O que fazer com os filhos quando os pais estão infectados com covid-19?

Essa pode ser a primeira coisa a passar na sua cabeça ao se imaginar contaminada – ou, se por acaso você foi uma das pessoas que já recebeu o teste positivo para o novo coronavírus. Entrevistamos o Dr. André Laranjeira de Carvalho, Pediatra do Hospital Albert Einstein, que esclareceu essa e outras dúvidas sobre o contágio dentro de casa

Resumo da Notícia

  • "O que fazer com meus filhos se eu e o meu parceiro (a) formos infectados por covid-19?" - essa pergunta pode ter passado pela sua cabeça em algum momento neste período de pandemia
  • Dr. André Laranjeira de Carvalho, Pediatra do Hospital Albert Einstein, responde algumas questões sobre o contágio de covid dentro de casa
  • Ele falou um pouco sobre as medidas a serem tomadas no caso de ambos os pais testarem positivo para a doença
  • É importante se atentar à saúde dos filhos nesse caso
  • O médico também explicou como conversar com os filhos sobre a situação

O número de contaminados pela covid-19 no Brasil só aumenta a cada dia e as chances de mais de uma pessoa da mesma casa se infectarem com a doença são grandes. Mas o que fazer quando isso acontece com pais de crianças pequenas? Como você deve agir em relação aos seus filhos no caso de você e seu parceiro(a) se infectarem com o coronavírus no mesmo momento? Provavelmente essas são questões que passaram na sua cabeça neste período em que estamos enfrentando a pandemia. E para não restar mais dúvidas, conversamos com Dr. André Laranjeira de Carvalho, Pediatra do Hospital Albert Einstein e pai da Sofia e da Manuela, para esclarecer essas dúvidas, presentes em tantas famílias.

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O que fazer com as crianças quando ambos os pais se infectam com covid? (Foto: Getty Images)

Por mais difícil que seja, é essencial que a criança que teve contato com os pais contaminados com a covid-19 também permaneça em quarentena de – pelo menos – 14 dias, como aponta o Dr. André. “Se o pai e a mãe estão infectados e o filho deles teve contato com eles, essa criança deve permanecer com um cuidador temporário, de preferência um que não seja do grupo de risco da covid-19. Esse cuidador deve ajudar a criança a permanecer em quarentena por 14 dias. Durante esse tempo, o cuidador deve observar os sintomas da criança e fazer aquelas ações preventivas diárias, como a higienização dos ambientes, evitar que pessoas do grupo de risco frequentem a casa, verificar a temperatura algumas vezes ao dia”, explica ele. O médico diz, ainda, que se seu filho desenvolver algum sintoma como febre, diarreia ou falta de ar, ele deve ser avaliado por um pediatra e fazer um teste de covid-19.

Caso você não consiga contar com um cuidador temporário para seu filho durante esse período, é importante que evite, pelo menos, contato físico com ele. “Os pais devem permanecer de máscara mesmo dentro de casa, mantendo os ambientes mais ventilados, desinfetando todos os itens que precisam entregar à criança, como talheres, copos e utensílios e objetos em geral”, explica. O médico alerta sobre a importância de ficar atento aos sintomas dos filhos em ambos os casos e, se possível, que a criança também utilize a máscara.

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Como lidar com o comportamento da criança?

Se seu filho for mais apegado a você, provavelmente sentirá muita falta durante esse período de pouco contato, mas calma, não é o fim do mundo! O Dr. André recomenda que, caso seu filho tenha mais de dois anos, que você tente explicar para ele o que está acontecendo. Em uma linguagem que ele entenda, diga que você e seu parceiro(a) estão doentes e, por isso, não podem ficar abraçando ou beijando ele. “No caso de pais e filhos que dormem na mesma cama, eles vão ter que se separar. O seu filho vai precisar dormir em uma cama diferente e, se possível, em um outro quarto”, orienta o médico. “Caso seu filho tenha menos de 2 anos, o ideal é que fique com um cuidador temporário, se não for possível, é importante seguir todas as regras já citadas”, continua.

Como explicar a situação para os filhos?

Para o Dr. André, a melhor maneira de explicar uma condição médica para as crianças é deixar claro que tudo é temporário e que vai passar. “A gente não tem que mostrar pra eles o lado ruim de cara. Eles não têm maturidade para imaginar as consequências e o que pode ocorrer decorrente de uma condição médica, no caso a covid-19”, diz ele.

O médico recomenda que você fale ao seu filho que vocês dois, os pais, estão com um vírus e por isso precisam ficar longe por um tempo, mas que já estão tomando os remédios e que, em breve, vão poder se abraçar novamente. “Uma explicação simples, sem dar muita ênfase à gravidade da situação”, aponta.

Vacinação contra Covid-19: respondemos às perguntas mais comuns e procuradas

Para tirar as dúvidas, conversamos com o médico infectologista Dr. João Prats, da Beneficência Portuguesa de São Paulo, filho de João Antônio e Ana Lúcia, a Dra. Melissa Palmieri, pediatra e coordenadora médica de vacinas do Grupo Pardini, filha de Antônio Carlos e Maria, o Dr. Gerson Salvador, médico especialista em infectologia e saúde pública da Universidade de São Paulo (USP), pai de Laura, Lucas e Luís, a Dra. Melissa Valentini, infectologista e assessora médica do Grupo Pardini, mãe de Luiza e Giovanni, e o Dr. Lívio Dias, infectologista do Centro de Reprodução Humana Santa Joana, filho de José Carlos e Maria Lúcia. Confira algumas respostas:

  • 1. Quanto tempo demora para a vacina começar a fazer efeito?

A partir dos estudos de fase dois, foi possível notar que é necessário 15 dias para se atingir o pico de anticorpos. “Nas vacinas com reforço, as de duas doses, como, por exemplo, a CoronaVac e a de Oxford, apesar da primeira dose já começar a formar anticorpos, é necessário esperar mais 15 dias após a aplicação da segunda dose”, explica João Prats.

  • 2. O que pode acontecer se eu tomar apenas a primeira dose da vacina?

Segundo Gerson Salvador, isso pode prejudicar a produção de anticorpos. “Com uma dose só, a produção de anticorpos, o estímulo ao sistema imunológico, vai ser menor e não consegue garantir a eficácia das vacinas que estão divulgadas se a pessoa não tomar o esquema completo. Então, provavelmente a proteção será menor”.

Veja aqui a reportagem completa e mais perguntas e respostas sobre a vacina contra a covid-19.