Perfil fake usa fotos de criança falecida para conseguir dinheiro e pais denunciam: “Monstruoso”

A família de Lucas Miguel, que faleceu em junho de 2020, prestou queixa na Polícia Civil após descobrir que fotos do menino estavam sendo usadas por golpistas

Resumo da Notícia

  • Perfil fake usou foto de criança falecida para conseguir dinheiro
  • A família de Lucas Miguel, que faleceu em junho de 2020, prestou queixa na Polícia Civil
  • O pai do menino descreve a atitude como "monstruosa'

Perfil fake usou fotos de criança falecida para conseguir dinheiro e pais denunciaram o caso na quinta-feira passada, 17 de março. Lucas Miguel faleceu em junho do ano passado por complicações de mielomeningocele, uma doença que não permite a medula espinhal se desenvolver corretamente.

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Pai de Lucas Miguel comenta sobre o acontecimento (Foto: Reprodução/Facebook)

Os pais prestaram queixa na Polícia Civil depois de descobrirem que um perfil fake no Facebook estava usando fotos da família e de Lucas Miguel para arrecadar dinheiro, com a comoção dos internautas. Antônio Luiz Junior, pai do menino, contou ao G1 que descobriu o que estava sendo feito por conta de uma busca na internet e que as fotos vêm sendo usadas desde 2014.

Diversas publicações foram feitas usando imagens de Lucas Miguel, sendo uma delas um anúncio de venda de um videogame. O perfil fake alegava que estava vendendo, pois, não tinha tempo para jogar e que “seu” menino está doente. “Fotos do meu casamento, fotos com os meus irmãos, meus sobrinhos, vídeos de mim em casa com a minha filha, quando ela nasceu. Tudo isso era postado. Esse pessoal pensava que vivia a minha vida na rede social”, disse Antônio.

O pai, além de denunciar à Polícia, também postou um vídeo em seu Facebook alertando sobre os golpes que podem acontecer na internet e que as fotos do filho estão sendo usadas de forma incorreta e negativa. Para conferir o vídeo, clique aqui.

A família disse que uma mulher entrou em contato e prometeu não usar mais as fotos. Porém, continuou fazendo negociações com outras pessoas em nome da família de Lucas Miguel. “O intuito foi dar a chance para a pessoa se desculpar e ver que errou. Eu acredito que as pessoas erram e, não é porque elas erram, que serão esse erro para sempre. Aí levei outro tapa na cara. A pessoa mentiu novamente para mim, usou a minha dor dizendo que também tinha perdido um filho”.

Segundo Antônio, a família está com medo de andar na rua. “Eu não sei o que essa pessoa pode ter feito, quantas pessoas ela já enganou com a minha foto. Estamos com medo de andar na rua, de levar uma represália ou apanhar de alguém. Sentir que uma pessoa pode entrar nesse espaço sagrado e usar isso para benefício próprio é monstruoso.”

Contas e páginas que se passam por outras pessoas violam os padrões da comunidade do Facebook  (Foto: Getty Images)

 

O caso foi registrado no 33° Distrito Policial de São Paulo como invasão de dispositivo informático. O Facebook se posicionou dizendo que contas e páginas que se passam por outras pessoas violam os padrões da comunidade e são proibidas, além de ressaltar a importância da denúncia em casos como este.

Lucas Miguel batalhou contra a doença, que foi diagnosticada antes mesmo de seu nascimento, por dois anos. A família, que residia em Sorocaba, se mudou para São Paulo em 2018 por conta dos tratamentos do filho, que chegou a passar por 13 cirurgias. “A passagem dele ensinou tanto a gente e não tem como ser de outra maneira a não ser agradecer. Ainda estamos em choque e estamos tentando ver o que dá para fazer para que essa pessoa pague por isso e que desvincule tudo o que é nosso.”

Os pais disseram que as publicações de fotos do filho eram com o intuito de mostrar as pessoas um exemplo de força: “A gente fazia questão de compartilhar o sorriso dele, a alegria dele, os momentos felizes dele. Ele tinha muitos momentos difíceis no dia a dia, mas ele vivia sorrindo. Então, fazíamos questão de mostrar como um aviso de que, por mais que a vida bata, a gente tem que sorrir”, disse o pai Antônio.