Mulheres vencem estimativas e conseguem engravidar apesar da doença renal e da Covid-19

Gestação em paciente com doença renal crônica é considerada uma gravidez de risco, independente da doença de base da paciente. No entanto, não é impossível que as mulheres consigam engravidar, mesmo com todos os impedimentos fisiopatológicos presentes

Resumo da Notícia

  • Mulheres que venceram estimativas e provaram que é possível engravidar apesar da doença renal e sequelas da contaminação do coronavírus
  • Gestação em paciente com doença renal crônica é considerada uma gravidez de risco, independente da doença de base da paciente
  • Porém, não é impossível que as mulheres consigam engravidar, mesmo com todos os impedimentos fisiopatológicos apresentáveis

Nos estágios avançados da disfunção real, sobretudo, quando a paciente depende do suporte dialítico, ocorre a redução de hormônicos ligados à fecundidade, os quais são responsáveis pela liberação dos óvulos femininos. Sendo assim, diminuindo as chances de uma futura gravidez. Porém, nos casos em que mesmo com todos os impedimentos fisiopatológicos, a mulher consegue engravidar, se faz necessário o acompanhamento urgente da gestação. Visto que, toda gestação em paciente com doença renal crônica é considerada uma gravidez de risco, independente da doença de base da paciente.

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Mas, às mulheres que almejam o sonho de serem mães, mesmo em diálise, não é um desejo impossível. Pois, seguindo todos os cuidados necessários e dedicando atenção ao quadro de saúde, é possível gerar filhos mesmo com as estimativas médicas previstas. A médica nefrologista Elana Lannes, diretora médica da CDR, da rede de clínicas da Fresenius Medical Care, complementa sobre o assunto: “Apesar da fertilidade diminuir à medida que agrava a disfunção renal, a mulher com doença renal pode engravidar, sendo fundamental o conhecimento sobre a sua doença e os riscos inerentes em casos de gestação. A decisão de engravidar tem que ser de forma planejada e em conjunto com a equipe de saúde a fim de minimizar os riscos. Enquanto na população geral a incidência de pré-eclâmpsia é de 8%; na doença renal crônica associada à hipertensão, essa incidência pode afetar até 50% das gestantes”.

Além disso, a médica nefrologista complementa ainda que, mesmo no estágio mais avançado da doença renal, quando a mulher já necessita de diálise para substituir a função dos rins – com o tratamento cuidadoso e intensivo correto, é possível ter um bom desfecho para a mãe e o bebê. No mais, ela reforça que a gestante dialítica requer, obrigatoriamente, um acompanhamento em conjunto de toda a equipe médica multidisciplinar. Pois, segundo a Elana, a recomendação é que a gravidez ocorra depois de um transplante. No entanto, como nem sempre é possível realizar o procedimento no tempo esperado, algumas mulheres optam por tentarem antes.

Sonhos que se tornaram realidade

A Selma Rodrigues de Oliveira (40), mãe de três filhos e paciente renal crônica desde 2020, se contaminou com o coronavírus enquanto estava grávida. Resultando como sequela principal, a falência renal de seu único rim. A técnica em radiologia descobriu no 6º mês da gestação de Giovana, sua segunda filha, que ela havia contraído covid-19.

“A Covid-19 desajustou tudo. Comecei a inchar muito, fui a 144 quilos. Eu nem conseguia abrir os olhos. No hospital, fiquei 45 dias internada, tive sangramento, já entrei em hemodiálise porque o rim ficou lesionado e minha filha nasceu um mês depois, aos sete meses de gestação. No início tive dificuldade para aceitar que deveria fazer hemodiálise permanentemente, mas agora dou graças a Deus existir essa terapia, porque é o que salva a minha vida”, disse Selma. Mas, felizmente, dez meses após a Giovana nascer, a Selma engravidou do terceiro filho. O bebê nasceu com nove meses e completamente saudável.

Paciente renal crônica e contaminada pelo coronavírus, a Selma teve como sequela a falência renal de seu único rim
Paciente renal crônica e contaminada pelo coronavírus, a Selma teve como sequela a falência renal de seu único rim (Foto: Reprodução / Danthi Comunicações)

A Rosilene Aparecida Venâncio José, hoje com 44 anos de idade, engravidou oito anos após iniciar a diálise. A paciente renal na época da gestação, enfrentava outro empecilho. No caso, a sua faixa etária. “Por conta da minha idade, era uma gravidez de alto risco, mas recebi todo o apoio. Deu tudo certo, meu Rafael nasceu com nove meses, de parto normal, e sem intercorrências. A pressão ficou boa durante toda a gravidez”, relata.

Rosilene engravidou oito anos depois de iniciar a diálise
Rosilene engravidou oito anos depois de iniciar a diálise (Foto: Reprodução / Danthi Comunicações)