Primeiro caso no mundo: gêmeas trans fazem cirurgia de redesignação em Blumenau

É a primeira transição de irmãs do sexo masculino para o feminino. Jovens têm 19 anos e foram operadas em uma clínica especializada, a Transgender Center Brazil

Resumo da Notícia

  • Irmãs gêmeas passaram por uma cirurgia de readequação de sexo em um hospital de Blumemau
  • O procedimento é inédito no mundo
  • As jovens de 19 anos, que não quiseram se identificar, passam bem e devem receber alta nos próximos dias

Irmãs gêmeas que nasceram em um corpo masculino passaram por uma cirurgia de readequação de sexo em um hospital de Blumemau entre a última quarta e quinta-feira, 10 e 11 de fevereiro. O procedimento é inédito no mundo e foi concluído com sucesso por dois cirurgiões, Dr. José Carlos Martins Junior e Dr. Cláudio Eduardo, sócios da Transgender Center Brazil, a primeira clínica especializada no tema. As jovens de 19 anos, que não quiseram se identificar, passam bem e devem receber alta nos próximos dias.

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As irmãs mudaram de sexo e passaram por uma cirúgia em Blumenau (Foto: Alex Ferrer)

A ressignificação do órgão sexual foi uma conquista para a dupla, que sonhava com o momento. Segundo o hospital, as irmãs começaram a transição aos 15 anos, quando iniciaram o tratamento hormonal com anticoncepcional. Vale lembrar que é necessário um ano de terapia psicológica para a aprovação do procedimento, além de um laudo técnico e da maioridade. Além disso, é necessário continuar o acompanhamento psiquiátrico mesmo depois da cirurgia.

Transição demanda acompanhamento de toda a família

O médico José Carlos Martins Junior, autor do livro “Transgêneros: Orientações médicas para uma transição segura” , contou em entrevista à Pais&Filhos que a terapia é uma preparação que envolve não só as pacientes, mas os pais e parentes. “Sem sombra de dúvidas é um acontecimento onde toda a família precisa ser trabalhada. Felizmente, cada vez mais vemos o apoio dos pais nisso, o cenário está mudando. Antigamente eram pacientes jogados para fora de casa, que acabavam tendo uma vida marginalizada ”, afirma.

Identidade de gênero não tem relação com orientação sexual

As gêmeas começaram a transição de gênero aos 15 anos (Foto: Alex Ferrer)

O procedimento, feito em quatro mãos, teve duração de cinco horas. Retirado o órgão sexual, as gêmeas agora têm o que os especialistas chamam de “neovagina”, e devem usar um dilatador para modelar o canal vaginal, como explica o cirurgião. Apesar do processo estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), estima-se que só entre 3% e 5% das pessoas trans se submetem à reafirmação de gênero.

“A identidade de gênero não tem relação com a orientação sexual”, explica José Carlos. “A pessoa pode se entender como uma mulher e se relacionar afetivamente e sexualmente com outra mulher, sendo homossexual. Ou ela pode heterossexual, bissexual e até assexuada. Por isso temos poucas pacientes que vão para a sala de cirurgia, não necessariamente uma coisa guarda relação com a outra”, diz.

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Procedimento durou 5 horas e foi um sucesso (Foto: Alex Ferrer)

Para os pais que crianças transgêneros, o conselho do especialista é que a família encaminhe o paciente o quanto antes para um profissional da saúde mental, seja um psicólogo ou um psiquiatra. “Ele precisa conversar com essa criança e acompanhar o desenvolvimento para afirmar o diagnóstico de identidade de gênero e transsexualidade”, explica.

O próximo passo é a intervenção de um endocrinologista, que deve decidir o melhor momento para entrar com a terapia hormonal. Segundo as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), a idade mínima para para o início da transição é de 16 anos. “A cirurgia deve ser pensada só depois dos 18 anos, mesmo que muitos pais comecem a trazer os filhos desde os 15, para tomarem conhecimento do tratamento e se planejarem financeiramente”, conclui o Dr. José Carlos.