Primeira motorista com Síndrome de Down do Brasil conta sensação ao dirigir: “Amo sentir o vento na cara”

Laura Simões têm 20 anos, é youtuber e recepcionista de um hotel em Alagoas. Em depoimento escrito à mão, contou que o apoio da família sempre foi muito importante nas suas conquistas

Resumo da Notícia

  • Laura Simões tem 20 anos e contou em depoimento escrito à mão como foi tirar carteira de motorista com Síndrome de Down
  • A menina ainda relatou as dificuldades de viver a vida com Down, e que sempre contou com muito apoio da família
  • A história de Laura viralizou na internet através de um tweet do irmão

Laura Simões, de 20 anos, é recepcionista de um hotel em Maceió, Alagoas, e atualmente é a primeira pessoa a tirar CNH com Síndrome de Down no Brasil. A história viralizou na internet através de um tweet feio pelo irmão dela, e Laura contou em entrevista ao portal Universa que decidiu correr atrás desse sonho para adquirir mais independência:

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“Fiz o mesmo processo que qualquer outra pessoa. Cheguei lá como a Laura, não como uma menina que tem Síndrome de Down”, relata. “Fui reprovada na primeira vez, tanto na prova teórica quanto na prática, mas passei na segunda tentativa. Nunca achei que não fosse conseguir, sempre estive confiante”. De acordo com o Movimento Down, Laura é a primeira pessoa com Síndrome de Down a tirar CNH – outra jovem com a condição chegou a fazer as aulas de direção, mas não chegou a formalizar a documentação.

A jovem conseguiu tirar a tão sonhada carteira na segunda tentativa (Foto: Arquivo Pessoal/ Universa)

Sobre dirigir, Laura conta que foi muito importante para a própria independência e que adora sentir o vento no rosto e ouvir música: “Minha carteira demorou a chegar. Ficamos ansiosos. Assim que peguei, fui dirigir para o trabalho. Como sou principiante, a regra de casa é andar com papai do lado. A gente brinca de que o Código de Trânsito Brasileiro é a nossa Bíblia. É muito massa!”, brinca.

Relato no papel!

Em depoimento escrito à mão também ao portal Universa, Laura conta que, mesmo em meio a um difícil contexto de pandemia, 2020 foi um ano de muitas conquistas para ela e para a família: “Nesta pandemia tive a oportunidade de iniciar meu processo de habilitação. Meus pais sondaram e souberam que era viável isso com aulas online. Isso facilitou minha concentração. Fiz autoescola com aulas regulares e mais algumas aulas extra. Na véspera da prova, fiz algumas aulas extras também. Apesar do ano difícil para todos, eu e minha família tivemos essa conquista”.

Depoimento feito à mão por Laura ao portal Universa (Foto: Arquivo Pessoal/ Universa)

A conquista de Laura é um exemplo para jovens na mesma condição que ela, e um exemplo de superação do preconceito e das dificuldades. Sobre isso, a jovem também escreveu: “Nós todos, da diversidade, abraçamos este merecimento. Nossa, foi como se um trem atravessasse minha vida, todo mundo curioso. Recebi muitas mensagens lindas. Obrigada por todas! Porém, isso está longe de ser uma proeza: a capacidade de dirigir é consequência das habilidades do dia a dia. Venho adquirindo isso passo a passo. Não é magia, embora para mim esteja sendo um momento mágico”.

A jovem conta que a dificuldade, mesmo sendo parte constante da vida dela desde muito nova, nunca foi empecilho para que conseguisse o que queria: “O que posso dizer é que a vida segue tão depressa que não dá para parar para pensar, lamentar ou perder tempo com este cromossomo [da Síndrome Down] no meio do caminho. Vou conhecendo este danado e me dele esquivando como posso“, desabafa. 

“Tudo vem com esforço extra, com demora e parece que não chega. Têm coisas, eu sei, que ficaram para trás — pelo menos nas coisas comuns, eu estou me virando bem. No trabalho, me surpreendo fazendo coisas que antes não fazia sozinha, como cursos e outras tarefas que podem parecer simples para outras pessoas, mas que têm muito valor para mim. Sigo devagar e sempre!”, ainda complementa.