Programa nacional Criança Feliz completa 4 anos e ganha reconhecimento no atendimento à primeira infância

Com mais de um milhão de visitas registradas, o programa possui reconhecimento nacional e internacional, além de receber o prêmio como uma das seis iniciativas mais inovadoras do mundo

Resumo da Notícia

  • Ao todo, já são mais de um milhão de visitas registradas
  • O programa completou quatro anos de existência
  • O Criança Feliz é fundamental para atuar na primeira infância

Em outubro de 2020, o Criança Feliz, maior programa de visitação domiciliar para a primeira infância no mundo, completa quatro anos com mais de um milhão de visitas registradas em todos os estados. Até o momento, são 26.048 profissionais cadastrados para acompanhar 888 mil crianças e 200 mil gestantes nos 2.781 municípios.

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Já são mais de um milhão de visitas registradas (Foto: Ministério da Cidadania)

Com abrangência e reconhecimento nacional e internacional, em 2019 recebeu o prêmio Wise Awards na Cúpula Mundial de Inovação para a Educação, no Catar, como uma das seis iniciativas mais inovadoras do mundo. Além disso, há também o reconhecimento de entidades como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No caso de Juliene da Silva Rodrigues, mãe de João Carlos, de quatro anos, e Maria Clara, de três, ambos os filhos passaram a ser acompanhados pelo programa. Na rotina das crianças, foi adotado dicas de saúde, brincadeiras e uma série de atividades para estreitar os laços afetivos e desenvolver habilidades motoras e cognitivas. “Eles eram mais quietos e brigavam muito. A Clara quase não falava, era tímida demais. Agora fala, sabe as cores e números. Meus filhos se desenvolveram muito”, comenta.

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A partir das visitas domiciliares semanais, o programa trabalha no fortalecimento dos laços parentais, cuidados e estimulação das crianças durante o desenvolvimento. “O Brasil é um país que acredita que investir nos primeiros anos de vida faz toda a diferença. O Criança Feliz traz uma proposta de estímulo relacionado ao desenvolvimento da criança, ao fortalecimento do vínculo familiar, sempre enfatizando a importância do brincar em família, da leitura”, explicou Luciana Siqueira, secretária nacional de Atenção à Primeira Infância do Ministério da Cidadania.

Criando vínculos

Mara Lúcia Machado, supervisora e coordenadora no Criança Feliz, atua com quatro visitadoras e 100 crianças acompanhadas em Porto Belo, Santa Catarina. O local foi o primeiro do estado a receber o programa. “Foi difícil no começo, porque não tínhamos referência. Fomos nos adaptando, tive a oportunidade de fazer a capacitação de visita domiciliar em Belo Horizonte, e estudei o método em Fortaleza. Passaram-se alguns meses e todos entenderam que o Criança Feliz veio para somar, para ficar”, comenta.

É importante ainda promover a união da família e ter um olhar para essas crianças: “A mãe espera muito a visitadora, porque muitas vezes aquela mãe é sozinha, às vezes está com depressão pós-parto, às vezes não se dá bem com a família, e a única pessoa com quem tem vínculo e que não julga e conversa é a visitadora”, explica Mara Lúcia.

O programa é essencial durante a primeira infância (Foto: Divulgação)

O programa

Dedicado a gestantes e crianças de zero a três anos para beneficiárias do Bolsa Família, e até seis anos para para crianças com algum tipo de deficiência e que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de crianças de até seis anos que estão afastadas do convívio familiar em função de medidas protetivas, é possível transformar vidas e trazer impactos positivos.

“É um trabalho articulado. Quando os visitadores percebem alguma dificuldade ou questão urgente, trazem para mim e faço encaminhamentos para a rede socioassistencial, seja para áreas de saúde, educação ou para um CRAS, CRES, conselho tutelar“, afirma Mara Machado.

Para Miriam Mendonça de Souza Fernandes, supervisora no Criança Feliz, o programa é fundamental para atuar na primeira infância. “Para que um ser humano venha a ser de sucesso, mais comprometido, ativo, temos que trabalhar a base, a primeira infância. Se a gente repassar esse conhecimento que a gente tem recebido, com todas as políticas públicas na saúde, educação, esporte, direitos humanos, se trabalharmos a primeira infância com esse foco, vamos ter uma grande vitória para a sociedade na construção de seres humanos melhores”, conclui.

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