Família

“O maior problema das famílias hoje é a falta de confiança nos próprios valores”

A psicóloga infantil Daniella Faria defende que, para termos um bom relacionamento com a nossa família, precisamos encontrar um encaixe perfeito que funcione para todo mundo

A REDAÇÃO PAIS&FILHOS

Dani 2

Entrevistamos a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria, mãe de Maria Luiza e Maria Eduarda. Ela começou a trabalhar com crianças por meio dos pais, desenvolveu projetos em parceria com escolas e usa a brincadeira como forma de se aproximar das famílias, principalmente das crianças. Publicou o livro Conversa com Criança – Presença – Caminho com financiamento coletivo e apoio das dezenas de mães que acompanharam seu trabalho nos últimos anos. Há três anos, ela publica em seu site toda semana vídeos que falam sobre educação.

Nessa conversa, Daniella contou para a gente como foi o início de sua carreira, como se envolveu tão de perto com crianças e garante: o que falta para muitas famílias é encontrar um encaixe que seja perfeito para a dinâmica daquela casa. Também nos falou sobre como a culpa que os pais normalmente sentem mais atrapalha do que ajuda, porque muitas vezes os imobiliza. Falamos também sobre responsabilidades, sobre a educação que recebíamos há alguns anos e a educação que tentamos dar para nossos filhos hoje, mas principalmente sobre equilíbrio que buscamos diariamente ao lado dos nossos filhos, como pessoas que ensinam e aprendem todos os dias.

Como você começou a trabalhar com família e com crianças?

Eu saí da faculdade jurando que nunca iria trabalhar com crianças. Para mim era muito difícil essa história dos psicodiagnósticos que viravam a criança do avesso. Então prometi para mim mesma trabalhar só com adultos. E, caminhando nessa direção, passei a trabalhar com um grupo aos finais de semana em que fazíamos o resgate das crianças nos adultos. Passei dois anos nesse curso e quando saí comecei a sonhar direto com crianças. Esses sonhos recorrentes começaram a me despertar. E em uma das madrugadas acordei e escrevi um projeto.

Rápido, assim?! E como era esse projeto?

A ideia era trabalhar com criança de maneira preventiva e dentro da escola em que eu teria contato com os pais e professores e que ela estivesse em um lugar em que se sentia confortável. E, através da brincadeira, eu ia reconhecendo as questões.

 Mas você sempre soube que o problema não é a criança?

A gente está sempre atrás da palavra problema e o problema tem que estar com alguém. Eu te digo que a gente tem um encaixe e ninguém faz nada com ninguém. A gente se encaixa de uma determinada maneira e isso pode ser bom ou ruim. A hora que a gente solta o encaixe, e obviamente a gente solta com os pais, porque são as pessoas mais conscientes, a gente solta a criança e muda a família.

Mas você não acha que existe uma questão de que a responsabilidade é do pai e da mãe? Uma criança não é criada sozinha…

Sim, mas o que eu penso é que o pai e a mãe também são aprendizes. De nada adianta colocá-los nesse lugar único de responsabilidade, entende? Claro que eles têm a responsabilidade e muito mais condição de alimentar esse sistema para o lado positivo ou negativo do que a criança. Só que, antigamente a psicologia colocava o problema nas crianças, depois esse problema passou a ser dos pais. Eu não acho que seja um problema de nenhum dos dois.

Mas hoje sentimos as pessoas perdidas em sua responsabilidade.

Eu acho que os pais têm de ser os resp