“Ninguém nasce sabendo ser pai, mas só não aprende quem não quer”

Leandro Nigre diz que o fato de não saber como lidar com um bebê não pode ser motivo para deixar de dividir os afazeres com a mãe

(Foto: Reprodução/Instagram)
(Foto: Reprodução/Instagram)

Em comemoração ao mês de agosto, do Dia dos Pais, fomos atrás de histórias inspiradoras de famílias por meio do projeto Lá em Casa é Assim”, parceria da Pais&Filhos com a Natura Mamãe e Bebê.

-Publicidade-

O Leandro Nigre, pai de João Guilherme e João Rafael, é nosso blogueiro parceiro e nos contou que começou a aprender a ser pai ainda na sua infância, quando tinha que cuidar das irmãs mais novas. Vem entender como tudo aconteceu:

“Minha lição na paternidade…

-Publicidade-

Meus pais, Antonia e Helio, sempre trabalharam fora. Desde cedo fomos orientados a organizar o quarto, a obedecer a minha tia Nete, que cuidava de mim, das minhas duas irmãs mais novas, Luciana e Ligia, e do nosso lar. Quando eu tinha cerca de 10 anos, ela precisou nos deixar para constituir sua família. Então, chegou a hora de colocar a mão na massa e foi aí que iniciei meus treinamentos na paternidade.

Com duas meninas, mesmo que minha mãe deixasse nossa rotina preparada, os cuidados eram extremos. Foi assim que aprendi! Enquanto as meninas brincavam de bonecas, eu brincava de vida real. Papos de mulher não viraram tabu para mim, que as acompanhei desde a infância.

Naquela rotina, crescemos nos auxiliando, aprendendo os trabalhos domésticos e recebendo o direcionamento para a vida adulta. Hoje me pergunto: quantas crianças teriam a oportunidade de vivenciar esta experiência?

Posso assegurar que este carinho que tivemos entre irmãos reflete em nosso dia-a-dia, convivência e união familiar. Exercitamos desde sempre o respeito, a compreensão das diferenças, limitações e o partilhar de sentimentos e bens materiais.

Cheguei à paternidade de fato com o exercício de casa feito. Ou, pelo menos, alguns treinos. Por isso considero importante dar às nossas crianças a mesma oportunidade de praticarem o cuidado com o próximo, a divisão de tarefas domésticas. E o dia a dia é o maior aliado neste treinamento!

A minha experiência garantiu “jeito” com meus meninos, João Guilherme e João Rafael. Não pareceu um bicho de sete cabeças quando eles chegaram à minha vida. Ao mesmo tempo, a abertura e o apoio da mamãe Dayane para que eu colocasse em prática todos os meus anseios de pai foi indispensável neste processo! Por exemplo, muitas vezes em que eu me dispunha a trocar uma fralda, em ambiente familiar ou público, alguns olhares questionavam: “Mas ele vai fazer isso?”.

“Na minha época, homem não colocava a mão em bebê”, “Seu marido é um paizão”, “Ele sabe o que fazer se o bebê chorar?”, “Homem cuidando de criança nunca deu certo”… Estas foram algumas das muitas frases que ouvimos a cada vez que eu exercitava meu simples e nada mais do que obrigatório papel de pai. A Dayane dedica muito mais tempo que eu a eles, então por que não dividirmos as funções e evitarmos sobrecarga? Criar e educar filhos também é parceria!

Ao pai de primeira viagem, o fato de não saber o que fazer e como lidar com um bebê não pode ser motivo para se negar à divisão de afazeres com a mãe. Ninguém nasce sabendo e só não aprende quem não quer!

Na prática tudo se ajeita! É sujando o dedo na troca de fralda, colocando a roupa do avesso ou o calçado errado, fazendo a papinha sem sabor, é lidando com a vida real, solucionando problemas, tendo humildade para pedir socorro quando necessário até conquistar autoconfiança, transmitir confiança àqueles de convivência e, consequentemente, conduzir com leveza esta arte tão natural da qual temos a chance e obrigação de participar plenamente. Até acertar pode ser necessário errar.

Então, não hesite, seja PAI!”

Leia também:

“Foi a melhor decisão da minha vida”, diz pai solo que cria a filha sem a mãe

Pai solteiro adota 5 irmãos de abrigo para que eles não se separassem

Relato de pai: “Quem disse que pai também não troca fralda e não se preocupa?”

    -Publicidade-