Não é um fim, mas um recomeço: famílias contam como estão após o divórcio durante pandemia

O “novo normal” de muitas famílias envolveu a separação de casais. O isolamento social de fato foi o estopim para um aumento significativo na quantidade de separações nesse período, porém a vida continua, e muito melhor

Resumo da Notícia

  • Em 2020, destacamos na capa a pandemia do divórcio
  • Neste ano, voltamos a conversar com as famílias e especialistas para saber como eles estão hoje
  • Acima de tudo, é importante buscar a sua felicidade

A pandemia do coronavírus trouxe muitas questões e dúvidas para a rotina de todos e, com certeza, uma delas foi justamente a disposição familiar. Há um ano, nossa reportagem de capa trouxe um levantamento exclusivo, feito com especialistas do Brasil e mais de 6 países diferentes apontando que a projeção mundial para 2020 era de um aumento significativo na quantidade de divórcios. Isso de fato aconteceu, como mostra um levantamento do Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal: apenas no segundo semestre do último ano, foram registrados 43.859 processos de divórcios extrajudiciais, o que representa um aumento de 15% em comparação com o mesmo período de 2019. E os divórcios permanecem em alta em 2021.

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O divórcio é entre o casal, pai e mãe são para sempre (Foto: Getty Images)

Mas muito mais do que números, falamos sobre pessoas, casais, famílias, filhos e rede de apoio que foram impactados pela separação. A intensificação do convívio diário foi um fator determinante para os rompimentos, pois, literalmente, não tinha para onde correr. Conversamos com famílias que enfrentaram essa situação durante o período para trazer as experiências, assim como especialistas da área de saúde e advocacia para apresentar possíveis caminhos e dicas que podem ajudar a seguir em frente. Afinal, o fim traz sempre a chance de um recomeço.

Ponto final

“A ruptura do laço conjugal como qualquer separação traz conflitos e sofrimentos não somente para o ex-casal se tratando da conjugalidade, mas para toda a família. Essa nova estrutura familiar passará por um rearranjo a fim de que esta nova realidade de afastamento e separação possa ser ressignificada por todos. É importante que seja respeitada a individualidade de cada um e que haja respeito à história que viveram juntos como casal”, pontua Tatiane de Sá Manduca, psicóloga clínica e autora do livro Valida-te, mãe de Mateus. Trata-se de um processo. Amanda, nome fictício, decidiu sair de casa, após, durante uma briga, ser agredida pelo ex-parceiro. Ela conversou com a Pais&Filhos na reportagem de junho de 2020 e retornou para contar como se sente há mais de um ano do término. Para a mulher, o divórcio se torna ainda mais complicado quando uma parte quer e outra não, como foi o caso. “No começo, ele falava para as crianças que a culpa era minha, que eu estava destruindo a família, que não pensava nos meus filhos e em mais ninguém”, lembra.

Amanda também fala do preconceito que sofreu: “Encarei coisas que não imaginei que fosse encarar em pleno século XXI, vizinhas me destratando no corredor e elevador do prédio, me olhando com cara de quem vai roubar o marido delas”. Fernanda Sanches, psicóloga e coach, mãe de Maria Flor, de 4 anos, passou pela situação oposta, uma vez que o pedido de divórcio não partiu dela. Após diversos empecilhos no último ano, como a infecção por Covid-19 e a descoberta de um câncer do ex-marido, que está curado, ele tomou a decisão. “Me pegou de surpresa, eu achei que ele estava em um processo de depressão, porque vinha chorando, muito calado… Então um dia ele decidiu sair de casa e levou todas as coisas pessoais”, diz.

Após seis anos juntos, sendo quatro e meio morando na mesma casa, Adriana Ramos, de 46 anos, mãe de um menino de 8 anos, também se divorciou durante a pandemia. Tudo começou quando o então marido pediu que eles dividissem as contas em casa e ela não aceitou, então as brigas se tornaram constantes. “Durante todo o processo do casamento, ele me fez acreditar que eu dependia dele, que o que eu ganhava com o meu salário não iria me sustentar. Esse era meu maior medo, me separar e não conseguir sustentar o meu filho”, comenta emocionada. Ela tentou e diz ter aberto mão de tudo pelo casamento, mas foi em vão.

“Eu fazia de tudo para agradar e ele sempre me repelindo. Um dia eu falei pra ele que precisava de pelo menos um dia no mês para a gente sair juntos. Olha isso, eu mendigando um dia! E foi em uma dessas vezes que dentro do restaurante ele pediu o divórcio. Nesse momento, o chão se abriu para mim e eu caí no fundo do poço”. Bianca, nome fictício, se separou em março de 2021 e desabafou sobre o período turbulento: “Eu fui demitida do trabalho durante a pandemia e ele ficou trabalhando em home office. Nós começamos a nos desentender com o tempo e o processo de separação foi muito difícil, uma vez que temos uma filha, e ele arrumou outra pessoa, fez as malas e saiu de casa sem pensar duas vezes”. Paula, nome fictício, mãe de um menino de 10 anos, viu o peso da convivência aumentar por causa do isolamento social: “Nunca havíamos passado tanto tempo juntos em casa. Ter que conviver e dividir obrigações em uma situação tão tensa foi muito difícil, não aguentamos”, conta.

Respeite seu tempo

A decisão de término de um casal é um momento delicado e, por isso, a psicóloga, mestre e doutora pela Unicamp, Ana Gabriela Andriani, filha de Claudete e Delfino, afirma que merece atenção e carinho: “Viver este momento muitas vezes é bastante sofrido e desafiador porque ele nos chama a experienciar a tristeza, a frustração e o luto. É da vivência, e não da negação destes sentimentos, que uma separação é superada”. É importante se permitir sentir tudo o que está dentro de você. Bianca reforça essa indicação ao compartilhar a própria experiência: “Vivi todas as fases do luto (raiva, negação, tristeza e por fim a aceitação)”. Ela também conta que a ajuda profissional foi importante no processo.

É importante viver o luto do divórcio e se permitir sentir tudo o que precisar, recomendam especialistas (Foto: Getty Images)

Para Paula, o término do relacionamento no início foi bastante doloroso: “Chorei muito, era como perder alguma coisa. Depois o sentimento mudou e percebi que aquilo, realmente, foi o melhor a se fazer”. Adriana, por exemplo, chegou a emagrecer 10kg em cerca de 5 meses devido ao impacto do rompimento. “Eu precisava segurar a barra, porque meu filho estava vendo meu sofrimento, tudo o que eu estava passando. Meu filho não é filho dele, mas ele conheceu meu filho quando ia fazer 2 anos. Meu filho chamava ele de pai, era a referência masculina dele. E depois que a gente se separou, meu ex não falou mais com ele”, explica.

A psicóloga Tatiane diz que é comum que os pais escondam o que sentem na tentativa de proteger e poupar as crianças, mas ela contesta: “É necessário falar e expressar os afetos. Não falar ou não chorar na frente dos filhos não irá aliviar a dor deles. Não é assim tão simples. A criança pode não compreender a separação a princípio, mas compreenderá e sentirá a ausência, e não falar sobre como seguirá a partir deste momento poderá deixá-la confusa e desamparada”. Por isso, é fundamental ter uma conversa com a criança sobre o divórcio. Ela pode ser feita individualmente ou com os dois juntos, o mais importante é haver um diálogo honesto sobre a situação e, principalmente, não endereçar aos filhos os conflitos que são de origem da relação do ex-casal.

“Se ele chorar, deixar que isso aconteça e dizer que entendem que esteja triste irá ajudá-lo. Aceitar e acolher o choro, mas ao mesmo tempo mostrar a ele que não ficará sozinho é fundamental”, acrescenta Ana Gabriela. Cada criança tem o seu tempo e não há regras. Você pode fazer apenas uma conversa, ou retomar o assunto se sentir necessidade ou se a criança tiver dúvidas. Fernanda segue isso à risca e garante: “Eu converso muito com a Maria Flor, acho importante ela externalizar o que sente e pensa. Ela vai me dando sinais e eu vou conversando”. A coach também aproveita os dias que a filha está com o pai, com quem faz guarda compartilhada (na semana, são 3 noites com ele e 4 noites com ela) para se permitir chorar e viver o luto completamente.

Amanda, com dois filhos, uma menina de 14 anos e um menino de 7 anos na época, também dividiu esse momento com os dois e diz que a filha foi um suporte fundamental nesse período, e para o mais novo, diagnosticado com autismo, a situação foi um pouco mais complicada, porque ele não entendeu o que estava acontecendo, mas agora está mais tranquilo, embora diga que sente falta da família junta. O mais importante de tudo é deixar claro para a criança que o relacionamento entre o casal pode ter acabado, mas pai e mãe são para sempre. E para isso, independentemente do término, é necessário que os pais sejam parceiros. “Quanto mais alinhamento os pais buscarem na tomada de decisões sobre os filhos e quanto mais se ajudarem nesta jornada, mais seguros emocionalmente todos estarão”, esclarece Ana Gabriela.

Em todo lugar

A pandemia não foi a causa em si, mas o estopim para o aumento do número de divórcios. Os casamentos foram interrompidos por motivos que já existiam antes do confinamento, mas se exacerbaram pelas circunstâncias. Quem já não estava contente com o próprio relacionamento, ao se deparar com isso, tomou a decisão de separar no início de 2020. Já outras pessoas esperaram para entender a melhor alternativa. “Quem deixou para se divorciar depois foram, em sua maioria, os que conseguiram retardar a decisão do fim do casamento, deixando o ápice da pandemia e incertezas por ela trazidas se acalmarem”, explica Alessandro Fonseca, sócio de Gestão patrimonial, Família e Sucessões do escritório Mattos Filho, pai de João e Joaquim.

No escritório Queiroz Advocacia, de Diego Queiroz, advogado, filho de Marta e Raimundo, a tendência também foi comprovada por números em 2020: em março, houve 112 contatos; abril, 133; maio, 98 e junho, 103. Após a queda em julho (82), os números voltaram a subir. Agosto contabiliza 107, seguido de um aumento constante até novembro, mês com maior quantidade de pessoas contatando para realizar o divórcio, com 165 pedidos. “Uma curiosidade comum entre esses casais é a alegação de que não conheciam bem o companheiro antes do confinamento. A maioria passava o dia fora trabalhando. Quando passaram a conviver o dia todo, ter de dividir tarefas e suportar o estresse de estarem o tempo inteiro em casa, ficou insuportável”, comenta Queiroz.

O aumento do divórcio ao longo deste período não é exclusivo do Brasil. Assim como na reportagem publicada em 2020, fomos olhar para outros países. Susanna Shanna, advogada da China que atua na Shanghai Hushi Law Firm, afirma: “De acordo com as estatísticas, o número de divórcios registrados no primeiro semestre de 2020 foi 1,596 milhão, e no segundo semestre do ano de 2,138 milhões. Houve um aumento de 34% comparando o segundo com o primeiro semestre do ano”. A Dra. Joana Duarte, da Sociedade Dantas Rodrigues & Associados, em Portugal, também se surpreendeu com a quantidade de pedidos. “No nosso escritório de advogados, a procura por consultas de direito da família dispararam em flecha. Parecia que no segundo semestre, ninguém confiava no companheiro ou companheira”.

O aumento de divórcios durante a pandemia não foi exclusivo do Brasil (Foto: Getty Images)

Essas predições não são um motivo, entretanto, de jogar tudo para o alto. Hayder Shkara, advogado da Austrália, reforça a nossa capacidade de se adaptar às novas rotinas e como isso pode ser benéfico para muitos casais que decidiram permanecer no casamento, mesmo após o início da pandemia: “Ao se acostumarem com a nova vida, isso diminui a tensão inicialmente colocada nos relacionamentos e muitos podem ter desenvolvido formas mais eficazes de se comunicar”.

Vida nova

Recomeços podem ser tão animadores quanto assustadores. Encarar uma nova rotina e os desafios que ela traz nem sempre é a coisa mais fácil de se fazer, mas é, sem dúvidas, recompensador. “Eu sempre tive medo do tempo passando. Pensava se esse medo era porque a minha vida estava muito legal ou porque eu não estava aproveitando nada”, conta Amanda. Junto com o divórcio, veio o aprendizado: “Sou mais forte do que eu imaginava. Quando a gente se dispõe a fazer acontecer, a gente consegue e dá conta, sim. Nenhum medo pode nos paralisar a ponto de não vivermos”. Ela possui guarda unilateral e o pai pega os filhos a cada 15 dias para passar o fim de semana com ele. “Eu sou bem flexível. A gente não teve um divórcio tão conturbado assim e ambas as partes amadureceram bastante, entendemos que era melhor para todo mundo essa separação”.

Fernanda também vivenciou um término tranquilo e se esforça para que a relação entre ela e o ex-marido se mantenha amigável. A insegurança que se apresentou no começo deu lugar à sensação de liberdade. “Me sinto mais leve, parece que tirei um peso das minhas costas. Observo que ele está bem e eu também”, conta. Após vivenciar a negação, ela se dedicou a cuidar das próprias coisas: vendeu a casa onde morava, procurou um apartamento e mudou-se para a casa nova há pouco mais de 15 dias. “Estou em fase de adaptação”.

Para Adriana, a vida mudou da água para o vinho. Os dois primeiros meses nessa nova realidade foram bem difíceis, porém o próprio apoio da criança foi fundamental para a recuperação. “Meu filho me ajudou muito e eu comecei a ver que existe vida após o divórcio”. Passados oito meses, com ajuda da rede de apoio e autoconhecimento, ela afirma: “Estou caminhando muito feliz em busca do amor, que eu com certeza acredito, ainda, e apesar de tudo. Eu sou outra mulher, acho que nunca estive tão linda e com brilho nos olhos. Hoje, eu agradeço pelo pedido de divórcio”. Nem tudo são flores, é claro. Apesar disso, o ditado “antes só que mal acompanhada” nunca fez tanto sentido para ela: “Aprendi nesse processo todo que a gente cai, mas precisamos levantar e ter força para olhar pra frente. É muito melhor você viver sozinha do que ter uma pessoa que te humilha”.

Se colocar em primeiro lugar após o rompimento também é uma maneira de amenizar o sofrimento inicial. Bianca conta que os planos para agora são trabalhar e estudar, além de garantir que a filha se sinta segura consigo mesma e jamais se culpe pelo divórcio da mãe. “Aprendi que algumas pessoas não valem o nosso sofrimento, que família é tudo, que amigos são essenciais e que ambientes influenciam muito”. Paula enxerga a separação como uma porta que foi aberta para experiências melhores surgirem. “Nos damos muito bem e ele é muito presente na rotina do meu filho. Quero que essa nossa nova relação de pais separados seja a melhor possível para ele, que realmente entenda isso como uma coisa normal, onde apenas não estamos mais juntos, mas ambos nos preocupamos com ele”, conta.

Sinônimo de divórcio não é amar menos

Muitos relacionamentos podem acabar de um jeito feio: muita briga, conflitos que respingam nas pessoas que convivem diretamente com o casal e laços desfeitos sem possibilidade de voltar atrás. Mas, em diversas ocasiões, escolher por um divórcio não significa, necessariamente, que o amor acabou – principalmente quando os principais envolvidos no casamento são os filhos. Para que a separação não atinja as crianças da família de maneira negativa, é extremamente importante que os pais demonstrem segurança na frente delas e que elas saibam que não vão perdê-los.

“Veja outro cenário: os pais permanecem casados por causa dos filhos mas vivem um inferno. Brigam todos os dias e as crianças presenciam brigas pesadas, difíceis, agressões verbais… Isso também não é vida. Separar acaba sendo mais saudável para todos”, exemplifica Daniela Masi Bianconi, psicóloga com especialização em psicologia clínica e filha de Maria Christina. Se o amor é um sentimento que não acaba, mas se transforma, e os filhos são a ligação entre duas ou mais pessoas, a prevalência do respeito é autoridade máxima nesses tipos de divórcio.

Divórcio não representa fim do amor, mas respeito por toda a história que construíram (Foto: Getty Images)

Lembre-se: a sua felicidade importa! Alguns casais fortaleceram a união durante a pandemia, aprenderam a lidar com as diferenças e escolheram estar juntos – e está tudo bem. Mas esse período também mostrou a importância de cuidar de si e, se para isso, o divórcio foi um caminho, está tudo bem também. A pandemia deixou à flor da pele nossa vulnerabilidade. Ela é uma total incerteza, porém foi esse evento que trouxe para diversos relacionamentos a certeza de que separados, os dois (e todos os demais envolvidos neste processo) colheriam frutos melhores no presente e futuro. E que assim seja…

Como contar para o seu filho sobre o divórcio?

  • Pode acontecer com os adultos juntos ou separados
  • Use linguagem clara e direta
  • Evite trazer os problemas de casal para o seu filho
  • Acolha os sentimentos do seu filho neste momento
  • Deixe claro que o término não é responsabilidade da criança
  • Afirme que o sentimento entre mãe/pai e filho irá permanecer o mesmo
  • Mostre-se aberto para tirar as dúvidas do seu filho
  • Utilize materiais lúdicos, como livros e filmes, para abordar sobre o tema

Pai e mãe são para sempre

O relacionamento do casal pode chegar ao fim, mas com os filhos nunca. E pode ser muito difícil para as crianças verem a família acabar sem ser da sua vontade. Saiba de que forma passar segurança para que o filho saiba que continuará tendo os pais presentes em sua vida

  • Evite brigas do casal na frente do filho
  • Mantenha ao máximo a rotina como era antes. Então se o pai sempre buscava na escola, é interessante que continue fazendo
  • Não critique o ex-parceiro na frente da criança
  • Converse muito com o seu filho sobre o que está acontecendo e os próximos passos
  • Ouça o que a criança tem a dizer
  • Ofereça apoio, deixando claro que o relacionamento do casal acabou, mas nunca o de pai/mãe e filho

O outro lado da moeda

Saiba como está a questão dos casamentos neste período de pandemia

O IBGE registrou uma redução de 2,7% no número de casamentos entre 2018 e 2019. De 1.053.467, a quantidade foi para 1.024.676 no ano anterior à pandemia. Em 2020, houve uma queda de 33,3% nos casamentos registrados no país, de acordo com um levantamento do Colégio Notarial do Brasil. Apesar do cenário, os especialistas são otimistas. Dados de pesquisa no YouTube, também indicam essa queda por termos relacionados ao assunto. Entre março de 2020 e abril de 2021, em comparação a janeiro de 2019 e fevereiro de 2020, as buscas por “como fazer convite de casamento”, caíram 70% e buscas por noivado caíram à metade (50%). De forma geral, pesquisas por “casamentos” caíram 30% neste período indicado.

“Acredito que os números de casamento aumentarão em relação ao ano passado, porque as pessoas já vêm pensando em formas de contornar as dificuldades impostas pela pandemia em segurança – como os casamentos formalizados por videoconferência”, defende Alessandro. Além das inseguranças e incertezas trazidas pela pandemia, pessoas que pretendiam realizar um casamento em 2020 não puderam celebrar da maneira como gostariam e deixaram para festejar quando as coisas estivessem melhores e a covid-19, controlada. “Os casamentos devem acontecer mais neste ano, porque quem tinha o sonho de fazer os festões prorrogou, mas em contrapartida também ficou mais difícil conhecer as pessoas”, conta Renata, advogada que atua no escritório Santana Silva, Garcia & Melo, mãe de Júlia.

Segundo a Australian Bureau of Statistics, agência nacional de estatísticas da Austrália, houve uma redução de 30% dos casamentos no primeiro semestre de 2020. Segundo Hayder, essa queda pode ter acontecido também por causa de questões financeiras, além da impossibilidade de reunir pessoas durante o isolamento social. Para o advogado, “quanto mais limitações [por causa da pandemia] forem suspensas, mais o número de casamentos irá aumentar”.

Ainda que os registros de casamentos tenham diminuído no último ano, para Renata, o futuro tem outra aposta: “Sei uma coisa que aumentou muito: a união estável”, conta. “Quem não planejava casar, mas se viu ali convivendo muito tempo junto, acabou virando união estável. É uma estatística superdifícil da gente conseguir apurar, porque dificilmente o pessoal regulariza”, contou.

Mas por que as pessoas continuam casando? Essa é uma pergunta que não quer calar. Mesmo com a pandemia de divórcio, com a expectativa de uma alta nos números de separações, as pessoas continuam se casando e desejando formar uma família. A resposta para essa questão é simples: o amor. “O ser humano precisa ter alguém para amar e precisa ser amado. O amor é um sentimento que não vai morrer nunca, ele é mundial e está latente em nós. Nós sempre vamos amar as coisas, as situações e as pessoas”, defende Daniela.