Por que as pessoas anti-vacinas pensam que sabem mais do que os médicos?

Um grupo de cientistas estudou o comportamento desse grupo e encontrou uma explicação

O fenômeno tem nome: Dunning-Kruger (Foto: Getty Images)

Vacinação tem sido um tema bastante discutido nos últimos tempos, principalmente por conta do número crescente de pais e mães que se recusam em vacinar os filhos. Não dá para negar, e a Pais&Filhos já conversou com vários especialistas e comprovou que a vacina é a única forma de proteger a saúde do seu filho.

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Mas essa atitude contra vacinas não se resume aos brasileiros. De acordo com o site Babyology, muitos americanos estão indo pelo mesmo caminho. Um estudo, divulgado pela The Lancet, ligou o autismo à vacina contra a caxumba e sarampo nos Estados Unidos e deixou muitos pais apavorados.

Mesmo com a mensagem consistente da comunidade científica americana sobre a segurança das vacinas e a evidência de que elas têm sucesso na proteção das crianças, por que tantos pais continuam em dúvida? Uma possível resposta é que os médicos podem estar influenciando essa atitude “sem querer”. A equipe de pesquisa da Babyology descobriu que alguns adultos americanos podem apoiar posições anti vacina, porque acreditam que sabem mais do que os próprios médicos.

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Vacina, confiar ou não?

A vacinação tem ajudado os especialistas na área da saúde a erradicar diversas doenças como a varíola e poliomielite. Dizer que uma doença foi erradicada significa que ela está permanentemente eliminada, não existe mais. Porém, o ceticismo de alguns pais sobre a vacina permanece.

De acordo com o estudo, a incapacidade dos anti-vacinas de avaliar com precisão os próprios conhecimentos e habilidades sobre o assunto tem explicação científica. O efeito é chamado de Dunning-Kruger, identificado pela primeira vez na psicologia social. É quando a falta de conhecimento de uma pessoa sobre um determinado assunto a leva a avaliar de forma totalmente imprecisa sua expertise sobre aquele tema.

O efeito Dunning-Kruger pode levar pais e mães que não tem conhecimento sobre um assunto a pensarem em si mesmas como mais especializadas do que aquelas que estudaram para falar sobre o assunto.

A vacina ficou em anos e anos em tratamento (Foto: Getty Images)

Efeito Dunning-Kruger

Para testar a hipótese, a Babyology pediu para mais de 1300 americanos no final do ano de 2017 para compararem seus próprios níveis de conhecimento sobre as causas do autismo com o que os médicos e cientistas diziam. Depois que eles fizeram isso, pediram aos entrevistados para responderem várias perguntas factuais de conhecimento sobre o autismo.

A pesquisa descobriu que 34% dos adultos dos Estados Unidos sentem que sabem muito ou mais do que os cientistas sobre as causas do autismo. E mais de 36% ligaram o autismo às vacinas.

Eles também descobriram fortes evidências de que aqueles americanos tinham um comportamento Dunning-Kruger. 62% tiveram o pior desempenho no teste de autismo com perguntas científicas e continuavam acreditando que sabiam mais do que os especialistas, só 15% teve um bom desempenho.

71% dos que acreditam que o autismo têm relação com a vacina sentem que sabem muito ou mais do que os especialistas sobre o assunto. O estudo foi publicado pelo jornal americano Social Science and Medicine.

Como este comportamento afeta a eficiência das vacinas?

Além de avaliar o conhecimento sobre autismo dos participantes da pesquisa, os cientistas pediram que os entrevistados compartilhassem suas opiniões sobre vacina. Perguntaram, por exemplo, se eles apoiam ou não as decisões de outros pais de não vacinar seus filhos . Cerca de 30% das pessoas que pensam que sabem mais do que os especialistas sobre as causas do autismo disseram que apoiam outros pais a fugirem da vacinação. E 16% que não pensam que sabem mais do os profissionais da área disseram fazer o mesmo.

O estudo também descobriu que as pessoas que acham que sabem mais são propensas a confiar em informações sobre vacinas de fontes não totalmente confiáveis, como as celebridades.

Menina sendo vacinada por enfermeira (Foto: Getty Images)

Quem vai vencer esta guerra?

Como conclusão, os resultados da Babyology apontaram que os especialistas têm uma batalha bem difícil pela frente para confrontar esse grupo de pais que acham que a vacina é vilã. Mesmo com uma quantidade absurda de evidências científicas sobre a segurança e importância da vacina na proteção das crianças, o número de pais que não vacinam só cresce.

Os cientistas defendem que os especialistas estudem este novo fenômeno e encontrem uma forma de se comunicar com esses pais de maneira efetiva. O estudo sugere que haja uma área que se especialize em informações pró-vacinas com parceria com celebridades e pessoas não especializadas para tentar chamar a atenção desses pais.

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