Nova variante do coronavírus pode ser mais grave e espalhar facilmente? Veja o que sabemos até agora

A mutação, que apareceu no Reino Unido em setembro de 2020, chegou ao Brasil no final do ano passado, confirmando dois casos em São Paulo. Conversamos com especialistas no assunto e tiramos as principais dúvidas sobre a nova cepa da doença

Resumo da Notícia

  • A nova variante surgiu no Reino Unido, em setembro de 2020
  • Dois casos foram confirmados em São Paulo
  • Entenda se o problema pode afetar a eficácia das vacinas

Descoberta em setembro de 2020, a nova variante do coronavírus tem se espalhado rapidamente ao redor do mundo. Em dezembro, os primeiros casos foram identificados no Brasil, deixando as autoridades sanitárias em alerta. Até o momento, 30 países já têm a mutação identificada.

-Publicidade-
Entenda o que é a nova variante e quais são os impactos (Foto: Getty Images)

A variante, conhecida como B.1.1.7 teve seu genoma mapeado, chegando ao resultado de 23 mutações. Segundo o Imperial College, de Londres, na Inglaterra, isso pode significar uma capacidade de 50% a 70% de maior transmissibilidade. Vale lembrar que ainda não existem dados científicos que comprovem uma maior gravidade do vírus.

Com a chegada da variante no Brasil, os cuidados e medidas de segurança devem ser redobrados apesar do baixo número de casos identificados. A transmissão do vírus ocorre da mesma forma: por gotículas de saliva, ou partículas suspensas no ar. Por isso, as autoridades de saúde reforçam a necessidade do uso de máscaras, distanciamento social e lavagem das mãos com frequência.

-Publicidade-

Para tirar as principais dúvidas sobre o assunto, conversamos com a Dra. Elisa Miranda Aires, infectologista da DaVita Serviços Médicos e o Dr. Paulo Telles, pediatra, pai de Leo e Nina, esclarecendo o que é a nova variante do coronavírus, além de explicar algumas particularidades do problema.

A nova variante

Também conhecida como cepa, a nova variante da Covid-19 significa que o vírus passou por modificações ao longo do ano, sofrendo modificações no seu material genético e mutações que geram variantes ou cepas do mesmo vírus. “A maioria das mutações no genoma do SARS-CoV-2 não tem impacto na função viral. Porém, certas variantes tem ganhado grande atenção por causa de sua rápida emergência dentro das populações e maior potencial para transmissão ou implicações clinicas”, explica a infectologista. Até o momento, a variante mais conhecida é a linhagem B.1.1.7. Apesar de uma possível maior transmissibilidade, não se pode afirmar o mesmo sobre a gravidade, hospitalização, mortalidade ou ainda potencial de reinfecção com as cepas.

A nova variante do coronavírus surgiu em setembro de 2020 no Reino Unido (Foto: Unsplash)

Transmissibilidade

Sobre a transmissibilidade da nova variante, a infectologista explica que as características do problema, por ter se espalhado rapidamente nos locais onde foi identificado, pode sugerir a questão. “Isso significa que em um curto período, os pacientes com diagnóstico de infecção pelo novo coronavírus nessas regiões apresentavam em sua maioria essas cepas detectadas”, comenta. Vale lembrar que ainda será necessário estudos e análises científicas para que seja feita a confirmação.

Sintomas

Apesar da nova variante não ter apresentado novos sintomas, pessoas com casos confirmados no Brasil tiveram dor de cabeça, tosse, dor de garganta, mal estar e perda do paladar. Ainda é necessário mais estudos para analisar se existem outros sintomas da doença.

Novos protocolos de saúde serão necessários?

Segundo os especialistas, todos os protocolos precisam ser seguidos e mantidos, como manter o distanciamento, a lavagem das mãos e ainda o uso de álcool gel e máscara.  “No entanto, se a capacidade de transmissão maior for realmente uma característica, protocolos mais rígidos de contenção da transmissão podem ser adotados, à exemplo do que vem acontecendo em outros países como na Inglaterra”, destacou a Dra. Elisa Miranda.

A eficácia das vacinas pode ser afetadas pelas variantes do coronavírus?

Até o momento, não existem evidências concretas que afirmem qualquer tipo de prejuízo às vacinas em relação às variantes. Caso isso aconteça, o problema pode ser resolvido: “Essa é uma matéria em constante vigilância. Felizmente, caso surjam mutações que comprometam a eficácia das atuais vacinas existentes, os laboratórios possuem mecanismos para alterar a composição vacinal rapidamente que podem ajudar a contornar esse problema”, define.

-Publicidade-