Família

Pai de menino com doença rara usa dinheiro de campanha para esbanjar com itens luxuosos

João Miguel, de um ano, tem atrofia muscular (AME) e recebeu mais de R$ 1 milhão para pagar as doses do remédio

Ingrid Campiteli

Ingrid Campiteli ,filha de Sandra e Paulo

(Foto: Reprodução / TV Globo)

Mateus Henrique Leroy Alves, de 37 anos, é pai de João Miguel, de 1 ano e sete meses, que tem atrofia muscular espinhal (AME) e recebeu mais de R$1 milhão doado em uma campanha feita para o tratamento da doença. Porém o dinheiro que seria usado para o medicamento do filho era esbanjado pelo pai que foi acusado de usar cerca de R$600 mil da campanha em passeios, perfumes caros, relógios e roupas de marca.

No último programa do Fantástico (28), os investigadores descobriram que a vida de ostentação de Mateus começou em Minas Gerais. Durante nove dias de maio de 2019, o pai gastou mais de R$ 7 mil para se hospedar em um motel em BH, na suíte mais luxosa, junto com adega de vinho importados, frigobar e outros luxos.

Com autorização da Justiça, a Polícia Civil gravou conversas por telefone entre Mateus e uma mulher que dizia que confiava no homem de olhos fechados e o defendia. O diálogo foi divulgado pelo Fantástico e até então os planos de Mateus em abrir uma casa de prostituição com o resto do dinheiro não deram certo. Na semana passada, ele foi preso no quarto onde estava hospedado em Salvador e levado para Minas Gerais, tudo por conta da mulher, Karine Rodrigues, a responsável pela denúncia que considerou suspeita a atitude e pediu bloqueio judicial das contas.

“Ele fala que gastou cerca de R$ 600 mil, ele efetivamente gastou, sendo que R$ 300 mil foram gastos com farra com mulheres, com bebidas e com drogas. E [com] o restante do dinheiro, ele alega que estava sendo extorquido”, explicou o delegado Daniel Gomes ao Fantástico.
Para a defesa, Mateus foi vítima de extorsão. “A história que ele me contou parece que é a mesma que ele já contou para o delegado, que ele foi, na verdade, extorquido, né? [Isso aconteceu] quando ele foi para Belo Horizonte fazer um curso de segurança. Um curso interessante, porque parece que foi a própria irmã que pagou. Ele foi fazer o curso e conheceu uma pessoa que o levou até uma boca de fumo. Nessa boca, ele comprou droga (…) e pensou em fazer uma sociedade com um traficante. Esse traficante, então, talvez não sei se já sabia ou investigou um pouco sobre o Mateus, descobriu sobre a campanha, dos valores da campanha e, em cima disso, começou a extorquir [dinheiro] do Mateus”, disse o advogado Túlio César de Melo Silva.
A cidade mineira de Conselheiro Lafaiete, onde a família vive, recebeu a notícia com muito espanto, já que os moradores se uniram para arrecadar dinheiro para o tratamento de João Miguel que foi encerrada em junho quando a família conseguiu na Justiça o direito de receber três doses do remédio via SUS. O dinheiro para as outras três doses que ele precisava tomar estava na conta do pai que acabou sendo gastos com produtos de luxo.
Para o delegado, a campanha deve continuar e isso não deve ser impasse para o João. “A causa é nobre, a campanha deve continuar em prol do João Miguel e da mãe dele (…) O único que deve ser responsabilizado com essa história toda é apenas o pai que cometeu essa atitude criminosa. O menino não deve ser responsabilizado, pelo contrário, acredito que seja o momento até de ganhar força para que ele consiga o tratamento e consiga continuar sobrevivendo”, explicou Daniel Gomes.
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