Vovó Tutu cresceu com a influência da doação (Foto: Reprodução/ Instagram)

Filha de empregada doméstica e lavador de carros, “vovó Tutu” entende a importância de uma doação – porque conviveu muito com elas, depois de ser levada a uma instituição religiosa, ainda muito nova. Em entrevista ao Estadão, ela contou um pouco mais sobre a vida dos pais. “Para me proteger da truculência paterna, minha mãe me internou, como órfã, em uma instituição de freiras, a Casa da Divina Providência Madre Teresa Michel, na Mooca. Fiquei lá dos 7 aos 14 anos”, desabafou ainda, sobre o pai violento.

Por causa disso, Maria cresceu entendendo e convivendo com a doação como parte da rotina, “Às vezes, saíamos com elas para pedir doações. Eu sentia muita admiração por aquilo”. A partir daí, continuou os trabalhos de ajudar o próximo, dessa vez por conta: se preocupava em ajudar mães e moradoras de rua enquanto trabalhava no setor de limpeza do Hospital das Clínicas com doações de lanches do refeitório.

Posteriormente, expandiu os gestos de amor para dentro de casa – e adotou Lurdes, uma jovem de 17 anos que morava nas ruas que, então, trabalhava vendendo marmitex. Sobre a chegada da filha, comentou, também em entrevista: “Ela tinha se desentendido em casa. Não tinha onde morar. Não pensei duas vezes, levei-a para casa”. Além dela, mais três crianças foram adotadas e criadas com Maria e, no total, a grande família de amor soma 9 filhos, 26 netos e 9 bisnetos.

Vida de cozinheira

Tutu ainda conta que tentou abrir um restaurante durante a pandemia, mas sem sucesso. Um dos filhos da benfeitora disse que estava tudo ajeitado para o funcionamento do estabelecimento no início de 2020, “Compramos mobília, decoramos, deixamos tudo perfeito. Em oito meses, começamos a formar nossa clientela. Infelizmente, foi também quando chegou a pandemia”, desabafou.

Maria entrou em uma depressão, e se viu desacreditada na vida. E foi então que a distribuição de pães e o trabalho voluntário a tirou da tristeza e a fez seguir em frente. “Sabia que, com a pandemia, a fome ia bater na porta da periferia. Eu tinha de fazer alguma coisa”, contou, sobre a decisão de se dedicar a ajudar as pessoas.

Assim, os 200 pães que vovó tutu conseguia distribuir no início das suas doações triplicaram – graças a ajuda dos netos e bisnetos em divulgar o trabalho. “Eu não ia dar conta. Eu batia aquela massa toda na mão. Eram 18 quilos de massa. Não ia conseguir manter aquela ajuda. Não tinha dinheiro nem condições físicas para atender muita gente”, contou Maria, sobre o início da produção.

A família de Tutu recebeu muitas doações para seguir com o projeto (Foto: Reprodução/ Instagram)

“Comecei a receber doações de tudo quanto era lugar. As pessoas passavam na frente de casa e me deixavam muitas coisas. Logo, e com ajuda da família, passamos a produzir mais e a atender muito mais gente”, celebrou. “Conseguimos criar o Instituto Vovó Tutu. Agora, vamos buscar recursos para atender ainda mais famílias. A ideia é continuar o trabalho e montar uma escola de panificação e confeitaria para ensinar a mães e crianças algo que também pode gerar alguma renda”, disse, sobre os planos da família.

Uma rotina de doação e dedicação é essencial para manter o amor presente da vida de Tutu. “Eu me coloco no lugar das pessoas, me coloco no lugar de quem não tem um pão para dar para um filho”, finalizou.