Pai de duas desabafa sobre paternidade e fala da importância do choro: “Deveria ser obrigação”

“A paternidade me trouxe sentimentos, emoções e tipos de choros que eu não sabia que existiam”

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Rafael Brais é jornalista, pai de duas meninas e divide a guarda com a mãe delas. Linda, de 11 anos, e Olívia, de 5, chegaram para provar que sim, homem chora – principalmente se ele for pai.

“Pai também chora. Deveria ser obrigação, inclusive. As lágrimas ajudam a baixar a poeira de momentos ruins e eternizar os instantes bons. É regar a alma. Pode chorar nos abraços das filhas ou por estar longe delas. Também pode por medo, felicidade, em propaganda de televisão e em tudo que tiver vontade. Confesso que meu lado emotivo se potencializou em 2007, quando minha primeira filha, Linda, nasceu, e mais ainda quando a caçula, Olívia, chegou em 2013. Ser pai me trouxe, principalmente, a certeza de que uma nova e fantástica etapa da vida havia iniciado. E com a paternidade veio também uma mistura de sentimentos, emoções, dúvidas, responsabilidades e choros (claro). Dia desses, quando levei a Olívia ao cinema, quase desidratei por causa das várias cenas fofas do filme animado. E foi assim em vários outros momentos, como em uma apresentação de balé da Linda na escola.

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Independente da fase que elas estejam vivendo, o meu choro é libertador. E digo mais: chorar para nós, adultos, é como o recreio escolar para nossos filhos. É um intervalo nesse mundo de trabalho, paternidade, internet, compromissos e decisões que nos afrontam todos os dias. No caso dos pais, chorar também é uma reafirmação de que os estereótipos de séculos passados, de que “homem não chora”, já não ditam e nem editam as informações que o coração manda pro cérebro. É, acima de tudo, um direito físico e mental.

Outro dia, após minha semana com as filhas – sou separado e dividimos absolutamente tudo –, deixei as meninas com a mãe e voltei para dar uma organizada na casa. A faxina foi pesada, com direito a passar pano com produto no chão e lavar as capas das almofadas. E foi de dentro de uma delas que um papel com as letrinhas tremidas da Olívia caiu. Era parte de uma de nossas brincadeiras de caça ao tesouro, meses atrás. Foi um chororô só. Minha psicóloga me explicou que, quando criança, o nosso choro é o meio de interagir e ter os desejos atendidos. E a medida que envelhecemos, a necessidade de chorar ainda se faz presente quando precisamos liberar nossas tensões, raivas, estresses, frustação, medo ou até a alegria. Ou seja, o ato de chorar é fundamental para conseguirmos elaborar e trabalhar as emoções. É como se fosse uma válvula de drenagem que podemos utilizar para lidar com os pesos da nossa existência.

Então, pais que me leem, se quiserem ou acharem que é preciso, não tenham receio de chorar. Isso não vai te fazer menos pai ou menos homem. Não se incomode. Preocupe-se em ser protagonista na vida dos filhos. Brinque, dê educação, apoio e broncas. Vá às reuniões da escola, divida as responsabilidades com a mãe. Esteja presente sempre. Seja protagonista. Isso sim vai te fazer um pai (e um homem) de verdade. E o choro? Ah… o choro é livre!”

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