Pesquisa inédita mostra desenvolvimento socioemocional de alunos da rede estadual de São Paulo

O mapeamento, feito em parceria com o Instituto Ayrton Senna, trouxe informações do período pré-pandemia na realidade de 110.198 estudantes do ensino público estadual, em relação a capacidades individuais que se manifestam na forma de sentimentos, pensamentos e comportamentos

Resumo da Notícia

  • O mapeamento de desenvolvimento das competências socioemocionais foi publicado em novembro de 2019
  • Participaram do estudo 110.198 alunos da rede estadual de São Paulo
  • Na pesquisa, foi possível ter a percepção de como esses estudantes olham para si próprios e compreender quais são os impactos das competências socioemocionais na vida escolar

Durante uma coletiva virtual realizada na última terça-feira, 18 de maio, o secretário da Educação, Rossieli Soares, e a gerente executiva do EduLab21 do Instituto Ayrton Senna, Gisele Alves, apresentaram os resultados de um mapeamento inédito sobre a situação socioemocional dos alunos da rede estadual paulista. A pesquisa foi realizada em novembro de 2019, com 110.198 estudantes de São Paulo.

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Nela, foi possível analisar em diferentes recortes questões como: responsabilidade e empatia, autoconfiança, determinação e curiosidade para aprender, além de persistência e confiança. Contudo, pode-se dar foco também em situações de violência escolar e retratar o bullying como vítima e também na visão do intimidador.

Atenção às vítimas de bullying

Quando ao bullying classificado na violência escolar, foi possível notar com a pesquisa que uma grande parte dos alunos sofreu com a situação até 30 dias antes do questionário. Já quando os “intimidadores”, foi visto que 10% respondeu cometar essa prática na escola.

A principal questão de zombamento foi em relação a aparência do corpo, seguidos por aparência do rosto, cor e raça. Em todas as séries analisadas, foi identificado um índice de mais de 30% dos alunos que tiveram sua autoconfiança afetadas.

Mas afinal, o que são as competências emocionais?

Segundo o instrumento de pesquisa, é possível definir as competências socioemocionais como “capacidades individuais que se manifestam na forma de sentimentos, pensamentos e comportamentos”. Além disso, todos eles são maleáveis e desenvolvidos ao longo da vida de maneira estruturada e também emocional.

De maneira positiva, as competências como amabilidade, engajamento, abertura ao novo, resiliência emocional e autogestão auxiliam na saúde, bem-estar, aprendizado, permanência escolar e mais resultados benéficos que prevalecem ao longo da vida do estudante. 

As competências emocionais são capacidades individuais que se manifestam na forma de sentimentos, pensamentos e comportamentos (Foto: Shutterstock)

Percepção das competências socioemocionais

Quando comparado às outras séries, os alunos do 9º ano identificaram que estão menos desenvolvidos em relação aos demais anos avaliados no estudo. Com isso, justamente por demonstrar um crescimento não linear, foi possível notar uma diminuição na percepção das competências socioemocionais, seja por questões relacionadas ao desenvolvimento na adolescência, ou contextuais.

Ainda sobre os alunos do 9º ano, há uma menor percepção de si próprio sobre o desenvolvimento, resultando em uma maior dificuldade para dizer o que pensam, interagir com os colegas e tirar dúvidas durante as aulas. Isso impacta diretamente em questões de assertividade, entusiasmo e também iniciativa social, que podem trazer impactos futuros para a criança ou adolescente.

No quesito de confiança, os estudantes do 5º ano se veem com uma maior competência em relação às outras séries para este tema. Isso pode estar associado ao período de desenvolvimento que se encontram, ou ainda nos laços afetivos que estão criando e cultivando com os colegas de sala. 

Competências socioemocionais da BNCC

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), são apresentadas dez competências gerais. A partir delas, é desejado da criança que ingressa no ensino básico o agrupamento de questões cognitivas e socioemocionais, e princípios éticos, políticos e estéticos, que fazem parte da formação integral das pessoas. 

Dessa maneira, o jovem precisa ser uma consciência de si e também do mundo, apresentando sensibilidade à diversidade humana, protagonismo em espaços sociais e ser motivado em aprender novos conteúdos. Dentro dessa análise, foi possível perceber que as competência menos desenvolvidas na questão socioemocional são: o repertório artístico cultural (interesse artístico) e também o autoconhecimento e autocuidado (tolerância à frustração, tolerância ao estresse e autoconfiança).

Os benefícios de investir nas competências socioemocionais

Quando se investe nas competências socioemocionais, foi mostrado através da análise que é possível diminuir a violência escolar, como os problemas disciplinares e também o bullying. Em ambos os casos, o ambiente escolar e também da criança é prejudicado, causando sequelas tanto para a vítima, como também para o agressor. 

“As questões socioemocionais vão além da vida escolar, podendo impactar na vida adulta”, explica Rossieli Soares. Por isso, quando há um investimento nessas competências, existe por parte da criança uma maior autoconfiança, responsabilidade, tolerância à frustração, empatia, respeito e também persistência no 5º e 9º ano e 3ª série do ensino médio. 

Chamado de pertencimento escolar, insistir no exercício das questões socioemocionais traz resultados psicológicos e cognitivos bastante favoráveis. Entende-se a questão como “um conjunto de percepções e expectativas que o estudante tem sobre sua relação com a escola como um sentimento de acolhimento entre professores e colegas, confiança nos profissionais da escola como mediadores de conflitos e satisfação por fazer parte desse ambiente”, segundo o documento. 

Investir nas competências socioemocionais dos estudantes pode diminuir a violência escolar, como os problemas disciplinares e também o bullying (Foto: Shutterstock)

Apesar do estudo ter sido realizado antes da pandemia do novo coronavírus, a escola é uma rede de apoio superimportante para a criança. É nela que existe o primeiro contato com um mundo fora de casa, onde são exercidos diversos indicadores que irão fazer toda a diferença na vida pessoal e escolar daquele aluno. 

Por isso, investir nas competências socioemocionais como confiança e autoconfiança, trazem um maior comprometimento para e com os outros, além de auxiliar com que o estudante atue de maneira cooperativa, cuidadosa e sempre visando o bem-estar e qualidade de suas relações com outras crianças.

Indicadores socioemocionais na pandemia

Segundo o secretário de Educação, apesar de não ser afirmado com certeza absoluta, “existe uma probabilidade que os índices socioemocionais tenham uma piora”. Por isso, Rossieli Soares reforça que: “Ter iniciativas estruturadas impactam no desenvolvimento de vida”, trazendo benefícios a curto e longo prazo para cada uma das crianças e adolescentes.

Mais pesquisas serão realizadas neste ano

Além deste mapeamento, o governo de São Paulo irá realizar uma análise das habilidades socioemocionais, tanto para alunos como profissionais da educação. A avaliação deve seguir a mesma técnica apresentada nos resultados acima, feita apenas com estudantes da rede estadual, antes da pandemia.

Para o professores, o questionário já foi disponibilizados. “Não existe isso de você estar errado ou reprovado por dizer sobre tal competência. Será sobre a percepção”, afirmou o secretário estadual de educação. Além disso, o secretário comentou que também irá fazer parte desta análise.

Programas de educação em São Paulo

No evento, Rossieli disse ainda que os alunos dos anos iniciais serão incluídos no programa Inova Educação, que oferece disciplinas em que o próprio aluno pode fazer suas escolhas. Já para estudantes do 1º ao 5º ano, aulas de inglês passarão a serem oferecidas. Atualmente, ela não é obrigatória nesta faixa etária.

Para o próximo ano, 2022, o idioma poderá ser optado junto com a alfabetização. No momento, segundo Rossieli Soares, a pasta está contratando mais profissionais de educação para ministrar o projeto. Não foram detalhados números e mais informações.