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Professora finalista do ‘Nobel de Educação’ diz que filha a inspirou: “Vontade de transformar o mundo”

Débora Garofalo ficou entre os dez finalistas e representou o Brasil no Global Teacher Prize

Izabel Gimenez

Izabel Gimenez ,filha de Laura e Décio

Os finalistas que disputaram o prêmio eram de 10 países diferentes  (Foto: Reprodução / Facebook)

Débora Garofalo representou o Brasil em Dubai, nos Emirados Árabes, e ficou entre os dez finalistas do Global Teacher Prize, considerado o ”Nobel da Educação”, disputando o título de melhor professora do mundo, no evento promovido pela Varkey Foundation. A docente desenvolveu um projeto em uma escola pública na Vila Babilônia, em São Paulo, para criar robôs usando sucata. Fora a conscientização sobre a importância da reciclagem que a aula ensina aos alunos, ela enfatiza e mostra os problemas causados pelo descarte errado de lixos na cidade. 

Que orgulho! (Foto: Reprodução / Facebook)

Em entrevista à Pais&Filhos, Débora conta como surgiu a ideia do projeto que a levou até Dubai para disputar o prêmio. “Como professora, eu acredito que a gente precisa ter uma escuta atenta. A iniciativa veio de conversas com os próprios alunos. Eles reclamavam muito que o caminho para a escola tinha uma grande quantidade de lixo, inclusive, em dias de chuva eles nem conseguiam ir para a escola. Eu não poderia deixar que isso acontecesse, por isso, tive a ideia de sensibilizar a comunidade recolhendo esse material das ruas e depois levando para a sala de aula para começar a criar robôs.”

Débora com seus alunos (Foto: Reprodução / Facebook)

A professora, que também é mãe de Giovanna, explica que apesar de já trabalhar com educação antes do nascimento da filha, a gravidez a motivou a querer fazer algo por outras crianças, para que possam ter as mesmas oportunidades. “Ser mãe é algo fantástico, desde a gravidez eu senti um amor incondicional e uma vontade de transformar o mundo, ela me fez perceber que a gente precisava tornar o planeta um lugar melhor.”

Débora emociona ao contar como foi a adaptação dessa nova fase para a filha, já que teve que viajar e a rotina passou a ser muita exaustiva. “Passamos por um momento muito difícil durante todo o processo, desde dezembro mais ou menos, mas a Gi foi muito forte. Um dia antes da viagem, ela me entregou uma carta dizendo: ‘Mãe você já é uma vitoriosa, independente do resultado'”. 

Carta escrita por Giovanna antes da viagem (Foto: arquivo pessoal concedido à Pais&Filhos)

Voltando ao assunto do Nobel, Débora relembra sobre o início de tudo e revela que nunca passou pela cabeça que a iniciativa tomaria essa proporção. “Não imaginei que o projeto teria esse reconhecimento. Tudo começou em 2016 e os professores passaram a me procurar e tentar entender como impulsionar o mesmo tipo de trabalho. Sempre fiz questão de repetir: não é só ensinar robótica, é intervir na sociedade”.

A professora comentou que só de saber que estava entre os 50 professores das 10 mil pessoas de 179 países diferentes já foi motivo para festa. “Mas ficar entre os 10 finalistas do mundo foi muito importante, ainda mais por ser um trabalho em um país mais pobre do que os demais e um projeto muito forte com a questão social. Uma escola que não traz só conhecimento, mas muda a vida a local”, afirma. 

Família reunida! (Foto: Arquivo Pessoal concedido à Pais&Filhos)

Para finalizar, Débora abriu o coração e contou sobre a experiência de viajar sozinha e lidar com a saudade da filha. “Família é tudo para mim, eu sempre fui alguém muito ligada a eles. Eu perdi minha mãe há cinco anos e olho para minha filha e meu marido, sei que eles são o que me motivam e me dão base. Foi o que me manteve forte lá em Dubai, eu era uma das únicas sem companhia, mas sabia que eles iriam estar lá me esperando quando eu chegasse independente do resultado”.

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