Novo coronavírus tem pelo menos 40 linhagens identificadas no Brasil, afirma Fiocruz

A instituição, que é responsável pela vigilância epidemiológica da Sars-CoV-2 no país, identificou duas variantes predominantes entre elas

Resumo da Notícia

  • A Fiocruz identificou 40 linhagens do novo coronavírus no Brasil
  • A instituição informou que duas delas são predominantes
  • Apesar da quantidade de linhagens, as vacinas não são afetadas com essa informação

Pelo menos 40 linhagens diferentes do novo coronavírus, Sars-CoV-2, já foram identificadas no Brasil pela Fiocruz desde o início da pandemia, em março de 2020.

-Publicidade-
As diferentes linhagens não impacta nas questões da vacina (Foto: Getty Images)

O Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, atuante direto na vigilância epidemiológica do novo coronavírus no país, informou que duas delas são predominantes (B.1.1.28 e a B.1.1.33).

Contudo, mesmo com as variantes do vírus, garantem que as vacinas em desenvolvimento continuam funcionando para todas. “Os dados sugerem que as vacinas em desenvolvimento e as que já estão em aplicação em diversos países terão ótima eficácia contra o Sars-CoV-2 e suas recentes variações, uma vez que, apesar das mutações, as características fenotípicas do vírus parecem não ter sido alteradas. Nenhuma variação que impacte na formulação das vacinas foi detectada”, contou a pesquisadora da Fiocruz, Paola Cristiana Resende, ao jornal O Estado de São Paulo.

A instituição, que é tida como referência para a Organização Mundial de Saúde (OMS), é responsável por fazer o sequenciamento genético do vírus. Dessa forma, é possível controlar tanto mutações quanto a circulação da covid-19 no Brasil.

“Eles (vírus) circulam em todo o mundo e sofrem mutações frequentes. Essa vigilância é fundamental para a formulação da vacina, que tem periodicidade anual, e para a captação de cepas virais de potencial pandêmico”, explicou a pesquisadora.

De acordo com a Fiocruz, as 40 linhagens do vírus identificadas no Brasil vem de várias partes do mundo, sendo a principal a Europa. O trabalho também conclui que as duas variantes mais comuns no país são específicas daqui e não apresentam muitos casos fora.

“E, é claro, estão evoluindo, ganhando novas mutações, pois é esperado que um vírus com um genoma de RNA evolua de forma rápida. Assim, novas sublinhagens podem ser detectadas ou evidenciadas. Entretanto, é extremamente importante ressaltar que uma nova mutação não significa estritamente uma mudança nas características do vírus”, completou a especialista.

Os dados ainda não indicam que o vírus ficou mais transmissível ou causando danos mais severos. Ela garantiu: “Não é momento para pânico. É tempo de prevenção”.