Mulher faz vídeo preconceituoso debochando das vagas de estacionamento para pessoas autistas

A maquiadora Lari Rosa publicou um vídeo na área de ‘melhores amigos’, da rede social Instagram, onde posicionou-se contra às vagas dedicadas às pessoas autistas. Os internautas mostraram-se indignados com as falas da mulher

Resumo da Notícia

  • Uma mulher publicou um vídeo na rede social Instagram debochando das vagas de estacionamento reservadas às pessoas autistas
  • Em fala, ela disse que o 'mundo estava mundo difícil' por conta das vagas em questão
  • Os internautas posicionaram-se contra às falas de Lari Rosa

Por meio da rede social Instagram, a página Hotel Mazzafera compartilhou durante a última terça-feira, 14 de junho, um acontecimento absurdo quem tem repercutido nas redes sociais e gerado indignação entre os internautas. No vídeo divulgado pelo portal em questão, encontra-se a maquiadora Lari Rosa, debochando das vagas de estacionamento reservadas às pessoas autistas. Inicialmente, o vídeo da mulher foi publicado na área de ‘melhores amigos’ do Instagram. Mas, posteriormente, foi vazado e todos puderam acessos às falas em questão.

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“Gente, olha isso aqui. Agora tem vaga exclusiva para autista. Cara, o mundo está muito difícil. Quero saber quando terá vaga para gordo estressado (…) Eu não tenho nenhum problema com autista, achei até que era vaga para ‘viado’ [modo preconceituoso e pejorativo de referir-se à comunidade LGBTQIA+]. Era só o que me faltava, vaga para mim nunca tem”, disse Lari Rosa em vídeo.

Mulher publica vídeo preconceituoso nas redes sociais
Mulher publica vídeo preconceituoso nas redes sociais (Foto: Reprodução / Instagram / Lari Rosa)

Após a viralização das falas, a maquiadora compartilhou em seu perfil na rede social Instagram, um pronunciamento do que aconteceu: “Estou vindo à público dizer que pisei na bola feio e estou super sentida e peço desculpas a todos que possam ter se sentido ofendidas pela minha fala. Estava em um momento descontraída e postei para um grupo de amigos fechados e acabou sendo exposto. Mas tem sido útil sim, para me informar melhor sobre o assunto. Estou lendo todos os artigos que me mandaram”, finalizou a maquiadora.

Indignação

Já na página Hotel Mazzafera no Instagram, na publicação onde apresenta o vídeo em questão, os internautas também falaram sobre o episódio. Sobretudo, em relação ao preconceito e estereótipo apresentado por Lari Rosa. “Absurdo! Sou mãe de autista de 10 anos. Autismo severo por sinal. Só quem sai com filhos autistas em lugares públicos sabe o quão difícil é.  A espera pra eles é agonizante. E isso é só o mínimo que pode ser feito. Mas é aquele ditado né, pimenta nos olhos dos outros é refresco”, disse uma mãe de uma criança autista e seguidora da página.

A luta por inclusão e os desafios das famílias de pessoas autistas

Quando falamos sobre TEA (transtornos do espectro autista), muitas incertezas surgem. O diagnóstico nem sempre é claro e, assim, o tratamento também não é realizado de forma plena. O mais importante para os pais é a informação.  É preciso ter em mente que a família é essencial nesse momento, tanto na busca por tratamentos, quanto no apoio emocional para a criança.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que há 70 milhões de autistas em todo o mundo, sendo 2 milhões de diagnosticados só no Brasil. Esse número, porém, poderá sofrer alterações com a inserção dos autistas no Censo do IBGE 2020, que vai trazer mais esclarecimentos sobre esses dados. A pesquisa do IEAC entrevistou pais e responsáveis de crianças e adolescentes autistas e mostrou que, mesmo com o crescimento de políticas e leis em prol da inclusão e defesa dos direitos, a maior parcela de pais otimistas (64%) acredita que ainda faltam melhorias. Enquanto isso, 31% dos participantes não veem qualquer progresso, tampouco estão otimistas com o futuro.

A desinformação e preconceito são alguns dos principais problemas enfrentados por autistas e as famílias no Brasil. De acordo com a pesquisa do Instituto de Educação e Análise do Comportamento mais da metade (55,1%) dos participantes assumiu que o filho já sofreu algum tipo de preconceito na escola, em contrapartida que 44,9% respondeu nunca ter vivenciado essa situação com o filho no ambiente de ensino. Da mesma forma, (55,1%) dos participantes disseram ter encontrado dificuldades para obter informações seguras na época que obtiveram o diagnóstico da criança. Leia aqui a matéria na íntegra.