“Parece uma guerra mundial”, desabafa enfermeira sobre a situação do coronavírus na Itália

Roberta Re está na região de Emilia-Romagna, a segunda com o maior número de casos no país. O coronavírus já atingiu mais de 15 mil pessoas


(Foto: Getty Images)

Uma enfermeira da Itália, país da Europa mais atingido pelo novo coronavírus, comparou a situação do país com uma guerra. “É uma experiência que eu compararia com uma guerra mundial. Mas é uma guerra em que não dá para lutar com armas tradicionais, uma vez que ainda não conhecemos o inimigo”, descreveu Roberta Re, enfermeira do hospital de Piacenza, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

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Roberta está na região de Emilia-Romagna, a segunda com o maior número de casos. A Itália declarou quarentena em todo território para conter a doença no país, que já atingiu mais de 15 mil pessoas.

“Geralmente sou uma pessoa alegre, converso e brinco com todo mundo…mas agora há dias em que choro e fico deprimida”, acrescentou Roberta. Outros profissionais da saúde também fizeram desabafos sobre a situação. “O que estamos experimentando não é uma gripe normal, estamos recebendo 40 casos por dia de pneumonia na sala de emergência”, explicou Andrea Vercelli, que também trabalha no hospital de Piacenza.

Uma outra enfermeira da Itália, Alessia Bonari, também relatou o dia a dia do trabalho em hospitais italianos em uma publicação no Instagram. “Estou fisicamente cansada porque os dispositivos de proteção são ruins, o jaleco me faz suar e, uma vez paramentada, não posso mais ir ao banheiro ou beber água por seis horas”, escreveu.

 

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Sono i un’infermiera e in questo momento mi trovo ad affrontare questa emergenza sanitaria. Ho paura anche io, ma non di andare a fare la spesa, ho paura di andare a lavoro. Ho paura perché la mascherina potrebbe non aderire bene al viso, o potrei essermi toccata accidentalmente con i guanti sporchi, o magari le lenti non mi coprono nel tutto gli occhi e qualcosa potrebbe essere passato. Sono stanca fisicamente perché i dispositivi di protezione fanno male, il camice fa sudare e una volta vestita non posso più andare in bagno o bere per sei ore. Sono stanca psicologicamente, e come me lo sono tutti i miei colleghi che da settimane si trovano nella mia stessa condizione, ma questo non ci impedirà di svolgere il nostro lavoro come abbiamo sempre fatto. Continuerò a curare e prendermi cura dei miei pazienti, perché sono fiera e innamorata del mio lavoro. Quello che chiedo a chiunque stia leggendo questo post è di non vanificare lo sforzo che stiamo facendo, di essere altruisti, di stare in casa e così proteggere chi è più fragile. Noi giovani non siamo immuni al coronavirus, anche noi ci possiamo ammalare, o peggio ancora possiamo far ammalare. Non mi posso permettere il lusso di tornarmene a casa mia in quarantena, devo andare a lavoro e fare la mia parte. Voi fate la vostra, ve lo chiedo per favore.

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Estou psicologicamente cansada também e todos os meus colegas estão na mesma condição há semanas, mas isso não nos impedirá de fazer o nosso trabalho como sempre fizemos. O que peço a quem está lendo este post é não frustrar o esforço que estamos fazendo, ficar em casa e, assim, proteger os mais frágeis. Eu não posso me dar ao luxo de ficar em casa, mas você que pode, por favor o faça”, desabafou.