Olimpíadas de Tóquio: quem é Muhammad Yunus, o professor e “banqueiro dos pobres”, que marcou presença na abertura?

O economista ganhou o Nobel da Paz, em 2006, por organizar uma rede de empréstimos feitos sem garantias para que famílias pobres pudessem empreender e construir um futuro

Resumo da Notícia

  • Muhammad Yunus criou uma rede de empréstimos sem garantias para famílias carentes em Bangladesh
  • O investidor e empresário ganhou o Nobel da Paz em 2006 por sua iniciativa
  • Em 2021, Muhammad marcou presença nas Olímpiadas de Tókio
  • A ideia de seus projetos é incentivar o empreendedorismo e ajudar pessoas necessitadas

As Olímpiadas começam hoje! E, as 8h, as aberturas deram início à série de jogos que serão sediados em Tóquio, no Japão. Assim, na abertura, um homem chamou a atenção: afinal, quem é Muhammad Yunus, o professor e “banqueiro dos pobres”, que deu um discurso em um dos eventos mais importantes do mundo?

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Muhammad é um empresário, investidor e banqueiro famoso por suas ações filantrópicas em Bangladesh. Em 1993, ele fundou o Grameen Bank – que se responsabiliza por emprestar, sem garantias de retorno, dinheiro para famílias pobres investirem em seus próprios negócios. Incrível!

O objetivo dessa iniciativa é, segundo ele, incentivar o empreendedorismo para que as pessoas possam construir um futuro baseadas em seus próprios negócios – independente de quais sejam. Essa ideia inovadora o levou a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, em 2006. Em evento realizado no Brasil, Muhammad comentou sobre o que planeja a partir do investimento em pessoas carentes.

“Uma questão essencial está na ideia de emprego. Quem disse que nascemos para procurar emprego? A escola? Os professores? Os livros? Sua religião? Seus pais? Alguém colocou isso na cabeça das pessoas. O sistema educacional repete: ‘você tem que trabalhar duro’. Seres humanos não nasceram pra isso. O ser humano é cheio de poder criativo, mas o sistema o reduz a mero trabalhador, capaz de fazer trabalhos repetitivos”, declarou Muhammad.

Muhammad acredita que estamos em um sistema injusto (Foto: Reprodução/ UOL)

“Isso é vergonhoso, está errado”, discordou, ainda, o investidor. “As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor, seguir o próprio caminho. É arriscado, incerto, há frustrações, mas é bem mais estimulante. Arrumar emprego é o que é seguro, garantido. Mas sua vida será limitada ao que decidirem por você”.

Muhammad ainda conta que o amor pelo empreendedorismo, e o incentivo da ideia para as outras pessoas veio de seu próprio pai, que era um pequeno comerciante e sempre o inspirou. “Isso é vergonhoso, está errado. As pessoas precisam crescer sabendo que é uma opção se tornar empregado, mas que existe a possibilidade de ser empreendedor, seguir o próprio caminho. É arriscado, incerto, há frustrações, mas é bem mais estimulante. Arrumar emprego é o que é seguro, garantido. Mas sua vida será limitada ao que decidirem por você”, contou ainda.

O banqueiro deseja, acima de tudo, garantir um sistema mais justo, com iguais oportunidades e divisões mais corretas. E acredita que, através das iniciativas dele, poderá criar um sistema em que as pessoas tenham as mesmas chances de concretizar as próprias ideias. “Tenho falado muito, em diferentes países, a convite de empresários, banqueiros. Então creio que estejam prestando atenção ao que eu digo”, comentou, esperançoso.