Projeto de lei que proíbe discriminação contra cabelos naturais está em andamento nos EUA

O projeto de lei foi inspirado pelo movimento Crown Coalition, responsável para combater a discriminação racial e cabelos naturais em locais de trabalho e acadêmicos

Resumo da Notícia

  • Estados Unidos abre projeto de lei para proibir preconceito com pessoas de cabelos naturais
  • Foi criado um movimento chamado Crown Coalition que luta contra o racismo em ambientes de trabalho e escolares
  • O projeto ainda está sendo analisado em alguns estados do país

Recentemente, uma animação viralizou ao contar a história de uma menina que tenta arrumar o cabelo “Black Power” para sair. A produção chamada “Hair Love” tem o objetivo de valorizar o cabelo de mulheres negras. Inspirando, até mesmo, projetos de leis que proíbe qualquer discriminação contra cabelos naturais nos Estados Unidos.

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Diversos atos preconceituosos perduraram no país, como o caso de uma escola de ensino fundamental na Geórgia, que apresentou penteados como tranças e blacks que não seriam aprovados no ambiente.

Projeto de lei que proíbe discriminação contra cabelos naturais está em andamento nos EUA
Projeto de lei que proíbe discriminação contra cabelos naturais está em andamento nos EUA (Foto: Reprodução / Folha de São Paulo / Amanda Parobelli / Reuters)

Diante disso, o movimento Crown Coalition, que é responsável para combater a discriminação racial e cabelos naturais em locais de trabalho e acadêmicos foi criado.

A agência de Lawson reuniu um grupo de mulheres negras (ela, Esi Bracey, vice-presidente executiva da Dove, Adjoa Asamoah, fundadora da ABA Consulting, e Orlena Blanchard, diretora da Joy Collective) entre outros especialistas, criando o Crown Act. Hoje conta com mais de 85 participantes.

O nome do movimento, traduzindo em português significa “coroa”. E também um acrônimo para Create a Respectful and Open Workplace for Natural Hair (crie um ambiente de trabalho de respeito e aberto para o cabelo natural).

“Por gerações, pessoas negras nos EUA foram sujeitas a preconceito e discriminação relacionadas ao seu cabelo”, afirmou Lawson por e-mail à Folha de São Paulo. “Adultos tiveram oportunidades de emprego negadas, e crianças negras sofreram bullying, foram ridicularizadas e alvo de represálias”, continuou.

A primeira legislação foi aprovada em julho de 2019, no estado da Califórnia. O projeto foi apresentado pela senadora estadual Holly Mitchell, supervisora do condado de Los Angeles. “É uma questão fundamental de dignidade”, disse ela ao jornal The New York Times. “Há algo profundamente ofensivo quando é dito que seu cabelo, em seu estado natural, não é aceitável no trabalho”, continuou.

No mundo, cada vez mais as mulheres tem decidido passar pelo processo de transição capilar para se aceitar como são naturalmente. De acordo com uma pesquisa realizada pelo movimento, no país, aproximadamente 1,5 chances maiores de não serem aprovadas em um trabalho ou serem demitidas por conta do cabelo, sendo visto como “antiprofissional” por parte da população.

Desde então, além da Califórnia, outros 13 estados e mais 34 municípios já aprovaram o Crown Act ou leis semelhantes. No entanto, 24 estados rejeitaram o projeto. “A lei significa que você fornece um recurso legal [contra o preconceito]”, disse Orlena Blanchard em entrevista à revista americana Ebony.

“Há ainda uma grande necessidade de educar o público geral sobre o impacto socioeconômico de discriminação racial relacionada ao cabelo, para que mais pessoas apoiem a necessidade de uma legislação para acabar com essa forma de racismo sistêmico”, afirmou.

“Minha esperança é que se torne uma lei federal”, disse Mitchell à Ebony. “A estratégia por estado ajuda o Congresso a entender que ele precisa acompanhar o programa ou ser deixado para trás”, disse.