Pai cria 6 filhos sozinho após perder a esposa para covid-19: “Me cobro muito mais”

Gracione da Silva dos Santos se tornou multitarefas para cuidar das crianças desde o falecimento da esposa Almiza Cristina Prado, aos 42 anos de idade

Resumo da Notícia

  • Gracione da Silva dos Santos assumiu a missão de criar os 6 filhos sozinho
  • A esposa, Almiza Cristina Prado, morreu de covid-19 aos 37 anos
  • Ele contou como faz para dividir as tarefas entre as crianças e não se sobrecarregar dentro de casa

Gracione da Silva dos Santos assumiu a missão de criar os 6 filhos sozinho, aos 42 anos de idade, depois que a esposa e mãe das crianças faleceu de covid-19. Almiza Cristina Prado tinha 37 anos e chegou a dar à luz uma menina prematura enquanto estava internada com a doença.

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Valentina nasceu prematura enquanto a mãe estava com covid-19 (Foto: Arquivo Pessoal/ Reprodução/ G1)

Valentina está atualmente com 1 ano de idade, e divide a atenção do pai com Thales, de 23 anos, Ayla, de 15, Pedro, com 12, Abraão com 8 e, enfim, Gael, com 3 anos de idade. Sobre as dificuldades de criar todos os filhos, o enfermeiro mandou a real em conversa com o G1.

Graciane cuida dos 6 filhos sozinho (Foto: Arquivo Pessoal/ Reprodução/ G1)

“Eu acho que Deus dá um dom para o homem que é ser pai, e esse dom é maravilhoso. A gente não pode desistir com as dificuldades. Elas estão aí para fazer a gente amadurecer. Têm coisas que só a gente passando para ver”, se emocionou.

Além da esposa, Gracione também perdeu outros entes queridos para a covid-19: o pai, a mãe e a avó. “Nesse último ano, minha vida mudou muito. Depois que minha mulher faleceu, simplesmente depois, meu pai faleceu, um mês depois foi minha avó materna e, a oito dias de completar um ano da perda da minha esposa, minha mãe faleceu. Então, perdi quatro pessoas cruciais na minha vida em menos de um ano”, conta.

A ausência da esposa depois de 15 anos de união mexeu muito com Gracione – principalmente com a chegada da caçula. Mesmo com o auxílio da irmã, ele conta que foi uma tremenda mudança. “Aqui em casa, sempre fomos minha esposa e eu para tudo. Se eu não estava, ela estava. Um complementava o outro. Sem ela, foi bem complicado no início e ainda é complicado”, desabafa.

Graciane e a esposa, Alzima (Foto: Arquivo Pessoal/ Reprodução/ G1)

Para não se sobrecarregar com as tarefas de cuidar da casa e dos filhos, Graciane revela a divisão que estabeleceu com as crianças. “Eles são muito bons. São muito companheiros. Sabem das dificuldades que eu tenho, porque eles são muitos, para eu poder dar atenção, para fazer as coisas”, disse. “Converso muito com os meninos. Falo para eles que sou pai, mas sou amigo deles, acima de tudo. Sempre converso com eles e explico os benefícios que tem a Internet e os malefícios”, ainda complementa, sobre a criação dos filhos.

O falecimento da mulher aumentou as cobranças em cima do enfermeiro – a maioria delas vindas dele mesmo. “Agora, me cobro muito mais. A gente acaba se anulando. Você deixa de fazer muita coisa. Eu não faço quase mais nada em prol de mim, é mais por causa deles. Mas, uma coisa que eu gosto na vida é ser pai. Sempre quis ser pai”, revela, contudo.