Pai de menino esquecido em carro pela babá desabafa: “Ela dizia que gostava dele”

Arthur Oliveira dos Santos morreu por asfixia e sufocamento aos 2 anos de idade. Os pais querem justiça

Resumo da Notícia

  • Arthur, de apenas dois anos de idade, foi esquecido dentro de um carro pela babá
  • A mulher informou que tinha deixado ele por 15 minutos, mas foi por cerca de 3 horas
  • A família pede justiça pela morte do bebê

O pai do menino Arthur Oliveira dos Santos, de 2 anos, que faleceu nesta quarta-feira, 25 de agosto, após ser esquecido pela babá dentro de um carro por mais de 3 horas, em Bauru, conta que o trabalho de Glaucia Aparecida Luiz foi indicação de um amigo. O casal decidiu colocar o filho na creche irregular pois precisavam trabalhar muito, devido à crise econômica causada pela pandemia da Covid-19.

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A família ficou desolada (Foto: Reprodução/ G1)

Em entrevista ao portal G1, Fabrício Lucas dos Santos explicou que pensava que a esposa Karina Oliveira de Souza dos Santos, mãe do menino e operadora de telesserviços, fosse trabalhar apenas quando Arthur já tivesse idade para ir à escola, mas como a mulher precisou completar a renda da família, ela não pode esperar e precisou voltar ao trabalho.

O pai disse: “A gente deixava ele lá por conta do trabalho. Eu e minha esposa. A minha ideia mesmo era que depois que ele começasse a ir pra escola, minha esposa voltaria a trabalhar, mas as coisas não iam muito bem financeiramente com o aumento de tudo por causa da pandemia e minha esposa precisou trabalhar antes do previsto”.

Segundo Fabrício, a indicação de Glaucia foi feita por um amigo do trabalho e por outras pessoas que também deixavam os filhos com ela e deram boas referências. O pai ainda contou que durante o período em que o Arthur vinha sendo cuidado por Glaucia, nunca houve nenhum problema. Ele falou: “Foi indicação de um amigo meu que trabalhava comigo, de pessoas que deixavam os filhos com ela de até mesmo 6 meses de idade. O Arthur nunca chegou sujo, com fome, sempre limpo e bem alimentado. Nós nunca tivemos do que reclamar”.

Ao portal R7, Fabrício contou que a criança gostava de ficar com Glaucia. Ele disse: “Até chorava para não ir embora. Eu buzinava, ele saía correndo. A gente jamais imaginaria que uma coisa dessas iria acontecer.[A família tinha] boas referências [da creche]. [A cuidadora era] pessoa de boa índole. Nunca tivemos o que reclamar. O Arthur nunca chegou em casa sujo ou com fome. Sempre foi bem tratado. Aconteceu essa fatalidade. Não tenho palavras”.

Como os parentes do casal moravam em outra cidade e não podiam cuidar do menino, eles acharam que a creche irregular seria uma boa opção. No entanto, apesar de deixar claro que acreditava que o filho era bem cuidado pela babá, Fabrício destaca que após saber que Glaucia mentiu para ele e também no depoimento, dizendo que havia esquecido seu filho por apenas 15 minutos, sua tristeza se transformou em revolta.

O pai disse: “Ela falou pra mim que deixou o carro lá, com o bebê e o vidro um pouco aberto. Ela falou que entrou para dentro para trocar duas crianças e quando voltou depois de 15 minutos ele estava desmaiado. Até ontem eu achava que era isso que teria acontecido, mas depois, quando eu vi a verdade na mídia, isso mudou completamente. É uma coisa que eu não sei o que falar, não sei o porquê ela fez isso. Ela dizia que gostava tanto dele e que onde ela ia, ele ia atrás, mas como ela esqueceu o Arthur por tanto tempo?”.

Fabrício contou que soube do acidente enquanto trabalhava e que, quando chegou ao hospital, já encontrou o filho morto, e agora espera que a justiça seja feita. “Eu fico triste, triste mesmo. Seria melhor ela ter falado a verdade, dito que esqueceu. A gente fica um pouco revoltado porque era uma coisa que poderia ser evitada. A Justiça está aí, e esperamos que ela pague pelos atos dela conforme a justiça julgar. Se eu for lá bater, xingar, nada disso vai trazer meu filho de volta, eu entrego nas mãos de Deus, porque Deus é justo”, disse o pai

Entenda o caso

Em Bauru, interior de São Paulo, uma criança de apenas 2 anos morreu nesta quarta-feira 25 de agosto, depois de ser esquecida dentro de um carro pela babá. A polícia foi acionada no fim da tarde após a cuidadora Glaucia Aparecida Luiz levar o menino a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A criança chegou sem vida ao local e a mulher responsável foi presa.

Segundo a Polícia Civil, o menino Arthur Oliveira dos Santos estava sob os cuidados de Glaucia que seria, junto com a filha, responsável por mais de 10 crianças em sua casa, em uma espécie de creche irregular. O delegado Mário Henrique de Oliveira afirmou: “Ela tem um estabelecimento clandestino onde ela e a filha cuidam de mais de 10, 12 crianças. Ela leva essas crianças para lá e para cá, não tem uma estrutura. E outra: ela esqueceu essa criança no carro e ela não notou a falta da criança dentro da casa”.

A cuidadora foi presa por homicídio com dolo eventual e teve a prisão preventiva decretada. A defesa da mulher entrou com um pedido de liberdade provisória nesta quinta-feira, 26 de agosto, pois “nunca houve a intenção de ocasionar tal resultado”. A defesa completou: “Glaucia e a família vêm colaborando veemente com as investigações afim de esclarecer os fatos, até porque Glaucia não teve a intenção de levar a criança a óbito, tampouco de machucá-la. A defesa repassa as condolências e mais sinceros pêsames de Glaucia e sua família para os familiares do menino Arthur”.

Investigações

Câmeras de segurança mostraram que o menino ficou pelo menos 3 horas sozinho no veículo, com as janelas fechadas. é possível observar que em dado momento a criança se movimenta e tenta abrir as portas, além de bater no vidro, mas não encontra socorro. Segundo o portal G1, o delegado Mário Henrique de Oliveira afirmou que Arthur ficou das 13h45 às 16h51, dentro do carro fechado.

Câmeras de segurança confirmam que a criança ficou dentro do carro por cerca de 3 horas (Foto: Reprodução/ YouTube)

De acordo com o portal UOL, a babá confirmou que havia deixado a criança no carro, mas que pretendia “voltar logo para buscá-la” e que, após um “atraso”- não especificado, encontrou o menino desacordado no banco de trás. Na UPA foi constatado sinais de desidratação e sufocamento, mas o corpo da criança foi encaminhado para o IML e a causa da morte será investigada

O caso foi registrado como homicídio pelo plantão da Delegacia Seccional de Bauru, que solicitou exames periciais, e agora será investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. O corpo do menino foi velado em Bauru e o enterro ocorreu na tarde desta quinta-feira, 26 de agosto, no cemitério municipal de Macatuba, em São Paulo.