Primeiro estudo preliminar mostra que vacina russa para Covid-19 produz imunidade

Os resultados publicados pelo The Lancet, referentes às fases 1 e 2, não houve efeitos adversos até 42 dias depois da imunização dos participantes, e todos desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) dentro de 21 dias

Resumo da Notícia

  • A vacina russa para a Covid-19 não teve efeitos adversos e induziu resposta imune
  • Chamada de "Sputnik V", a imunização foi registrada no mês passado na Rússia, mas a falta de estudos publicados sobre os testes gerou desconfiança entre a população internacional
  • Os cientistas russos reconheceram a necessidade de mais testes para comprovar a eficácia da vacina

Nesta sexta-feira, 4 de setembro, segundo estudos preliminares publicado na revista científica “The Lancet”, uma das mais importantes do mundo, a vacina russa para a Covid-19 não teve efeitos adversos e induziu resposta imune. Os cientistas russos reconheceram a necessidade de mais testes para comprovar a eficácia, após anunciar a produção da vacina.

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A vacina foi registrada no mês passado na Rússia (Foto: Getty Images)

Chamada de “Sputnik V“, a imunização foi registrada no mês passado na Rússia, mas a falta de estudos publicados sobre os testes gerou desconfiança entre a população internacional. De acordo com o G1, os resultados publicados, referentes às fases 1 e 2, não houve efeitos adversos até 42 dias depois da imunização dos participantes, e todos desenvolveram anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) dentro de 21 dias.

Os cientistas do Instituto Gamaleya, que desenvolveu a vacina, disseram em coletiva que essa resposta foi a maior já vista em pacientes que foram infectados e se recuperaram do novo coronavírus naturalmente. A vacina russa foi testada em 76 pessoas. Além disso, os resultados também sugerem que a vacina produz uma resposta das células T, que é um tipo de célula de defesa do corpo, dentro de 28 dias. As células T têm, entre outras funções, destruir células infectadas por um vírus.

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Testes

O presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, disse que o resultado é importante, mas ressalta que ainda falta a fase 3, em que a vacina é testada em um grande número de pessoas. “É um estudo aguardado, publicado em uma revista séria. Hoje a vacina pode ser categorizada como realmente uma candidata, mas isso ainda depende de estudo de fase três onde estão 7 outras vacinas”, disse.

Não houve grupo controle (o que recebe uma substância inativa, para que os cientistas possam comparar os efeitos em quem recebeu a vacina com os de quem não recebeu). Isso foi notado pelos autores como uma limitação do estudo.

Outro ponto limitante, indicam os cientistas, é que os voluntários incluídos eram relativamente jovens, com idades entre 20 e 30 anos. (Pessoas mais velhas correm mais risco de morrer pela infecção com o Sars-CoV-2).

Entenda as fases de testes

As fases 1 e 2 dos testes de uma vacina buscam verificar a eficácia e a segurança delas, ainda com menos participantes que a fase 3. Normalmente, os testes de fase 1 têm dezenas de voluntários, os de fase 2, centenas, e os de fase 3, milhares.

Na fase 3, objetivo dos testes é verificar a eficácia em larga escala. As etapas costumam ser conduzidas separadamente, mas, no caso da pandemia, por causa da urgência dos resultados, várias vacinas têm sido testadas simultaneamente em mais de uma fase.

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