Número de crianças registradas sem o nome do pai cresce 83% em 5 anos

De acordo com dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), cresceu para 83% o número crianças registradas sem o nome do pai, na cidade de Campinas

Resumo da Notícia

  • Segundo dados, subiu o número de crianças registradas sem o nome do pai na cidade de Campinas
  • A Cientista Social, Camilla Marcondes, falou sobre os resultados dessa situação
  • Cerca de 153 crianças não tem o nome do pai na certidão de nascimento

Em cinco anos, aumentou para 83,4% a taxa de crianças que não tem o nome do pai registrado na certidão de nascimento. De acordo dados da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP), na cidade de Campinas, houve 3.573 registros de nascimento – mas em 153 registros apresentam somente o nome da mãe. Em reportagem dedicada ao G1, foi entrevistada a Doutora em ciência sociais e professora da PUC-Campinas, a Camilla Marcondes Massaro – a qual falou sobre as consequências da falta da figura paterna às crianças.

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Em entrevista, a Doutora apresentou os maiores empecilhos que as mães passam ao não contarem com a ajuda do progenitor da criança. Além de, relatar os dilemas que as mulheres sentem com a criação solo de um filho – visto que, não é nada fácil ter essa vivência sozinha.

“As mães acabam sendo bastante prejudicadas no sentido de terem que se responsabilizar sozinhas por uma criança que é de duas pessoas, mas socialmente também é colocado na mulher esse papel da mãe como o amor incondicional, aquela pessoa que abre mão da própria vida para cuidar dos filhos”, disse.

Número de crianças registradas sem nome do pai aumenta para mais de 320 mil durante pandemia
Número de crianças registradas sem nome do pai aumenta (Foto: Getty Image)

A Camilla ainda disse como é moralmente aceitável que um homem tenha um filho, mas não assuma a responsabilidade de criá-lo. “A ideia de guerreira, da mãe guerreira, coisa que não é feita de maneira simétrica com os pais. É muito mais aceitável socialmente o homem que já tem filho de outro relacionamento e que segue sua vida, que se casa de novo, tem outros filhos e às vezes acaba assumindo esses novos filhos, o que não fez com o filho anterior. Acho que tem um problema para as mães, mas certamente tem um problema muito grande para as crianças”, fala.

“Socialmente vem sendo muito falado de um assunto que já existe há muito tempo, mas que agora a gente vê uma propagação maior sobre as mães solo. Aquelas mulheres que são responsáveis integralmente pelos seus filhos, que não têm nenhum tipo de apoio do genitor. Seja apoio financeiro, afetivo”, complementou.

No final, a Doutora disse que, para além de resultados emocionais causados nas mães das crianças, há grandes esferas psicológicas que podem afetar os filhos que não tem o nome do pai registrado na certidão de nascimento. “Esses dilemas todos vão acometendo as crianças até que [elas] tenham outra maturidade, seja para tentar procurar esse pai e saber frente a frente os motivos ou aprender a conviver com essa ausência sendo criado pela mãe e, provavelmente, por uma rede de apoio de outras mulheres”, finalizou.