Primeiros pais transgêneros do Reino Unido contam sobre o novo estilo de vida: “Nunca imaginamos”

Jake e Hanna, em abril de 2020, tiveram a primeira filha, Millie, e contaram sobre a jornada do casal pela parentalidade e como eles tem se adaptado à nova rotina

Resumo da Notícia

  • O casal trans, Jake Graff, de 43 anos e Hanna, de 33, tiveram a primeira filha em abril desse ano
  • Com a pandemia a parentalidade não tem sido como eles esperavam, mas é a realização de um sonho para o casal
  • Para contar mais da história de ambos como pais, mês que vem irá ao ar o documentário produzido por eles
  • O casal espera que a filha, Millie, cresça em um mundo em que todos sejam aceitos

Depois de anos sonhando com a paternidade, Jake Graff, de 43 anos, segundo o Mirror UK, em uma manhã de abril, durante a quarentena, conheceu a tão esperada filha, Millie. Quando ele nasceu foi atribuído como do gênero feminino, mas sempre se identificou como um homem. Na vida adulta, resolveu fazer a transição hormonal.

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Com a esposa, Hanna, de 33 anos, em meio a infinitas contas hospitalares, neste ano eles se tornaram os primeiros pais transgêneros do Reino Unido. Desacreditado com a realização do sonho, o agora pai contou que acorda todos os dias, olha para a filha e diz: “Eu nunca achei que teríamos você”.

Jake finalmente realizou o sonho de ser pai (Foto: Reprodução/ Channel 4)

Ele contou que a experiencia de ser pai tem sido incrível, mas ainda soa estranho dizer para a filha enquanto chora: “Não se preocupe que o papai está vindo”, adicionou. Jake ainda contou que foi babá por vários anos e agora que tem a Millie, ficou muito animado com a chegada do Dia dos Pais.

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Como tudo começou

“Eu vi meus amigos tendo filhos aos 20 anos e era tudo que eu mais queria”, relembrou. O antigo babá ainda disse que apesar de sempre ter tido esse desejo o havia reprimido pensando que ele nunca poderia ser realizado.

Jake é um cineasta, e contou que cresceu sabendo que era diferente dos demais, e que quando era criança já dizia aos pais que era um menino, mas foi se afastando de todos quando chegou a adolescência. Somente aos 27 anos, ele começou a transição, tomando testosterona todos os dias, hormônio que faria com ele perdesse a fertilidade. Mesmo sabendo que não poderia ter um bebê naturalmente, ele decidiu congelar alguns óvulos férteis por via das dúvidas.

Hanna, por outro lado, começou a transição em 2013, sem esperança de ter filhos biológicos, ela não tomou nenhuma precaução quanto a isso. A esposa é a melhor-ranqueada mulher trans oficial do exército britânico, e conheceu Jake por meio do Facebook, onde Jake a enviou uma solicitação de amizade após ouvir a história de vida dela no Show de TV “Lorraine”.

Hanna e Jake no dia do casamento (Foto: Reprodução/ Channel 4)

O casal, dessa forma, só tinha duas soluções: adoção ou uma barriga de aluguel. Pensando que com a segunda opção eles teriam pelo menos 50% da genética de um dos pais, eles acabaram indo por essa direção e contaram seus planos no “Breakfast TV”.

A gravidez

Logo depois do programa, uma mulher chamada Rachel (nome ficcional), entrou em contato com o casal. A mãe de dois tinha 32 anos e morava na Irlanda e decidiu ajudá-los. Duas semanas depois de conhecer o casal, Rachel aceitou carregar o bebê de Jake e Hanna, argumentando que ela adora ficar grávida e que para ela seria um prazer.

Ela teve os embriões fertilizados do Jake implantados no próprio útero com sucesso e com a aproximação do mês de abril chegando eles começaram a se preparar para a chegada do bebê. No entanto, com todas as crises atuais, o casal alugou um Airbnb no norte da Irlanda e esperou a chegada da menina. Tudo o que leram durante a gravidez perdeu o sentido, sem poderem receber visitas, nem comidas, nem nada, tudo ficou ainda mais desafiador, contou Jake.

No meio da pandemia ser pai se tornou muito mais desafiador (Foto: Reprodução/ Channel 4)

“Nós estamos trilhando um caminho que poucos realizaram e estamos tentando navegá-lo da melhor forma possível”, explicou o cineasta. Ele ainda disse que passa o dia se perguntando como ele teve tanta sorte, e quer que isso continue até a Millie envelhecer.

Como eles tem vivido

Em meio a tanta felicidade Jake sabe que tem pessoas que vão reagir negativamente em relação à sua família. O casal contou toda sua história por meio de um documentário que irá ao em outubro no “Channel 4”. “Só 8% da polução do Reino Unido realmente conhecem alguma pessoa transgênero, tem muitas pessoas que não conhecem nenhum de nós”, constatou Jake.

O casal espera que o documentário mostre que pessoas trans são pessoas normais. “Quem ‘vomita‘ comentários de ódio por trás de uma tela provavelmente não vive um vida muito feliz”, afirmou. O cineasta também disse que acha que existem mais pessoas boas do que ruins no mundo. “A maioria é boa”, assumiu.

Contanto que a família fique junta tudo dará certo (Foto: Reprodução/ Channel 4)

Eles também contaram que tem planos de serem completamente transparentes com a filha. “Nós sabemos que teremos conversas difíceis com a Millie”, abriu o jogo. O casal tomou essa decisão ao ver amigos que adotaram filhos ou também tiveram por barriga de aluguel, onde descobriram que a honestidade é sempre a melhor opção. Jake e Hanna ainda querem que a pequena tenha contato com a Rachel para que ela conheça onde ela viveu durante 9 meses.

Por fim, o casal conta que quer que a pequena Millie cresça em um mundo no qual todos são aceitos, e reforçaram: “Contanto que estejamos todos juntos, tudo estará bem”.

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