Pai suspende trabalho para acompanhar filho cadeirante no primeiro emprego como supervisor no Piauí

Francisco de Assis Moura e o pai, Juvenal Mendes, estão trabalhando juntos no centro de Picos, no Piauí. Os dois já contam com uma semana de emprego

Resumo da Notícia

  • Pai e filho começam a trabalhar juntos para ajudar o jovem cadeirante
  • Juvenal é pai de Francisco e deixou o emprego que estava para dar apoio ao filho
  • Acessibilidade de PcDs no mercado de trabalho não é justa, mas passou a aumentar nos últimos tempos

Francisco de Assis Moura é cadeirante e tem 28 anos. Piauiense, conseguiu seu primeiro emprego como Supervisor de Área no Censo Demográfico. O trabalho do jovem se encontra na cidade de Picos e, para realizar sua pesquisa de campo, acabou ganhando a ajuda do pai, o agricultor Juvenal Mendes, para seguir na nova carreira.

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Francisco de Assis Moura e pai
Francisco de Assis Moura e Juvenal Mendes trabalhando juntos no estado do PI (Foto: Rede Clube)

O mais novo trabalhador está atuando para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e é o orgulho de seu pai. “É uma atribuição de muita valia, de muita responsabilidade, tem que ter muito conhecimento técnico a respeito do assunto”, comenta o filho.

Francisco se sente muito grato pelo esforço que o pai fez para acompanhá-lo e disse ao G1 que o pai é suas “duas pernas”. Por conta de uma paralisia cerebral, acabou perdendo o movimento das pernas e dos braços quando pequeno. Teve também sua fala comprometida, mas nunca desistiu de procurar a vitória em sua vida.

“Quando eu comecei a levar ele pra aula, pequenininho, aí o pessoal dizia ‘rapaz, tu é doido, vai trazer uma pessoa dessa pra escola’ e aí eu dizia que meu filho era inteligente, ‘olha, um dia ele vai ser gente.’ Olha aí onde é que ele tá hoje”, contou Juvenal.

(Foto: Shutterstock)

Em um país onde as condições não são iguais para todos, Francisco reconhece tal conquista e é grato: “Eu sei o tanto que não funciona as coisas pras pessoas com deficiência, eu falo em Picos e por aí, no Brasil. Existe a lei mas não existe a aplicabilidade dela”.

No Brasil, apenas 456,7 mil pessoas com deficiência possuem emprego, segundo o mercado de trabalho formal. Sendo assim, menos de 1% do total de empregos formais do Brasil são ocupados por essas pessoas, por mais que a taxa de inclusão no mercado esteja crescendo constantemente nos últimos anos, fator dado também pela Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (8.213/91).