Família

Patrícia Maldonado fala sobre deixar o Brasil para viver nos EUA com as filhas: “Me sentia culpada por trabalhar muito”

Em entrevista exclusiva à Pais&Filhos, a jornalista contou que sua rotina mudou totalmente com a escolha e que não poderia estar mais feliz

Jéssica Anjos

Jéssica Anjos ,filha de Adriana e Marcelo

Patrícia vive com a família há quatro anos nos Estados Unidos (Foto: reprodução / Instagram / @patriciamaldonado)

A jornalista Patrícia Maldonado é casada com o apresentador Guilherme de Arruda. O casal tem duas filhas, Nina, de 7 anos, e Maitê, de 6 anos. A família se mudou para os Estados Unidos há quatro anos e durante entrevista exclusiva para a Pais&Filhos, a apresentadora contou sobre a gestação e criação das meninas e também falou sobre os desafios da nova fase de vida, morando fora do país. Patrícia diz que é incrível a satisfação de ver o aprendizado e vivência que está proporcionando às filhas.

“Sempre quis ter filhos, mas fui adiando, como muitas mulheres da minha geração, por causa da carreira“, diz a jornalista. Patrícia disse que quando conheceu o marido, esqueceu essa coisa do “momento certo para engravidar“. Conversando com Guilherme, os dois decidiram deixar rolar.

Então não foi nada planejado. “Parei de tomar o contraceptivo sem me cobrar e depois de dois meses eu estava grávida da minha primeira filha”, relembra. E a gestação de Maitê, segunda filha do casal, foi menos planejada ainda! “Estava organizando a festa de um ano da Nina e iríamos fazer uma viagem para um local com surto de sarampo, por isso o médico mandou vacinar todo mundo. Como é proibido tomar durante a gestação, ele me mandou fazer um exame só para ter certeza e eu estava grávida”, conta.

Quando conversamos sobre a criação das meninas, a jornalista disse que as duas famílias, por parte dela e de Guilherme, sempre foram muito presentes na vida deles e quando houve a mudança para os Estados Unidos sentiu muita falta dessa rede de apoio. “Nos mudamos quando a Maitê tinha três anos e Nina, cinco. No início senti falta dos familiares, mas já tenho grandes amigos aqui. Não substituem, mas fazem parte da rede”, explica.

Fora do país

A rotina da família mudou bastante em terras norte-americanas. “Aqui a gente não tem quase ajuda, não tenho empregada todo dia. Tenho uma faxineira, mas babá o dia inteiro é raro”, comenta. Esse esquema de vida tem muita relação com a cultura americana que não costuma ter ajudantes em casa. “Se você não se organizar, não dá certo. Eu estava acostumada a ter funcionárias no Brasil. Eu tive que aprender sozinha coisas que não sabia, como cozinhar”, relembra.

Patrícia com o esposo Guilherme e as filhas Maitê e Nina (Foto: reprodução / Instagram / @patriciamaldonado)

O casal escolheu a Flórida como novo lar e tem explicação. “Escolhemos viver em Orlando, porque já tínhamos vários amigos aqui e é um lugar com bastante brasileiro”, explica. Segundo a jornalista, a adaptação da família ao novo país não foi tão difícil por causa disso. “Quando alguém vai morar num lugar superfrio ou que não tem nenhum brasileiro deve ser mais complicado”, comenta.

Mas é claro que sempre existem obstáculos e a escola foi um deles. As meninas faziam inglês no Brasil, mas na rotina americana é bem diferente. “Porém também demorou uns 6 meses para se adaptarem. Hoje em dia eu peço alguma coisa em inglês em um restaurante e elas me corrigem!”, brinca.

Patrícia compartilhou com a gente que na classe de Maitê e Nina têm brasileiros. Mas as meninas também têm contato com uma diversidade gigantesca cultural. “São amigas de crianças da Índia, China que também vieram de seus países para cá”, conta. Todas estarem na mesma situação, de ter que se adaptar, ajuda bastante.

“É a coisa mais linda do mundo, elas dormem na casa de uma menina do Havaí e voltam com histórias incríveis”, comenta. Patrícia disse que costuma dizer para o marido que além de aprender o inglês, o mais legal é as crianças conseguirem ter essa experiência de vida. “Elas nem percebem que estão aprendendo”.

A jornalista brinca dizendo que hoje as meninas falam inglês melhor que ela (Foto: reprodução / Instagram / @patriciamaldonado)

Mãe também é gente

Patrícia faz questão de ter um tempo para si mesma de vez em quando. “Todo ano viajo só com as minhas amigas. Normalmente a viagem acontece em Junho”, explica. Elas já foram para Ibiza, Bahamas e este ano foram para Nova York em janeiro. Segundo a jornalista, não tem problema nenhum em casa, a família entende a necessidade e importância desse momento. “Não tem drama, nem reclamação quando eu falo que vou”.

No dia a dia, Patrícia também faz questão de ter um tempo só para ela, seja praticando esporte, indo ao cabeleireiro, almoçando com as amigas. Ela entende a importância disso na vida da mãe. Porque mãe é mulher, esposa, profissional e não pode se esquecer disso.

O blog “Família Muda Tudo” surgiu nessa pegada. “Quando mudei de país senti uma necessidade de compartilhar o que estava vivendo. Queria escrever, colocar para fora de algum jeito”, relembra. As pessoas começaram a gostar da ideia e fazer perguntas à jornalista sobre a viagem. “Elas escrevem para mim pedindo ajuda. Eu escrevo bastante sobre a ansiedade, diferença da escola. O engraçado é que depois de um tempo encontro a pessoa por aqui”.

Embora Patrícia se sentia muito culpada por ter que trabalhar quando as meninas eram pequenas, entendeu a importância que o jornalismo tinha na sua vida. “Trabalhava de feriado, tinha festinha da escola e eu não conseguia ir porque estava de plantão. Mas percebi que elas sentiam orgulho de mim quando eu dizia que tinha que trabalhar. Percebo que minhas filhas ficam felizes por saber que estou realizada profissionalmente”, conta.

Patrícia veio para o Brasil cobrir o Carnaval 2019 na Band folia (Foto: reprodução / Instagram / @patriciamaldonado)

Culpa não

“Eu consegui perceber que tenho a necessidade de me cuidar, tomar um café com uma amiga, viajar, trabalhar e naquele momento não nem mãe, nem esposa”, diz Patrícia. E quando questionada sobre a culpa da maternidade e o conselho que ela tem para outras mães, a apresentadora disse que não dá para dizer como se livrar disso para outra mulher. “Você precisa sentir essa necessidade de ter um tempo seu e começar a fazer. Naquele dia pode ter culpa, mas quando voltar para casa terá a sensação de que aquilo fez bem”.

Patrícia apontou um problema de julgamento muito sério entre as mães. “Internet ajuda em vários aspectos, mas o julgamento é um mal do mundo online”. Ter que ter um parto normal, amamentar até os dois anos, são rótulos que ficam na cabeça das mulheres e a jornalista defende que é preciso parar de se cobrar.

“O que eu mais vejo são mães com dificuldade para voltar a trabalhar depois dos filhos. Precisamos encontrar um equilíbrio. Deixe a culpa de lado e seja quem você quer ser”, aconselha. Patrícia disse que voltou a abraçar o lado profissional e, inclusive, este ano estará na Band Folia cobrindo o Carnaval de 2019.

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